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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

** Moniz Bandeira: ''Governo JQ foi funesto para o Brasil"

 

''Governo JQ foi funesto para o Brasil'


14 de agosto de 2011 | 0h 00

Wilson Tosta - O Estado de S.Paulo
ENTREVISTA
Luiz Alberto Moniz Bandeira, historiador
RIO
O historiador e cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira testemunhou, como editor de Política do jornal carioca Diário de Notícias, a viagem de Jânio Quadros, ainda candidato, a Cuba, em 1960, e seu encontro com Che Guevara. Para o intelectual, que vive atualmente na Alemanha, o presidente brasileiro "de um lado favorecia os interesses do grande capital, do outro tratava de seduzir a esquerda com a política externa independente que manipulou, teatralmente". A seguir, trechos do seu depoimento ao Estado.
Como foi a viagem de Jânio a Cuba, que o sr. Acompanhou?
A visita de Jânio a Cuba não foi inusitada. Assisti à decisão da viagem, tomada na residência de Carlos Castilho Cabral, no Rio. Quem mais argumentou a favor da ida foi João Dantas, o diretor do Diário de Notícias. Dantas, o senador Affonso Arinos de Mello Franco - que seria depois seu chanceler - e Castilho, que presidia o Movimento Popular Jânio Quadros (MPJQ), entenderam que Jânio não poderia se caracterizar como candidato das classes conservadoras. Jânio não era conservador nem esquerdista. Era um oportunista, assumia qualquer posição, conforme as conveniências. Em Havana, afirmou que, se o que Fidel Castro estava a promover em Cuba fosse comunismo, Cristo, se voltasse à Terra, viria empunhando a foice e o martelo.
O que explica um ato tão brusco como a renúncia?
Na campanha eleitoral, Jânio afirmou que processaria o Congresso perante o povo como responsável pela situação do País, se não lhe dessem condições para governar. Após a eleição, tratou de cooptar Leonel Brizola, governador gaúcho, com o argumento de que, "com aquele Congresso", não poderia tomar iniciativas como a limitação das remessas de lucros, a lei antitruste e a reforma agrária. Era necessário ter poderes extraordinários. Com Carlos Lacerda, a conversa era outra mas a conclusão era a mesma: "com aquele Congresso" não poderia governar sem fazer "concessões às esquerdas". Seu objetivo era romper os limites constitucionais com um golpe aceito pelo consenso nacional.
Qual foi a importância do governo Jânio?
O governo de Jânio foi funesto para o Brasil. Ele renunciou não por pressão das Forças Armadas, e sim para dar um golpe de Estado. Imaginou que as multidões protestariam nas ruas, como aconteceu quando Vargas se suicidou em 1954. E, também, que os ministros militares não permitiriam a assunção ao governo de João Goulart. Assim, ele exigiria do Congresso, para voltar, a delegação das faculdades legislativas.

Condecorar visitantes era rotina e Che levou medalha de 2ª classe

Ordem do Cruzeiro do Sul ao líder cubano foi 'um ato midiático' de Jânio que, para analistas, acabou supervalorizado
14 de agosto de 2011 | 0h 00

Wilson Tosta - O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA
Foi, ironicamente, um ato quase de rotina. A concessão da Ordem do Cruzeiro do Sul, em qualquer dos seus graus, a visitantes estrangeiros, era comum na diplomacia brasileira dos anos 50 e 60. Antes de Che Guevara, pelo menos dois representantes do governo revolucionário cubano, o presidente Oswaldo Dorticós e o chanceler Raúl Roas, tinham sido agraciados com a comenda, em 1960, ainda no governo Juscelino Kubitschek.
Eram apenas novos homenageados, em uma lista que incorporaria nomes como o do presidente Leopold Senghor, do Senegal, condecorado em decreto do mesmo dia de Che. Senghor, aliás, recebeu a medalha no grau máximo, Grande Colar, enquanto o guerrilheiro foi homenageado apenas com a Grã-Cruz, segunda mais importante.
A Ordem do Cruzeiro do Sul, a mais alta condecoração do Brasil, surgiu no Império, criada por Dom Pedro I, foi extinta pela Constituição da República, em 1891, e recriada em 1932 por Getúlio Vargas.
"Jânio quis fazer uma simbologia", interpreta o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Paulo Vizentini. "Poderia dar a medalha entre quatro paredes e não fazer alarde. Ou poderia chamar a imprensa e dizer que estava dando alguma coisa muito especial. Às vezes, a política tem algum incidente, que é minimizado. Se não há crise por trás, se não há ninguém interessado em explorar, o fato em si não é tão sério. Agora, quando há um acumulado de tensões, às vezes uma coisa pequena desencadeia o processo."
A professora Maria Celina D"Araújo, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), insere o gesto de Jânio no cenário internacional e nacional do período. "Jânio se vestia como (Gamal Abdel) Nasser (presidente egípcio que nacionalizou o Canal de Suez em 1956), o Nasser era o herói da época", diz ela, referindo-se ao hábito do presidente de usar conjuntos do tipo safári, assemelhados a fardas.
"Tem esse lado dele, de querer ser uma dessas celebridades autoritárias e personalistas. Ele apostou que ia fazer aqui o que se estava fazendo no Egito." Segundo a pesquisadora, Jânio apostou que os militares e o Legislativo, após a renúncia, o reconduziriam ao poder, por medo do "esquerdista" João Goulart, mas o Congresso, diz, estava "doido para se livrar" do presidente, que perdera também a confiança da caserna. "A condecoração de Che Guevara entra no pacote de querer ser um líder terceiro-mundista e fazer uma política midiática", explica. Já durante a campanha eleitoral, Jânio havia visitado Cuba e estivera com Guevara e Fidel Castro.
Udenistas. Outro problema, para Maria Celina, foi a própria UDN, o único partido grande, de expressão nacional, a apoiar a eleição de Jânio, em 1960, em uma aliança também integrada por PTN, PDC, PR e PL, legendas pequenas e de expressão política apenas local.
Os udenistas logo perceberam, afirma, que tinham ganhado, mas não levado, embora a política externa independente fosse conduzida por um udenista histórico, Affonso Arinos de Mello Franco. "O que preocupava Lacerda é que a UDN não controlava o governo, e Jânio era uma liderança concorrente de Lacerda."
Após a renúncia, o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, mobilizou a "Cadeia da Legalidade", grupo de rádios que transmitiam, a partir do Palácio Piratini, pronunciamentos em favor do cumprimento da Constituição e da posse de Goulart. Filiado ao PTB e tido como homem de esquerda,, à época, estava na China, em missão diplomática, e não era aceito como novo presidente pelos ministros Silvio Heck, da Marinha, Odílio Denys, do Exército, e Grün Moss, da Aeronáutica.
Atribui-se a oficiais da Força Aérea Brasileira a organização da "Operação Mosquito", na qual jatos abateriam o avião presidencial com Jango a bordo, quando voltasse. Uma emenda instituindo o parlamentarismo foi votada rapidamente, e em 7 de setembro de 1961 Goulart assumiu apenas como chefe de Estado, ficando a chefia de governo com Tancredo Neves (PSD), sucedido por Brochado da Rocha e Hermes Lima. O parlamentarismo foi revogado por plebiscito em janeiro de 1963, quando Goulart recuperou os poderes presidenciais.

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Fabrício Augusto Souza Gomes

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