Grupo de Estudos da História do Brasil - GEHB

Este espaço é reservado para troca de textos e informações sobre a História do Brasil em nível acadêmico.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Revista Doc on-line n. 22.

Minhas caras, meus caros,  

É com grande satisfação que anunciamos a publicação do número 22 da Doc On-line. Revista digital de cinema documentário com o tema Sonoridades do documentário”. Vejam, abaixo, o sumário deste número.

Aproveitamos para convidá-los(as) a navegar pelas suas diversas seções através do endereço: http://ojs.labcom-ifp.ubi.pt/index.php/doc

Também estamos recebendo material para o próximo número da revista, cujo tema é "Documentário no feminino", até o dia 15 de dezembro.

Aguardamos sua contribuição!

Cordialmente,

Os editores
Manuela Penafria e Marcius Freire


DOC 22
SONORIDADES DO DOCUMENTÁRIO | Sonoridades del documental | Documentary sonoroties | Sonorités du documentaire
Setembro 2017


Índice

EDITORIAL
Editorial | Editor’s note | Éditorial
Sonoridades do documentário
Marcius Freire & Manuela Penafria

DOSSIER TEMÁTICO
Dossier temático | Thematic dossier | Dossier Thématique
Som direto: quatro aspectos da tomada sonora da voz no cinema
documentário
Renan Paiva Chaves

Jogo de cena: um outro olhar sobre a entrevista no documentário
Carlos Pernisa Júnior & Helena Oliveira Teixeira de Carvalho

Bezerra da Silva, Cartola & Velha Guarda da Portela: um mergulho
no documentário brasileiro contemporâneo sobre samba
Guilherme Carréra Campos Leal

Vozes da guerra, cantos de amor: um documentário-balada sobre
meninos soldados
Miguel Alfonso Bouhaben, Sandra Straccialano Coelho
& Guilherme Maia

Os efeitos de sentido do som no cinema documental e o contrato
de veridicção
Alexandre Provin Sbabo

Antoine Bonfanti e a escuta do mundo em documentários não controlados
Sérgio Puccini

Contra-archivos: estrategias de apropiación de imágenes y sonidos
de perpretadores
Mariano Veliz

A fala no documentário O fim e o princípio (2005) de Eduardo Coutinho
Fernando Andacht & Débora Regina Opolski

Puras palabras. Sobre algunos de los usos de los testimonios en los
documentales argentinos que evocan el pasado reciente
Gustavo Aprea

Música e som em três documentários brasileiros curta-metragem
de 1959: nacionalismos, tradição, modernismos e identidade
brasileira
Luíza Beatriz A. M. Alvim

Met Dieric Bouts: investigaciones en torno al contrapunto cinematográfico
Santiago Rubín de Celis Pastor

Eduardo Coutinho et la création d’un « espace sonore » dans le
documentaire
Gustavo Coura Guimarães

ARTIGOS
Artículos | Articles | Articles
O (ir)representável da História: o cinema e o arquivo do Holocausto
Miguel Mesquita Duarte

O arquivo e a morte no documentário brasileiro contemporâneo:
A paixão de JL e Elena
Gabriel Malinowski

O cinema como errância – os deslocamentos como objetos: o documentário
aforístico de Llorenç Soler
Rafael Tassi Teixeira

Metáforas en el cine – un recorrido por las representaciones del
documental argentino sobre la crisis de 2001
Teresa Álvarez Martín-Nieto

El botón de nácar e a repressão na América Latina
Moisés Carlos Ferreira

LEITURAS
Lecturas | Readings | Comptes Rendus
O documentário contemporâneo e os limites da realidade
Jennifer Jane Serra

ANÁLISE E CRÍTICA
Análisis y crítica de películas | Analysis and film review |
Analyse et critique de films
A queima: vozes e ruídos na construção de um mito
Ester Maria Silva Rosendo

La deconstrucción de las imágenes del Libertador en: Bolívar sinfonía
tropikal (1980), de Diego Rísquez
Rafael Arreaza Scrocchi

A escritura sonora e o processo de construção do documentário
Jards (2012), de Eryk Rocha
Cristiane da Silveira Lima

Entrevista | Interview | Entretien
Entrevista con Diego Rísquez: Descifrando el film Bolívar sinfonía
tropikal (1980)
Rafael Arreaza Scrocchi

A sonoridade do documentário Jards (2012), de Eryk Rocha. Entrevista
com o sound designer Edson Secco
Cristiane da Silveira Lima

Entrevista com Ana Rieper: documentários musicais como um território
de afetos
Guilherme Sarmiento & Lucas Ravazzano

DISSERTAÇÕES E TESES
Disertaciones y Tesis | Theses | Thèses
Agenciamentos estéticos e políticos no audiovisual contemporâneo:
imagens de arquivo na obra de Harun Farocki
Jamer Guterres de Mello

O documentário autobiográfico: o cinema de Cambridge e a obra
de Ross McElwee
Gabriel Kitofi Tonelo

O corpo feminista e animado: as representações dos gêneros nos
filmes de animação feministas da década de 1970 de Monique
Renault
Fernanda Resende Serradourada

O cinema investigativo de Errol Morris e suas táticas de construção
fílmica em um cinema social
Dayane de Andrade

Documentário radical ou a ficção como colaboração: invenção,
disjunção e cinema compartilhado. Devir e cosmovisão em
As hipermulheres
Philipi Emmanuel Lustosa Bandeira

Vídeos instantâneos nas redes sociais: momentos da vida real e o
efêmero da comunicação pessoal
Maira Tomyama Toledo

Cinema direto na Paraíba: a consolidação de um estilo na representação
do real
Leandro Cunha de Souza

Identidade social e a representação da epilepsia no cinema
Fernanda Sayuri Gutiyama

Cinema Queerité: gêneros e identidades minoritárias no documentário
Paris is burning
Ademir Silveira Corrêa

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

FGV | Call for Papers para o II Seminário Internacional Histórias do Pós-Abolição no Mundo Atlântico.

Call for Papers para o II Seminário Internacional
Histórias do Pós-Abolição no Mundo Atlântico
Prazo 07 de janeiro de 2018
A abolição da escravidão no Brasil completa 130 anos em 2018. A data articula uma série de significados atribuídos, questionados e disputados por diferentes sujeitos sociais do passado e do presente.

Para debater o assunto, o
 Laboratório de Estudos Étnico-Raciais (LEER) a Escola de Ciências Sociais da FGV (CPDOC) em parceria com LABOI da UFF, ANPUH, GT Emancipações e Pós Abolição, UnB, UFRRJ e apoio da UFRJ, do e CNPq, realiza, dias 15 e 18 de maio de 2018, o “II Seminário Internacional Histórias do Pós-abolição no Mundo Atlântico”.

Os pesquisadores interessados em participar dos debates devem submeter seus trabalhos para avaliação até 7 de janeiro de 2018

Encorajamos, em especial, a submissão de trabalhos que dialoguem com os seguintes eixos temáticos:
I. Memória e História Pública da escravidão e da liberdade;II. Racismo e antirracismo em perspectiva histórica;III. Intelectualidades e ativismos negros;IV. Trajetórias e práticas de sociabilidade: raça, classe, gênero e sexualidades;V. Balanço historiográfico do pós-abolição;VI. Políticas públicas de reparação para a escravidão atlântica;VII. Reeducação das relações étnico-raciais.

Os trabalhos poderão ser inscritos nas modalidades:
 Comunicação individual de pesquisa  Pôster – Iniciação Científica  Pôster – Práticas Inovadoras de Ensino de História

O Seminário prevê ainda a participação de ouvintes. 


Para mais informações clique aqui.

INSCRIÇÕES

Datas importantes

Envio de propostas: 23/10/2017 – 7/1/2018

Prazo final para respostas e envio de cartas de aceite: 5/2/2018

Prazo final para o pagamento da inscrição: 16/3/2018

Envio de texto completo: 30/4/2018
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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Divulgação - Jornada Republicana

Divulgação - Jornada Republicana

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Livro recém-publicado: "Pensamento social e político brasileiro" Autor: Gustavo Biscaia de Lacerda.

Caros colegas e amigos:

A editoria Intersaberes acaba de publicar um livro de minha autoria: "Pensamento social e político brasileiro". 

Ele pode ser adquirido aqui: www.livrariaintersaberes.com.br/produtos/pensamento-social-e-politico-brasileiro
Eis o sumário do livro:

Apresentação
Como aproveitar ao máximo este livro
Introdução
1 Problemas de objeto e método
            1.1 Delimitando o pensamento político brasileiro
                        1.1.1 Pensamento político versus pensamento social
                        1.1.2 Ciência política versus teoria política
                        1.1.3 Universalismo versus nacionalismo teórico-metodológico
                        1.1.4 Autores-atores e atuação acadêmica
                        1.1.5 Em suma: por que pensamento político brasileiro e não teoria política?
            1.2 Possibilidades metodológicas
            1.3 Algumas oposições sociopolíticas: famílias teóricas
                        1.3.1 Luiz Werneck Vianna: americanismo-iberismo
                        1.3.2 Christian Lynch: saquaremas-luzias
                        1.3.3 Oliveira Vianna: idealismo utópico/idealismo orgânico
                        1.3.4 Gildo Marçal Brandão: linhagens do pensamento político brasileiro
                        1.3.5 Quadro-síntese: comparação entre as propostas de famílias teóricas
            1.4 Por que estudar o pensamento político brasileiro?
2 O Estado demiurgo versus a sociedade desarticulada ou sequestrada
            2.1 Estado demiurgo
            2.2 Possibilidade de autoritarismo instrumental
            2.3 Aplicando as categorias prévias ao Estado demiurgo
            2.4 Visconde de Uruguai
            2.5 José de Alencar
            2.6 Alberto Torres
            2.7 Oliveira Vianna
            2.8 Francisco Campos
            2.9 Jessé de Souza
            2.10 Quadro-síntese: ideias de autores do modelo de Estado demiurgo
3 O Estado sufocando uma sociedade articulada
            3.1 Sociedade estruturada e Estado sufocante
            3.2 Aplicando as categorias prévias à sociedade estruturada
            3.3 Tavares Bastos
            3.4 Joaquim Nabuco
            3.5 Rui Barbosa
            3.6 Raimundo Faoro
            3.7 Florestan Fernandes
            3.8 Simon Schwartzman
            3.9 Quadro-síntese: ideias de autores do modelo de sociedade estruturada
4 Abordagens intermediárias ou diversas: Estado e sociedade como polos ativos
            4.1 Estado e sociedade como polos ativos
            4.2 Aplicando as categorias prévias ao modelo da complementaridade
            4.3 José Bonifácio
            4.4 Teixeira Mendes
            4.5 Caio Prado Júnior
            4.6 Sérgio Buarque de Holanda
            4.7 Bresser Pereira
            4.8 Quadro-síntese: ideias de autores do modelo de complementaridade
Para concluir...
Referências
Bibliografia comentada
Lista de abreviaturas
Respostas
Sobre o autor

Abraços a todos,

Gustavo.

"Cansamo-nos de agir
 E até de pensar cansamos;
 Só não cansamos de amar
 E nem de dizer que amamos"
(Teixeira Mendes, a partir de Augusto Comte)


__._,_.___

Pensamento social e político brasileiro

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

LANÇADA ARTCULTURA 34


Impulsionada pelo esforço permanente de buscar focos e enfoques diversificados ao explorar temas que entrecruzam os campos da História, das Artes e da Cultura em geral, a ArtCultura 34 oferece aos seus leitores, uma vez mais, um cardápio de opções variadas. Ao longo de suas 256 páginas foram acolhidos 14 artigos, 2 textos que inauguram a seção Primeira mão e uma resenha.
A revista é aberta com o dossiê “Música folclórica: entre o campo e a cidade”. Para conferir-lhe densidade internacional, recrutaram-se contribuições de pesquisadores da Argentina, Chile/México, Colômbia, Estados Unidos e, claro, do Brasil, cujos trabalhos abarcam gêneros musicais diferenciados e se espraiam por geografias sonoras que percorrem o continente americano. O segundo dossiê, “História no teatro & teatro na história”, reuniu colaborações de docentes dos estados da Bahia, Minas Gerais, Piauí e Rio de Janeiro, que transitam entre o dito e o interdito e se ancoram em escritos encharcados da gramática da vida transposta para a linguagem teatral.
Na sequência, nas seções Artigos, Primeira mão e Resenhas enfeixaram-se textos de pesquisadores dos estados do Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.
Estejam à vontade para degustar a ArtCultura 34. Acessem-na no nosso site (www.artcultura.inhis.ufu.br), no SEER (http://www.seer.ufu.br/index.php/artcultura/index), no Facebook (facebook.com/revista.artcultura) e no Instagram (@revistaartcultura).
Abraços.

Adalberto Paranhos e Kátia Rodrigues Paranhos, editores.


Ver, nas páginas seguintes, capa, sumário e links.
LANÇADA ARTCULTURA 34

   
V. 19, n. 34, jan. - jun. 2017

Dossiê: Música folclórica: entre o campo e a cidade
Organizadora: Tânia da Costa Garcia
Usos e apropriações da “música folclórica”
Organizadora: Tânia da Costa Garcia
Dossiê: História no teatro & teatro na História
Organizadora: Kátia Rodrigues Paranhos
Artigos
Primeira mão
Resenha



terça-feira, 12 de setembro de 2017

8º ENCONTRO DE PESQUISADORES DO CAMINHO NOVO

Prezados (as) Senhores (as).

Comunicamos o acontecimento do 8º ENCONTRO DE PESQUISADORES DO CAMINHO NOVO a ser realizado pela primeira vez em território fluminense e, em especial, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, nos próximos dias 15 e 16 (sexta-feira e sábado),no Auditório da UNIVERSIDADE IGUAÇU-UNIG.


Cordialmente,



​Paulo Clarindo


Presidente

Instituto Amigos do Patrimônio Cultural-IAPAC


8º ENCONTRO DE PESQUISADORES DO CAMINHO NOVO

domingo, 3 de setembro de 2017

Seminário - O Brasil e a Grande Guerra - 04 e 05 de Outubro - IHGB.


Em memoração à participação brasileira na Primeira Guerra Mundial, realizar-se-á nos dias 4 e 5 de outubro de 2017, no IHGB, o Seminário "O Brasil e a Grande Guerra: interfaces da participação brasileira na Primeira Guerra Mundial". 
Inscrições limitadas no site: CLIQUE NA IMAGEM ABAIXO
Serão conferidos certificados de participação.
O IHGB fica na Av. Augusto Severo, nº 8, 11º andar - Glória - Rio de Janeiro - RJ - Brasil


Seminário - O Brasil e a Grande Guerra - 04 e 05 de Outubro - IHGB.



quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Seminário: Arquivos e Direitos Humanos - APESP

Seminário: Arquivos e Direitos Humanos - APESP



VENHA NOS VISITAR!
Rua Voluntários da Pátria, 596, Santana, São Paulo - SP
(Ao lado da estação PORTUGUESA-TIETÊ do Metrô)
Tel: (11) 2089-8100

Acesse: www.arquivoestado.sp.gov.br

NOS ACOMPANHE!
Facebook - www.facebook.com/arquivoestado
Twitter - www.twitter.com/ArquivoPublico
Instagram - https://www.instagram.com/arquivoestadosp
Youtube - https://www.youtube.com/user/arquivopublicosp
Fale Conosco - faleconosco@arquivoestado.sp.gov.br

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Ensino de História e políticas educacionais no Brasil.

Prezados colegas, houve uma alteração na programação que ocorrerá dia 17 de agosto no Rio de Janeiro. já divulgada anteriormente.  Contamos agora com a presença também do coordenador nacional da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara. Pedimos sua ajuda na divulgação da programação abaixo. 
Gratos pela sua atenção e ajuda na divulgação. 


Helenice Rocha
Profa. Adjunta UERJ/FFP
Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em História Social 
Líder do Grupo de Pesquisa Oficinas de História

Ensino de História e políticas educacionais no Brasil.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Revista Antíteses do Programa de História Social da UEL. O Dossiê "História e Imprensa".

Prezados é com muita satisfação que comunico a publicação do novo número da Revista Antíteses do Programa de História Social da UEL. O Dossiê "História e Imprensa" foi organizado por Tania Bessone e por Jose Miguel Arias Neto.
Esperamos que os leitores apreciem.



José Miguel Arias Neto
Prof. Associado Universidade Estadual de Londrina

CLIQUE NA IMAGEM PARA ACESSAR A REVISTA
Novo número da Revista Antíteses do Programa de História Social da UEL.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Ladeira do Tempo-Foi, um romance machadiano.

Portugal Pravda.ru / Notícias
 Ladeira do Tempo-Foi , um romance machadiano
         É como se Machado de Assis (1839-1908) tivesse vivido mais meio século e tido a oportunidade de passar os seus derradeiros anos no tradicional bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro da década de 1950, recolhendo material e passando para o papel o que vira e sentira em meio aos seus moradores. É assim que se haverá de sentir o leitor ao acabar de ler o romance Ladeira do Tempo-Foi (Rio de Janeiro, Synergia Editora, 2017), do arquiteto e professor Helio Brasil, sua segunda experiência no gênero.                                                                               +
Adelto Gonçalves (*)                                                                            

            Obviamente, este já é outro Rio de Janeiro que se percebe neste livro, se comparado aos romances machadianos, mas a alma das ruas é a mesma, bem como os seus logradouros, praças, calçadas, ladeiras, portões, sobradões, janelas, esquinas, quartéis, mercearias, armarinhos, botequins, igrejas e escolas. Até porque quem o descreve é um carioca de quatro costados, nascido e vivido em São Cristóvão, autor de outro livro que igualmente resgata o bairro, São Cristóvão - memória e esperança (Rio de Janeiro, Prefeitura do Rio de Janeiro/Editora Relume Dumará, 2004), que viria a ser reeditado em 2016 pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro (Faperj) na obra coletiva Cantos d o Rio - imagens literárias de bairros e localidades cariocas, volume que reúne 13 textos.
            E que, em sua primeira experiência no romance, A última adolescência (Rio de Janeiro, Editora Bom Texto, 2004), já havia explorado a mesma paisagem de São Cristóvão, a exemplo do que faria em vários contos. Para ele, São Cristóvão é metaforicamente um território pessoal de vivências ou "uma bela e colorida amostragem do brasileirismo e do carioquismo", como diz na dedicatória. Em outras palavras: Ladeira do Tempo-Foi constitui uma bem sucedida, onírica e proustiana busca de um tempo perdido na memória do autor.
            Sem contar que o seu saboroso estilo é indisfarçavelmente inspirado no texto machadiano, ainda que adaptado aos nossos dias. Enfim, trata-se de "uma viagem ao mundo carioca e brasileiro dos meados do século XX, conduzida com vigor narrativo neste romance que surpreende a cada passo", como bem observa Gustavo Barbosa, escritor, professor, consultor editorial, consultor de comunicação, editor e produtor de conteúdo multimídia, no texto de apresentação que escreveu para este livro.
                                                           II
            Num cenário que lhe é extremamente familiar, o romancista cria (ou transporta personagens reais para a ficção?) uma ampla galeria de personagens - imigrantes portugueses e espanhóis, professores, comerciantes, senhorios, burocratas, donas de casa, prostitutas, policiais, malandros, boêmios, pobres, ricos e remediados, brancos, gringos e portugas, pretos e mulatos, trabalhadores braçais, funcionários e doutores e outros tipos típicos das ruas cariocas daquele tempo, por onde ainda se podia andar sem medo de ser surpreendido por uma bala perdida.
            É nesse ambiente que o leitor vai acompanhar a vida do professor Carlos Jordão, morador na Ladeira do Tempo-Foi, ao pé do morro, leitor assíduo de estudiosos como Anísio Teixeira (1900-1971) e Gilberto Freyre (1900-1987), casado com Leonor, de família açoriana chegada havia pouco ao Brasil, mãe de seu filho recém-nascido Felipe e moça "esculpida pela educação camponesa, mas não rústica". Viviam num sobrado, vizinhos de outras famílias, mas alimentavam o sonho de abrir uma conta na caixa econômica para fazer um pé-de-meia e comprar uma casa, para escapar daquela vizinhança de gente pobre.
            A vida familiar vai bem até que, um dia, chegam num caminhão de mudanças os rústicos e poucos móveis de uma vizinha, Idália, jovem pobre, ex-operária da fábrica de tecidos de Bangu, que traz apenas o seu filho, Lula, menino doente, deficiente mental. E vai morar no porão do velho sobrado. Acontece que a morena Idália é também uma mulher de formas exuberantes, que atrai o olhar dos homens nas ruas por onde passa. E o seu cheiro feminino começa a inebriar também o jovem professor.
            Nasce, então, um romance às escondidas entre o professor e a morena, que não é interrompido nem mesmo quando a mulher é despejada do porão do sobrado por falta de pagamento do aluguel. Sem alternativa, ela vai viver num sobrado da Rua Riachuelo, perto da Lapa, que fora transformado em rendez-vous
            Idália vira prostituta, mas continua a receber entre os seus clientes o jovem professor, embora fosse perseguida por seu antigo amante, o rufião Ranulfo. A vida familiar do professor é, então, abalada por uma denúncia anônima que vem num papel mal escrito e faz a açoriana largar a casa, levando consigo o filho Felipe. O lar burguês só seria refeito quando ocorre a tragédia que marca o romance: Idália e o filho doente, um dia, seriam mortos a facadas pelo malandro Ranulfo.

                                                           III
        Se o Rio de Janeiro - e, por extensão, o Brasil - e o contexto em que se passa o romance já não são aqueles das obras de Machado de Assis, ainda havia na sociedade brasileira da década de 1950 os sinais do clientelismo e do patriarcalismo que, ao lado da escravidão, constituíam as formas sociais que dominavam o País à época machadiana. Os conflitos de classe seriam, praticamente, os mesmos e o professor Jordão, ainda que não fosse alguém que pudesse ser visto como uma pessoa bem posta na vida, não poderia assumir publicamente o seu relacionamento com a lasciva mulata Idália.  
            Outro personagem que parece saído de um romance machadiano - mas, quem sabe, seja antes o protótipo do brasileiro médio - é o professor José Lírio, colega de Jordão na escola municipal do bairro, o Ginásio Santa Cordélia, onze anos mais velho, casado, mas que mantém um romance igualmente clandestino com uma aluna, Ana Luíza, 17 anos declarados, mas que, na verdade, seria uma adolescente de apenas 15 anos.
            Empregado também num ministério da República, Lírio transitava com certa facilidade nos corredores da política no Distrito Federal. E, com o retorno de Getúlio Vargas (1882-1954) ao poder, agora por meio de eleições livres, e a entrada no Ministério da Educação de Simões Filho (1886-1957), respeitado intelectual, via a oportunidade de cavar para si e para o colega de trabalho no Santa Cordélia uma colocação no grupo que haveria de preparar um livro encomiástico sobre a trajetória de Vargas. Um seria assessor do outro.
            Como se vê, a exemplo de Machado de Assis, a visão que Helio Brasil tem de seus personagens não é sentimental, mas realista. Ao mesmo tempo, não se pode deixar de reconhecer no autor um tom saudosista do tempo que ele mesmo viveu no bairro de São Cristóvão. Tudo isso faz deste livro um dos lançamentos mais auspiciosos da Literatura Brasileira neste começo de século XXI.
                                       IV
Helio Brasil (1931), nascido no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, é formado em 1955 pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foi funcionário do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE, hoje BNDES), entre 1955 e 1984, tendo realizado projetos para as instalações da instituição. Projetou edifícios comerciais, industriais e residenciais no Rio de Janeiro e em outros Estados. Foi professor da disciplina Projeto de Arquitetura, durante vinte anos, na Universidade Santa Úrsula, na UFRJ e na Universidade Federal Fluminense (UFF).
É autor de São Cristóvão - memória e esperançaO anjo de bronze e outros contos (Rio de Janeiro, Oficina do Livro, 1994); A última adolescênciaTempos de Nassau: um príncipe em Pernambuco, ficções, com vários autores (Rio de Janeiro, Bom Texto, 2004); Cadernos (quase) esquecidos (crônicas autobiográficas, edição de autor) e Pentagrama acidental (novelas, Editora Ponteio, 2014). É co-autor com Nireu Cavalcanti de O Tesouro - O Palácio da Fazenda, da Era Vargas aos 450 anos do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, Pébola Casa Editorial, 2015) e com José Rezende Reis de O Solar da Fazenda do Rochedo e Cataguases (memórias, Synergia Editora, 2016), em segunda edição. Participou ainda de coletâneas de contos das editoras Uapê, Bom Texto e 7Letras.
______________________________
Ladeira do Tempo-Foi, de Helio Brasil, com texto de apresentação de Gustavo Barbosa. Rio de Janeiro: Synergia Editora, 220 págs., R$ 40,00, 2017. Site: www.synergiaeditora.com.br
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 (*) Adelto Gonçalves é mestre em Língua e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté, Letra Selvagem, 2015), Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage - o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012), e Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015), entr e outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

http://port.pravda.ru/sociedade/cultura/17-07-2017/43650-tempo_foi-0/

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