Grupo de Estudos da História do Brasil - GEHB

Este espaço é reservado para troca de textos e informações sobre a História do Brasil em nível acadêmico.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Nova edição de ArtCultura (32)

                   Prezados(as) colegas,

              Desde o ano passado, está disponível o número 32 de ArtCultura: Revista de História, Cultura e Arte, vinculada ao Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Ele transita, inicialmente, por uma temática pouco comum, explorada num minidossiê que procura captar as relações entre História, Imagem, Ciência & Cultura. A seguir, noutro minidossiê, abre-se espaço para deslocar o eixo sobre o qual se assentam comumente os estudos em torno da música popular brasileira: História & Música Popular no Pará são, então, objeto de análise. Na seção Artigos, como sempre, impera a diversidade de temas: vai-se do humor televisivo de Millôr Fernandes até a encenação de Maikóvski no Brasil, passando pela interface entre erotismo e morte nas artes e pelos corridos mexicanos no período pós-Revolução de 1910. Por último, apresentamos duas resenhas sobre livros recentemente publicados por dois renomados pesquisadores latino-americanos que elegeram a música como seu campo de produção intelectual. Sirvam-se à vontade da revista. Nas próximas semanas virá a público a edição 33, fechando, assim, 2016.
               Para maiores informações, basta acessar www.artcultura.inhis.ufu.br.
               Abraços.
               Adalberto Paranhos e Kátia Rodrigues Paranhos, editores. 
           
 Nova edição de ArtCultura (32)


Minidossiê: História, Imagem, Ciência & Cultura
Organizadoras: Valéria Mara da Silva e Paloma Porto

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

CAIS DO VALONGO, de NIREU CAVALCANTI

Pessoal amigo

Venho há muito tempo tentando trazer para a reflexão na mídia essa farsa do “Cais do Valongo” destinado ao desembarque de escravos. Assim, trago algumas de minhas conclusões sobre a questão resultantes de árduas pesquisas.

O comércio de escravos (os armazéns) no Valonguinho (a primeira parte da imensa praia que se estendia da Pedra do Sal até o morro da Saúde), seguida da parte chamada de Valongo, transferiu-se para a região por iniciativa da Câmara de Vereadores, dos comerciantes de grosso-trato não envolvidos com o comércio negreiro, dos cirurgiões e médicos, dos profissionais de engenharia e arquitetura, a partir de janeiro de 1758.

Naquela época acreditava-se que as epidemias que grassavam na cidade tinham origem nos armazéns situados na área central – região do entorno da atual Praça XV – condição incompatível, segundo os contemporâneos, com cidade do porte e da importância do Rio de Janeiro.

Alguns negociantes negreiros entraram no Tribunal da Relação questionando se procedia, de fato, a relação entre as epidemias e os armazéns de escravos. O processo arrastou-se naquele Tribunal, mas por decisão do vice-rei Marquês do Lavradio, aqueles comerciantes foram obrigados a se deslocar a nova região demarcada pela Câmara de Vereadores.

O comércio negreiro no Valongo teve sua duração de 1760 até 1830, ano em que o tráfico negreiro efetivamente já estava reduzido. Para alcançar 1.000.000 de escravos seria necessário que entrassem mais de 14 mil escravos por ano. Os livros da Alfândega durante o século XVIII registram no máximo 11.000 em alguns anos (cerca de cinco).

Com a chegada da Corte e assinatura de tratado comercial com a Inglaterra, um dos seus itens estabelecia o compromisso da monarquia portuguesa iniciar a redução do tráfico negreiro, até sua total extinção (que só veio a ocorrer em 1850). Os comerciantes negreiros apressaram-se, então, em trazer mais escravos. Registros na Alfândega para os anos de 1810 e 1811 mostram a chegada de 20.000 escravos, em cada ano.

O cais da cidade (da Misericórdia até o Arsenal da Marinha) ficou incompatível com a demanda oriunda da abertura dos portos do Brasil, pelo príncipe regente D. João, ao comércio com as nações amigas. O número de navios mercantes estrangeiros aumentou significativamente, além dos navios originários do crescimento do comércio interno entre as províncias.

Na última década do século XVIII os comerciantes que usavam os portos do interior da Baía de Guanabara, principalmente os negociantes de Minas Gerais, solicitaram permissão para construírem, às suas custas, um cais na região do Valongo, ou Gamboa. Argumentavam sobre o prejuízo que tinham com a pequenez do “Cais dos Mineiros”, vizinho à Alfândega. Foi negado o pedido pelo vice-rei conde de Resende, sob o argumento de que seria perigoso incentivo ao contrabando de mercadorias, principalmente de escravos.


Este perfeito mapa da região (1791) do Valonguinho-Valongo mostra a Pedra do Sal (“Pedra da Prainha”) avançando pelo mar da baía, interrompendo a ligação entre o trecho da Prainha (atual Praça Mauá) e a marinha do Valongo. Assim como não registra nenhum cais público, apenas os atracadouros dos diversos trapiches.


A ausência de cais público ocorre neste mapa de 1808. Mostra a cidade que D. João encontrou quando chegou.

Dom João, em 1809, resolveu fazer um cais do Largo da Prainha até o morro da Saúde. Foi feito o projeto, mas não tinha o Tesouro recursos para arcar com essa despesa, principalmente fazer o corte na Pedra do Sal e indenizar todos os proprietários que tinham trapiches, ou moradias e comércio ao longo desse cais. A obra se arrastou por anos e a partir de 1821 já há citação documental de que foram construídos parte do cais (muralha), algumas rampas e degraus. É importante frisar que esse cais Joanino destinava-se aos navios mercantes, não negreiros. Os escravos continuavam a desembarcar, serem cadastrados e pagos os impostos na Alfândega [atual Casa França-Brasil], como registra Rugendas em 1828.



Esta aquarela de Thomas Ender (c. 1818) mostra a Pedra do Sal ainda em processo de corte e a praia do Valonguinho-Valongo sem cais.


Neste mapa (1829) observamos que o corte da Pedra do Sal foi totalmente realizado e feito para a nova urbanização da orla, registrando ainda o aparecimento de vários atracadouros e novos trapiches ao longo de toda a marinha.


Gravura de Rugendas (1828) mostrando o processo de chegada dos escravos novos na Alfândega.

Uma grande obra de renovação, ampliação e embelezamento do cais do Valongo foi realizada para o desembarque da imperatriz Theresa Cristina(03/09/1843),  esposa de D. Pedro II.


Mapa de 1844, um ano após a construção do cais da Imperatriz (Praça Municipal), mostra a nova zona portuária da cidade do Rio de Janeiro.

Portanto, o cais descoberto na região do Valongo e que poderemos ter a felicidade de visitar é o construído para aquele importante marco político-histórico no Brasil.

O tombamento da região do Valongo como Patrimônio da Humanidade é mais do que recomendável: zona do comércio negreiro, abrigo do campo santo dos escravos novos. O cemitério lá se encontra, sob várias construções da Rua Pedro Ernesto – a antiga rua do Cemitério ─, além de ter sido o cenário vivo da união das nobrezas europeias: os Bourbon e os Bragança, nos trópicos e continente Americano.

Cabe, por fim, destacar que o Brasil é o único país da América que foi reinado e império.


Grandjean de Montigny: Projeto de fonte comemorativa da chegada da imperatriz D. Theresa Cristina. (1843).

Observação: todos os mapas e iconografias pertencem ao Acervo da Biblioteca Nacional e podem ser acessados no seu portal digital.


Escrito por Nireu Cavalcanti. Rio de Janeiro, 20 de dezembro de 2016. Clique no label "História do Rio" abaixo para ler outras matérias neste blog sobre a história da cidade.




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    **Este grupo foi criado com o intuito de promover releituras da HISTÓRIA DO BRASIL e tão somente  HISTÓRIA DO BRASIL.  Discussões sobre a situação atual: política, econômica e social não estão proibidas, mas existem outros fóruns mais apropriados para tais questões.

                                                                                                    Por Favor divulguem este grupo e grato pelo interesse .

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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Chamada de Artigos Revista Brasileira de História - O Protagonismo Indígena na Historia.


A Anpuh-Brasil e a Revista Brasileira de História convidam você a mandar uma colaboração inédita, resultante de pesquisa original.

Classificada como A1 no Qualis Capes, a RBH em 2016 adotou a submissão em rede e diminui o tempo existente entre recepção, avaliação e publicação de artigos. Além disto adotou a modalidade da publicação avançada, “ahead of print”. Também adotou a periodicidade quadrimestral e ratificou sua posição favorável ao conteúdo aberto da produção científica.
Admitida na Scielo em 1998, a RBH está indexada na Scopus, Isi Web of Science, DOAJ e Redalyc.
Igual a 2016, a meta de 2017 é de 25 artigos, mas pode ser um pouco mais, a depender da qualidade das colaborações recebidas. Portanto, não deixe de apresentar um manuscrito inédito.
Além da demanda aberta, estão previstos dois dossiês: (1) O protagonismo indígena na história (até 2 de maio de 2017) e (2) Centenário 1917: Grande Guerra, greve e revolução (até 27 de junho de 2017).
Normas para submissão:

All manuscripts should be sent through the on line submission system:
Todos los textos deben ser enviados por el sistema de sumisión en línea:


 

O Protagonismo Indígena na Historia


Organização: Maria Leônia Chaves de Resende (UFSJ)


O foco desse dossiê da Revista Brasileira de História atende ao imperativo de se repensar o protagonismo indígena, ao colocar  o agenciamento dos sujeitos individuais ou coletivos em múltiplos cenários e diferentes dinâmicas, no curso da historia. Essas releituras evocam a atuação dos povos indígenas como epicentro da análise para a compreensão, explicação e construção de outras narrativas, que expressam formas criativas de resistência, constituição de novas identidades, campos de saberes nativos, ressignificação dos discursos, organização de movimentos, entre outros tópicas que vicejam na América Latina e Caribe.


As colaborações devem ser enviadas até 2 de maio de 2017, seguindo as orientações gerais e as normas de formatação


 Chamada de Artigos RBH - O Protagonismo Indígena na Historia.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Lançamento livro Ditadura e Transição Democrática


É com enorme satisfação que convidamos você para o lançamento da 

coletânea Ditadura e Transição Democrática – do golpe de Estado de 1964 

à (re)construção da democracia, a ser realizado no Auditório Principal 
do Arquivo Nacional, Praça da República, 173, Centro, Rio de Janeiro-RJ.

Na oportunidade, fica o nosso agradecimento pela inestimável contribuição para a produção da obra, que certamente será um marco para a reflexão sobre a última ditadura brasileira do século XX.
O lançamento está pensado para ser uma cerimônia simples, na qual daremos voz aos autores para que façam breves considerações, bem como realizaremos uma sessão de autógrafos.
Esperamos, assim, contar com a sua presença, e pedimos de antemão desculpas aos autores de fora do Rio de Janeiro por não termos podido, em virtude de contingenciamento orçamentário, providenciar as passagens e diárias correspondentes ao deslocamento de vocês.
De toda forma, estamos dispostos a apoiar lançamentos regionais, com o envio de certo número de exemplares para esse fim.
Por fim, estamos encaminhando em anexo o convite virtual, o qual pedimos que você divulgue em suas redes sociais e mailing lists. Solicitamos, ainda, que o convite virtual seja enviado juntamente com o texto abaixo.

Atenciosamente,
Inez Stampa e Vicente Rodrigues




O diretor geral do Arquivo Nacional convida para o lançamento da coletânea Ditadura e Transição Democrática – do golpe de Estado de 1964 à (re) construção da democracia, a ser realizado no próximo dia 15 de dezembro, no auditório principal do Arquivo Nacional (Praça da República, 173, Centro, Rio de Janeiro-RJ).
O evento de lançamento contará com a participação de autores e o livro será vendido com o preço promocional de R$ 15,00.
“Ditadura e Transição Democrática” é uma obra coletiva feita em parceria pelo Centro de Referência das Lutas Políticas do Brasil (1964-1985) – Memórias Reveladas e pelo Departamento de Serviço Social da PUC-Rio. Contou com a contribuição de especialistas e ativistas de mais de uma dezena de instituições com o objetivo de apresentar diferentes reflexões sobre o regime de exceção estabelecido, no Brasil, no período de 1964-1985, bem como debater o processo de transição democrática em nosso país. Busca-se, com isso, lançar luz sobre esse período sombrio da história do Brasil, promovendo, por outro lado, uma análise crítica do processo de construção da democracia brasileira.

Com organização de Inez Stampa (Arquivo Nacional/PUC-Rio) e Vicente Rodrigues (Arquivo Nacional/ UFRJ), o livro conta com artigos de Antonio Carlos de Oliveira (PUC-Rio), Carla Machado Lopes (Arquivo Nacional), Carolina Novaes Roza (UERJ), Carolina Brito (UERJ), Carmen Moreno (Arquivo Nacional), Caroline Siqueira (PUC-Rio), Cristina Micheli Pereira Santana (UERJ), Daiane da Silva Pacheco (UERJ), Esther Kupperman (Colégio Pedro II), Fabiola Heredia (Universidad Nacional de Córdoba – Argentina), Fernanda França (PUC-Rio), Francisco Carlos Teixeira (UFRJ), Gabriella Moraes (UERJ), Glenda Mezarobba (CNPq), Heliene Chaves Nagasava (FGV), Inez Stampa (Arquivo Nacional / PUC-Rio), Jaime Antunes da Silva (UERJ), Jéssica Correa da Silva (UERJ), Juliana Conceição de Santana (UERJ), Juliana Silva Moura (UERJ), Karine Fernandes de Souza (UERJ), Karl Schurster (UPE), Luiz Augusto Gollo (jornalista, Tema Livre), Marcio Brotto (PUC-Rio), Marco Aurélio Santana (UFRJ), Mario Brum (UERJ), Mauro Amoroso (UERJ), Mayra Pessôa (UFRRJ), Moacyr Ramos (PUC-Rio/UFF), Mônica Maria Torres de Alencar (UERJ), Paula Batatel (UERJ), Paulo Ribeiro da Cunha (Unesp), Rafael Gonçalves (PUC-Rio), Rodrigo de Sá Netto (Arquivo Nacional), Rui Patterson (advogado, autor de “Quem Samba Fica”), San Romanelli Assumpção (UERJ), Vicente Rodrigues (Arquivo Nacional/UFRJ), Welton Lima (UERJ) e Walter Rodrigues (jornalista, Colunão WR).




COORDENAÇÃO DO CENTRO DE REFERÊNCIA MEMÓRIAS REVELADAS
ARQUIVO NACIONAL
Praça da República, 173 – Centro
Rio de Janeiro, RJ – Brasil - 20211-350
Tel.: (55 21) 2179-1282 / 2179-1314

ArtCultura 31 no ar!

        Prezados colegas,
              A ArtCultura: Revista de História, Cultura e Arte, n. 31, publicação vinculada ao Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), já está disponível aos interessados.
              Ela é aberta com um dossiê sobre História & Rock, que reúne colaborações de pesquisadores do Brasil e do Chile. Na sequência, apresenta uma entrevista sobre História Visual com um especialista na área, professor da École de Hautes Études en Sciences Sociales, de Paris. Na seção Artigos contam-se 7 colaborações de autores brasileiros e um mexicano que transitam por temas diversos. Por fim, é publicada uma resenha do livro Os desafinados: sambas e bambas no "Estado Novo". 
              Para maiores informações, basta acessar www.artcultura.inhis.ufu.br.
              Nas próximas semanas subirá à nossa página a edição n. 32, já fechada.
              Abraços.
              Adalberto Paranhos e Kátia Rodrigues Paranhos, editores.
                

** ArtCultura 31 no ar!

Dossiê: História & Rock

Organizadores: Adalberto Paranhos e José Adriano Fenerick


Juan Pablo González


José Adriano Fenerick e Carlos Eduardo Marquioni


Marcia Tosta Dias


Alexandre Felipe Fiúza


Paulo Gustavo da Encarnação
Entrevista

Elisabete Leal e Francielly Rocha Dossin
Artigos

Marcelo Téo


José Juan Olvera Gudiño


Ana Amelia M. C. de Melo


Fabio Silva de Souza


Evelyn Furquim Werneck Lima


Mônica Brincalepe Campo
Resenha

Victor Hugo Adler Pereira


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    **Este grupo foi criado com o intuito de promover releituras da HISTÓRIA DO BRASIL e tão somente  HISTÓRIA DO BRASIL.  Discussões sobre a situação atual: política, econômica e social não estão proibidas, mas existem outros fóruns mais apropriados para tais questões.

                                                                                                    Por Favor divulguem este grupo e grato pelo interesse .
 
Visite o Blog do nosso Grupo:http://www.grupohistoriadobrasil.blogspot.com

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