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domingo, 30 de janeiro de 2011

** O ESTOPIM DA REVOLTA

 
            "Nunca antes nesse país" os cidadãos brasileiros demonstraram tal grau de apatia  em relação aos "homens públicos" e suas  cínicas e escabrosas atitudes. Roubado e esculachado, diariamente, nada diz, nada faz, nada enxerga. Os canais de representação estão em sua totalidade cooptados. Exemplo triste e emblemático é o da UNE, que vendeu seu glorioso passado de lutas por quarenta dinheiros. Esse artigo solitário abaixo define bem a situação dramática em que vivemos.
 A primeira revolta que assisti foi em 1959 (tinha 10 anos de idade), quando o povo se rebelou com o descalabro da travessia Rio/Niterói (que permanece) e tocou fogo na Estação de Niterói e nas três casas dos donos da empresa. A reação da repressão (fuzileiros navais) foi violenta deixando um saldo dramático de 9 mortos e 108 feridos. Como dano colateral a destruição de um patrimônio público insubstituível, a bela Estação das Barcas de Niterói que poderia ter sido restaurada tranquilamente. Também foi minha primeira experiência com morte violenta, tipo tiro de fuzil na cabeça, tão banal nos dias de hoje.
Dada às circunstâncias, sou levado a concluir que o único brasileiro que "nasceu com aquilo roxo" foi o ex-presidente, filósofo, mitômano e machupaca Fernando Collor de Mello que foi demitido do cargo pelos cidadãos. Os bagos lhe subiram a cabeça e deu no que deu. Mas mito é mito, afinal todos os homens nascem arroxeados (com "aquilo" inclusive), gritam e esperneiam desesperadamente quando abrem os olhos para essa bosta de lugar hostil. Sobre a revolta basta acessar o Google e farto material poderá ser obtido. Dentre textos e várias fotos destaco o livro do companheiro da UFF e IUPERJ Edson de Oliveira Nunes. Quanto à afirmação do autor que se o parlamento fosse no Rio de Janeiro haveria reação, tenho sérias dúvidas. Afinal o aumento se espalhou como praga bíblica para deputados estaduais e vereadores e nada aconteceu na antiga capital. Por aqui parece que o estopim é de má qualidade e apaga antes de chegar à pólvora. "Na América Latina, só temos duas saídas: ser resignados, ou ser indignados. E eu não vou me resignar nunca" (Darcy Ribeiro).
  • Publicado em 26/01/2011

    O estopim da revolta

    O Brasil acaba de realizar sua sexta eleição direta consecutiva para a presidência da República, após os longos anos da ditadura militar; a questão social entrou definitivamente na pauta dos governantes, mas existe um grupo que parece se esforçar por minar os alicerces da democracia e trata-se justamente de um dos que mais deveria estar comprometido na sua preservação: o dos políticos.
    Generalizar é sempre perigoso, mas o mau comportamento da classe política brasileira na manutenção de privilégios tem deixado poucas exceções ou, no máximo, o silêncio cúmplice. Os políticos têm se transformado numa casta, que, ao invés de servirem ao Estado e à população, deles se servem.
    A história é cheia de exemplos, à direita e à esquerda, da construção de castas privilegiadas em governos, que provocaram as suas ruínas. No caso do parlamento em um regime democrático, a questão é ainda mais grave, já que se tratam de representantes do povo. Estão lá, porque os colocamos. Seria simplista dizer que o povo precisa votar melhor. Ou uma meia verdade. De fato, elegemos muita gente ruim, mas na maioria das vezes não sabemos que são inescrupulosos assim. A melhoria da educação e o aperfeiçoamento do processo democrático serão os melhores mecanismos de correção destes desvios, mas o curto prazo exige medidas reparadoras.
    A classe política precisa estar alinhada à população que representa, e não distante, desfrutando de uma realidade inimaginável para a maioria dos brasileiros. Altos salários, passagens, mordomias e vantagens impensáveis para o trabalhador. Mal passara um mês que os parlamentares elevaram os próprios salários para ofensivos R$ 26 mil, considerando todos os ganhos indiretos que já possuem, surge a aposentadoria dos ex-governadores, que se acumulam com os subsídios que recebem em suas voltas à Câmara e ao Senado, totalizando salários astronômicos, incompatíveis com a realidade brasileira.
     Parlamentares não são funcionários públicos. São cidadãos, eleitos pelo povo para determinados cargos. Devem ser remunerados adequadamente durante o período dos mandatos, nos quais devem contribuir para a Previdência, com desconto na fonte, como qualquer trabalhador de carteira assinada. Ao fim do seu mandato, continuam a contribuir em outros locais para onde voltam ou passam a trabalhar. Nada justifica uma situação de privilégios, que cria anomalias como a de José Sarney, que recebe como ex-presidente, ex-governador e senador, sustentando a si e aos seus com o dinheiro público.
    O propósito deste artigo está longe do moralismo, que costuma atender aos interesses da direita, aliás majoritária nas benesses, já que esteve a maior parte do tempo à frente do poder. O oportunismo não respeita ideologias e traz decepções, como a de ouvir do ex-governador do Acre, Jorge Viana, do PT, que recebe a aposentadoria porque está prevista em lei. Viana, com sua trajetória combativa e responsável, sabe muito bem que nem tudo que é legal é moral. Aguarda-se uma manifestação sua nos grandes jornais onde encontra espaço.
    Mas o que se busca alertar é que este tipo de comportamento fermenta revolta na população. Se o parlamento fosse no Rio, o aumento de salário dos parlamentares dificilmente sairia, pois haveria um cerco popular que obrigaria a revogação no ato. Nunca se sabe onde um cidadão irá se imolar, como aconteceu na Tunísia, ou de onde virá o estopim que acenderá a revolta. Mas é prudente não brincar com fogo diante de situações explosivas, cujas conseqüências são imprevisíveis.

     
     
     
     
     

    Sobre o autor deste artigo Mair Pena Neto Jornalista carioca. Trabalhou em O Globo, Jornal do Brasil, Agência Estado e Agência Reuters. No JB foi editor de política e repórter especial de economia. 
    www. diretodaredação.com


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