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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

** [Carta O BERRO] PARA NÃO ESQUECER JAMAIS! História de JOSÉ RAIMUNDO DA COSTA -XXX-

Carta O Berro..........................................................repassem



JOSÉ RAIMUNDO DA COSTA
Dirigente da VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA (VPR).
Ex-sargento da Marinha, participou junto com Carlos Lamarca e outros da Guerrilha no Vale do Ribeira (SP).
José Raimundo era perseguido, não só por ser dirigente da VPR, como também por sua participação no movimento dos marinheiros em 1964.
Morto aos 32 anos de idade, no Rio de Janeiro, em 05 de agosto de 1971, após ter sido preso e torturado no DOI-CODI/RJ.
Respondeu a alguns processos e estava com prisão preventiva decretada pela 2ª Auditoria da 2ª Região Militar.
Seu corpo foi encontrado em terreno baldio na Rua Otacílio Nunes, em frente ao n° 80, no Bairro de Pilares (RJ). Preso em São Paulo e trazido para o Rio de
Janeiro e, embora estivesse usando o nome de Odwaldo Clóvis da Silva, o CIE informou ao DOPS/RJ que se tratava de José Raimundo da Costa. Em
documento do arquivo do DOPS/RJ, o Comissário Jayme Nascimento, do citado órgão informou que às "7:00 horas pelo telefone, o Cel. Sotero, Oficial de
Permanência do CIE, comunicou que, em uma travessa próxima à Rua Otacílio Nunes, em Pilares, havia sido morto um elemento subversivo de nome José
Raimundo da Costa, quando reagiu à prisão numa diligência efetuada por elementos pertencentes ao Serviço de Segurança do Exército."
Inês Etienne Romeu, em seu Relatório sobre sua prisão na "Casa da Morte", em Petrópolis, afirma que, em 04 de agosto de 1971, ouviu o torturadorLaurindo
informar aos torturadores, Dr. Bruno e Dr. César, que José Raimundo havia sido preso numa barreira.
Posteriormente, outro torturador, Dr. Pepe, lhe disse que José Raimundo foi morto vinte e quatro horas após sua prisão, num "teatrinho" montado numa rua do
Rio de Janeiro.
O corpo de José Raimundo entrou no IML/RJ no mesmo dia de sua morte, pela Guia n° 59, da 24ª D.P., com o nome de Odwaldo Clóvis da Silva, sendo
necropsiado pelos Drs. Hygino de Carvalho Hércules e Ivan Nogueira Bastos, que confirmam a falsa versão oficial da repressão de que foi morto em tiroteio.
Foram, ainda, encontrados laudo (Ocorrência n° 596/71) e fotos de perícia do local (ICE n° 3.916/71).
Apesar de ser identificado, José Raimundo foi enterrado como indigente no Cemitério de Ricardo Albuquerque (RJ), em 09 de setembro de 1971, na cova
23.538, quadra 16. No livro de saída de indigentes do IML, ao lado de seu nome, está manuscrita a palavra: "Subversivo".
Em 01 de outubro de 1979 seus restos mortais foram transferidos para um ossário geral e, em 1980/1981, foram levados para a vala clandestina.
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+ detalhes.
JOSÉ RAIMUNDO DA COSTA (1939-1971)

Filiação: Maria Aleixo dos Santos e Manoel Raimundo da Costa
Data e local de nascimento: 28/12/1939, Recife (PE)
Organização política ou atividade: VPR
Data e local da morte: 05/08/1971, Rio de Janeiro
O ex-sargento da Marinha José Raimundo da Costa era casado com Gisélia Morais da Costa e tinha dois filhos. Importante dirigente da Vem 1970 e 1971, conhecido como "Moisés",
participou, segundo informações dos órgãos de segurança, de várias ações armadas, inclusive
do seqüestro do cônsul japonês em São Paulo. Foi morto no Rio de Janeiro, em 05/08/1971, após ter sido preso pelo DOI-CODI/RJ.
Apesar de os organismos de segurança terem conhecimento pleno sobre sua verdadeira identidade, José Raimundo foi enterrado sob identidade
falsa no Cemitério de Ricardo Albuquerque. No livro de saída de indigentes do IML, ao lado de seu nome, está manuscrita a palavra
"subversivo". Em 01/10/1979, seus restos mortais foram transferidos para um ossuário geral e, entre 1980 e 1981, foram levados para uma
vala clandestina.
A versão oficial dos órgãos de segurança sobre a morte de José Raimundo é de que ele reagiu à prisão e foi morto por elementos da Inteligência do
Exército, no dia 05/08/1971, em uma travessa próxima à rua Otacílio Nunes, no bairro carioca de Pilares. Em documento localizado no DOPS/RJ, de
05/08/71, o comissário Jayme Nascimento registra que "às 7h - pelo telefone, o coronel Sotero, Oficial de Permanência do C.I.E, comunicou que, em
uma travessa próxima à rua Octacilio Nunes, em Pilares, havia sido morto um elemento subversivo de nome José Raimundo da Costa, quando reagiu
à prisão numa diligência efetuada por elementos pertencentes ao Serviço de Segurança do Ministério do Exército".
Entretanto, na mesma data, seu corpo deu entrada no IML/RJ, com o nome de Odwaldo Clóvis da Silva. Ou seja, apesar de já identificado
como José Raimundo, sua necropsia foi lavrada com falsa identidade pelos legistas Hygino de Carvalho Hércules e Ivan Nogueira Bastos,
que confirmaram a versão oficial de morte em tiroteio. Em laudo do Instituto Carlos Éboli , os peritos registram: "os pulsos da vítima
apresentavam hematomas em toda a sua extensão". Na foto de seu corpo, a olho nu, se pode perceber a marca evidente das algemas que
prendiam os pulsos de José Raimundo.
José Raimundo foi uma das vítimas do agente infiltrado José Anselmo dos Santos, o cabo Anselmo. Esse fato foi comprovado por documento
localizado no arquivo do DOPS/SP, onde Anselmo menciona seus encontros com José Raimundo e registra as possibilidades de contatos
com ele. Inês Etienne Romeu, no relatório que escreveu sobre o período em que esteve seqüestrada no sítio clandestino de Petrópolis (RJ),
afirma que, em 04/08/1971, ouviu o carcereiro "Laurindo" informar aos agentes policiais "Bruno" e "César" que José Raimundo havia sido
preso numa barreira. Posteriormente, outro carcereiro, "Dr. Pepe", lhe disse que José Raimundo foi morto 24 horas após sua prisão, numa
encenação montada em uma rua do Rio de Janeiro.
O relatório para votação final na CEMDP observou que, "considerando-se como provas o depoimento de Inês Etienne Romeu, as evidentes
marcas de algemas nos pulsos, as contradições entre os documentos do Instituto Carlos Éboli /RJ e do DOPS, o laudo com nome falso e o enterro
como indigente e, acima de tudo, o controle a que estava submetido José Raimundo nos contatos com o agente infiltrado José Anselmo
e a necessidade extrema de eliminá-lo para poder dirigir a VPR, fica evidenciado que a versão oficial de tiroteio divulgada pelos órgãos de
repressão serviu para encobrir o assassinato sob torturas de José Raimundo da Costa".
Lançado em 2006 e várias vezes premiado, o filme O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburguer, evoca lembranças do
diretor em sua infância, quando seus pais, Amélia e Ernest Hamburguer, professores de Física na USP, foram presos em São Paulo como
integrantes de um grupo de arquitetos, artistas e intelectuais (entre eles Lina Bo Bardi, Augusto Boal, Flávio Império, Sérgio Ferro e outros)
que seriam presos ou perseguidos por ajudarem militantes da VPR e da ALN. A principal acusação contra os pais do cineasta foi, exatamente,
ter abrigado em sua residência José Raimundo da Costa e sua esposa, em 1970.

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