Este espaço é reservado para troca de textos e informações sobre a História do Brasil em nível acadêmico.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

** III Simpósio de Pesquisa Estado e Poder: Processos de construção de Hegemonia no Brasil Contemporâneo - 3ª Chamada (Programação e Datas)

 
Prezados Colegas e Amigos
Encaminho novamente a Circular do III Simpósio de Pesquisa Estado e Poder. Três informações importantes:
1. Para inscrição de comunicações, basta enviar os resumos até 30 de junho para estadoepoder@yahoo.com.br, com as informações indicadas no item inscrição de trabalhos;
2. Não é necessário fazer o pagamento agora, ele pode ser feito após a submissão dos trabalhos;
3. As informações relativas ao evento (chamada eletrônica e programação completa) estão disponíveis no sítio www.projetoham.com.br
Abraços
gilberto

Campus de Marechal Cândido Rondon
Centro de Ciências Humanas, Educação e Letras
Programa de Pós-Graduação em História
Área de Concentração: História, Poder e Práticas Sociais

III SIMPÓSIO DE PESQUISA ESTADO E PODER
Processos de construção de Hegemonias no Brasil Contemporâneo
UNIOESTE – Campus de Marechal Cândido Rondon.  PR
16 a 18 de agosto de 2011
3ª CIRCULAR
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgjkgfbRu8vhpMyh3idC5b2P6H52Mc8Hwchp1jcbQbnlcsdjphAv97IOYvb2k4NFcQoEAFCUzt7nq8IMj6mU-lER_KDThEfofF6xpZTGETlD74ob8CgqqntLKR-GcxAufXMZcM0MO9fN2A/s400/mst+latuff.jpg
Imagem:

PROMOÇÃO:
Programa de Pós-Graduação em História, Poder e Práticas Sociais
Linha de Pesquisa Estado e Poder
Grupo de Pesquisa História e Poder
Laboratório de Pesquisa Estado e Poder



APRESENTAÇÃO


A Linha de Pesquisa Estado e Poder e o Grupo de Pesquisa História e Poder promovem o III Simpósio de Pesquisa Estado e Poder: processos de construção de Hegemonias no Brasil Contemporâneo, com o objetivo de viabilizar a apresentação e discussão das pesquisas relacionadas à vasta problemática que envolve as relações de poder e a configuração do Estado, em sua dimensão ampliada. A organização do evento é de responsabildade dos professores e mestrandos vinculados à Linha de Pesquisa Estado e Poder do Programa de Pós-Graduação em História, Poder e Práticas Sociais (PPGH), bem como dos professores e acadêmicos que integram o Grupo de Pesquisa História e Poder e o Laboratório de Pesquisa Estado e Poder (pesquisadores, mestrandos, graduandos, bolsistas e professores da rede pública vinculados ao Programa de Desenvolvimento Educacional). O Simpósio de Pesquisa Estado e Poder ocorre desde 2007, tendo periodicidade bianual.
A Linha de Pesquisa Estado e Poder tem por objeto de ensino e de investigação as práticas sociais relacionadas ao Estado e ao Poder. A abordagem que orienta os estudos dos integrantes da linha concebe o Estado em seu sentido amplo, abarcando aspectos diversos das relações estabelecidas entre os agentes sociais. O poder, por sua vez, é compreendido enquanto exercício do domínio no interior da sociedade política, mas também no âmbito das mais variadas organizações e corporações da sociedade civil. O exercício do poder e a produção de hegemonia abrangem, portanto, esferas diversas, como a gestação e a afirmação, a crítica e a contraposição de projetos sociais, as elaborações intelectuais e as políticas partidárias, a organização dos diferentes grupos e classes sociais, a constituição de aparelhos privados de hegemonia, o gerenciamento e a disseminação de ideologias e projetos sociais.
A temática central deste terceiro Simpósio privilegia a discussão dos processos de construção de Hegemonias no Brasil Contemporâneo, com especial atenção aos processos de afirmação de hegemonias, de constituição de aparelhos privados de hegemonia, de organização  dos grupos dominantes e das classes subalternas e de gestação, afirmação e contestação de projetos sociais nas últimas cinco décadas. Esta temática será contemplada de forma especial na programação de conferências e mesas redondas. Por outro lado, serão aceitas proposições de comunicações acadêmicas para além da delimitação temporal e espacial indicada, desde que em alguma medida estabeleçam relação com a problemática de Estado e Poder.

CRONOGRAMA


30/5 a 30/6: Inscrições com apresentação de trabalhos.
1º/7 a 16/8: Inscrição para ouvintes.
18/8: Entrega do texto completo para publicação nos Anais Eletrônicos do Simpósio.
Obs: Serão publicados nos Anais exclusivamente os textos dos trabalhos efetivamente apresentados

INSCRIÇÕES


Graduandos: R$ 10,00
Demais inscrições: R$ 15,00
Depósito em Nome da Fundcamp - Banco Itaú - Ag. 2967 - C/C: 05315-4.
É imprescindível apresentar o registro do pagamento no credenciamento do evento.
 

INSCRIÇÃO DE TRABALHOS


Período de Inscrições: 30/05 a 30/06 de 2011.
-   A inscrição deve conter: Título; Autor; Vínculo Institucional; Resumo (entre 15 a 20 linhas) e 3 Palavras-Chave.
-   Formatação: Fonte New Time Roman, tamanho 12, espaçamento simples e Margens 2,5.
-   Arquivo com extensão ou "rtf", a ser enviado ao email: estadoepoder@yahoo.com.br
-   É imprescindível a entrega do comprovante de pagamento para o credenciamento no evento.
- São aceitos no máximo dois autores por trabalho, devendo ambos estarem inscritos no evento e participarem da apresentação do trabalho. O Orientador não deve constar como co-autor do trabalho. Será aceito apenas um trabalho por autor.
Obs.: Não há taxa adicional para inscrição para comunicação, sendo suficiente a inscrição no evento.

PROGRAMAÇÃO


16/08 - TERÇA-FEIRA:
8h- Abertura
8:15-10h: Conferência de Abertura Mídia e Democracia: falsas confluências. Prof. Francisco Fonseca (FGV-SP)
10:15-12h . Conferência A resistência ao regime militar (1964-1985). Prof. Dr. Muniz Ferreira (UFBA)
13:30- 15:15: Sessão de Comunicações Acadêmicas 1
15:30-17:15: Sessão de Comunicações Acadêmicas 2
19h-22h: Mesa Redonda Mídia, Hegemonia e Alienação. Profa. Dra. Carla Luciana Silva (Unioeste) e Prof. Drd Jon Juanma (Universidade de Alicante, Espanha)
17/08 - QUARTA-FEIRA:
8h-9:45h: Mesa Redonda 2  Terra e Poder. Prof. Dr. Paulo José Koling (Unioeste) e Prof. Dr. Márcio Antonio Both (Unioeste)
10h-11:45h: Conferência Os impasses da contra-hegemonia e as derrotas do "espírito de cisão". Prof. Dr. Eurelino Coelho (UEFS)
13:30-15:15: Sessão de Comunicações Acadêmicas 3
15:30-17:15: Sessão de Comunicações Acadêmicas 4
19h-22h: Mesa Redonda  A construção da hegemonia nos anos Vargas. Profa. Maria Letícia Corrêa (UERJ) e Prof. Dr. Gilberto Calil (Unioeste).
18/08  QUINTA-FEIRA:
8h-12h: Mesa Redonda A Hegemonia neoliberal nos anos 90 e a classe trabalhadora. Prof. Dr. David Maciel (UEG); Prof. Dr. Rinaldo Varussa (Unioeste); Prof. Dr. Gelsom Rozentino (UERJ)
13:30-15:15: Sessão de Comunicações Acadêmicas 5
15:30-17:15: Sessão de Comunicações Acadêmicas 6
19h-22h: Conferência de Encerramento: Diálogos entre cultura e política na América Latina. Prof. Dra. Maria Lígia Coelho Prado (USP)



SECRETARIA

Laboratório de Pesquisa Estado e Poder
UNIOESTE – Campus Marechal Rondon
Rua Pernambuco, 1777 - CEP: 85960-000 - Fone: (45) 3284-7900 begin_of_the_skype_highlighting            (45) 3284-7900      end_of_the_skype_highlighting
Obs.: A inscrição dá direito ao caderno de resumos e aos anais eletrônicos do evento (que serão produzidos após o evento). Os primeiros cinquenta inscritos receberão exemplar impresso dos Anais do II Simpósio de Pesquisa Estado e Poder.

COMISSÃO CIENTÍFICA

Profa. Dra. Carla Luciana Silva, Prof. Dr. Fábio Ruela de Oliveira; Prof. Dr. Gilberto Grassi Calil, Prof. Dr. Marcio Antonio Both , Prof. Dr. Paulo José Koling;

COMISSÃO ORGANIZADORA

Profa. Dra. Carla Luciana Silva; Dr. Fábio Ruela de Oliveira; Prof. Dr. Gilberto Grassi Calil; Prof. Dr. Marcio Antonio Both, Prof. Dr. Paulo José Koling; Profa. Ms. Cristiane Bade; Profa. Ms. Edina Rautenberg; Prof. Ms. Luis Fernando Zen; Prof. Ms.Marcos Alexandre Smaniotto; Prof. Ms. Marcos Vinícius Ribeiro; Profa. Ms. Maria José Castelano;  Profa. Ms. Selma Martins Duarte; Prof. Mtd. Gervásio Cézar Júnir; Prof. Mtd. Ricardo Krupinski; Prof. Mtd. Milena Mascarenhas; Profa. Mtd. Isabel Grassioli; Prof. Mtd. Lucas Patschiki; Prof. Mtd Marcus Vinícius Conceição; Profa. Mtd. Suzane Conceição Tostes; Prof. Mtd. Carlos Boaretto Pereira; Profa. Mtd. Patrícia Bonilha Leão; Profa. Sandra Popioleck; Acad. Alexandre Arienti Ramos; Acad. Guilherme Ignácio Franco de Andrade; Acad. Juliana Valentin; Acad. Lucas Blank Fano.

INSTRUÇÕES PARA O TEXTO COMPLETO

Prazo máximo para entrega: 18 de agosto de 2011.
-   Texto: Título (centralizado); Autor (à esquerda); Titulação e Vínculo Institucional (em rodapé); Resumo (entre 15 a 20 linhas) e 3 Palavras-Chave; e com no máximo 20.000 caracteres incluindo espaços e notas de rodapé.
-   Arquivo com extensão "doc" ou "rtf", no padrão do Microsoft Office Word, edição 98 ou superior.
-   As indicações de fontes nas citações e autorias, bem como as Referências Bibliográficas devem seguir as normas da ABNT. As notas devem ter caráter explicativo ou de comentário.
-   Inserir imagens pelo editor com extensão "JPG".
-   Formatação: Fonte New Time Roman, tamanho 12, espaçamento simples e Margens com 2,5 cm.
-   Tamanho máximo do arquivo de 200 Mb.
-   Enviar para o email do evento (solicitar confirmação de recebimento).

REALIZAÇÃO

·  Programa de Mestrado em História, Poder e Práticas Sociais.
·  Linha de Pesquisa Estado e Poder
·  Colegiado do Curso de História.
·  Grupo de Pesquisa História e Poder
·  Laboratório de Pesquisa Estado e Poder

APOIO
·  UNIOESTE – Campus de Marechal Cândido Rondon
·  Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)
·  Fundação Araucária/Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI)

 


 



              Sistema Estadual de C&T         




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Atividade nos últimos dias:
        **Este grupo foi criado com o intuito de promover releituras da HISTÓRIA DO BRASIL e tão-somente  HISTÓRIA DO BRASIL.  Discussões sobre a situação atual: política, econômica e social não estão proibidas, mas existem outros fóruns mais apropriados para tais questões.

                                                                                                        Por Favor divulguem este grupo e grato pelo interesse .
     
    Visite o Blog do nosso Grupo:http://www.grupohistoriadobrasil.blogspot.com

    ** NOTICIAS ANPUH-PR 20-06-2011

     


    Veja em Noticias Anpuh-Pr http://www.pr.anpuh.org/

    Anais ANPUH-PR
    Já estão disponíveis os Anais dos seguintes Encontros Regionais de História do Paraná

    XII Encontro - Irati - 2010
    XI Encontro - Jacarezinho - 2008
    X Encontro - Maringá - 2006 ( não há anais só um link para a página do Encontro)
    IX Encontro - Ponta Grossa - 2004
    VIII Encontro - Curitiba ( Universidade Tuiuti do Paraná) - 2002

    Em breve estaremos disponibilizando os anais: VII Encontro ( Marechal Candido Rondom 2000);  VI Encontro ( Maringa 1998); V Encontro ( Ponta Grossa 1996) e IV Encontro ( Londrina 1995)


    Destaques:
    17ª Conferência Internacional de História Oral
    Revista Diálogos - UEM

    Lançamentos:

    Caminos de Historia y Memoria en America Latina
    Perspectivas Historiográficas

    Chamadas de artigos

    Revista Cadernos do CEOM

    Processos Seletivos:

    Seleção Pos-Graduação - Universidade Federal de Uberlândia
    Seleção Pós- Graduação - UFPR






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    Atividade nos últimos dias:
          **Este grupo foi criado com o intuito de promover releituras da HISTÓRIA DO BRASIL e tão-somente  HISTÓRIA DO BRASIL.  Discussões sobre a situação atual: política, econômica e social não estão proibidas, mas existem outros fóruns mais apropriados para tais questões.

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      domingo, 19 de junho de 2011

      ** A luta secreta de D. Paulo Arns

       

      A luta secreta de D. Paulo Arns

      Documentos inéditos obtidos pelo 'Estado' em Genebra revelam como o cardeal e a Igreja combateram a ditadura militar

      FONTE: Jamil Chade - O Estado de S. Paulo 19 de junho de 2011 |
      No auge da violência promovida pelo governo militar, parte da Igreja e centenas de líderes religiosos no Brasil passaram a ser alvo da repressão. Documentos guardados há décadas em Genebra obtidos pelo Estado revelam como o cardeal d. Paulo Evaristo Arns liderou um lobby internacional, coletou fundos de forma sigilosa e manteve encontros com líderes no exterior para alertar sobre as violações aos direitos humanos no Brasil.
      Janete Longo/AE
      Janete Longo/AE
      Engajado. D. Paulo, diante de presídio: busca de apoio contra repressão
      A atuação do arcebispo de São Paulo mobilizou uma rede de informantes, financiadores e apoiadores secretos pelo mundo. Dentro do País, os documentos mostram que ele e seus aliados organizaram manifestações, incentivaram líderes operários e pagaram despesas das famílias dos grevistas no ABC em 1980.
      Relatórios, testemunhos, cartas, informações de dissidentes e dezenas de acusações fazem parte de três caixas de documentos entregues ao Brasil na terça-feira, para que possam ser estudados e eventualmente, como espera a ONU, sirvam de base para processos contra autores de crimes contra a humanidade. Os documentos originais foram mantidos no Conselho Mundial de Igrejas, em Genebra. O Estado teve acesso às mais de 3 mil páginas e, nos próximos dias, publicará parte do conteúdo que está nas caixas entregues à Justiça no Brasil.
      A máquina de tortura instalada no Estado não havia poupado nem sacerdotes. Em dezembro de 1978, o Centro Ecumênico de Documentação e Informação, no Rio, coletaria vasto material sobre a repressão sofrida pela Igreja naquela década.
      O texto de introdução do levantamento deixa claro que o material havia sido encomendado por d. Paulo, que já tentava organizar um dossiê que compilasse as violações aos direitos humanos e pudesse ser usado em algum momento pela Justiça.
      Segundo o relatório, entre 1968 e 1978, 122 religiosos foram presos pelo regime militar. Havia 36 estrangeiros, 9 bispos, 84 sacerdotes, 13 seminaristas e 6 freiras. Outras 273 pessoas "engajadas no trabalho pastoral" tinham sido detidas. Dessas, 34 foram vítimas de torturas como choques elétricos, paus de arara e pressões psicológicas. "Há registros de pessoas que ficam inutilizadas física e/ou psicologicamente por motivo da tortura."
      Entre os motivos mais frequentes de prisão estava o fato de proferirem homilias que desagradavam às autoridades, além de ajudarem a organizar manifestações operárias.
      Até aquele momento, pelo menos sete pessoas haviam sido mortas como forma de pressão ao clero, tidas como "subversivas" ou suspeitas de passar informações a dissidentes. Foram registrados 18 casos de ameaça de morte e uma dezena de sequestros. A repressão também intimou 75 líderes religiosos a depor, para que denunciassem bispos e sacerdotes.
      Reação. Na segunda metade dos anos 70, d. Paulo e líderes religiosos do exterior avaliaram que era hora de reagir nos bastidores para reunir apoio internacional e demonstrar a insatisfação popular nas ruas. Em 27 de setembro de 1977, o então encarregado de Direitos Humanos na América Latina do Conselho Mundial de Igrejas enviou de São Paulo uma carta a Genebra alertando para a "crescente tensão entre a Igreja e as autoridades". A correspondência foi classificada como "confidencial" e seu autor, Charles Harper, pediu que o documento "não fosse publicado".
      A carta relata dois fatos fundamentais daqueles dias. O primeiro foi o ato que reuniu 6 mil pessoas na Igreja da Penha, em São Paulo. "Foi a primeira vez que uma articulação tão lúcida, sob a iniciativa da Igreja no Brasil, foi feita desde 1964 em relação aos direitos humanos", disse Harper. O segundo relato trata da invasão da PUC, no qual Harper aponta para a apreensão de uma tonelada de "material e equipamento subversivo" e para a prisão de 1,5 mil alunos, "alguns em plena prova" nas salas de aula. Para ele, o ocorrido "deve ser visto como uma retaliação contra a Igreja".
      O relato alerta para a pressão sobre d. Paulo, considerado alguém de "coragem, firmeza e sentido de timing". Para Harper, os movimentos de liberalização do regime eram acompanhados por uma hesitação dos militares, temerosos de terem de responder pela violência dos anos anteriores e pela corrupção. "Muitos acreditam que há um forte endurecimento das ações repressivas."
      Harper sugere que o Conselho Mundial de Igrejas demonstre apoio às instituições religiosas no Brasil. Poucos dias depois, a entidade em Genebra enviaria telegramas para manifestar sua oposição à repressão e apoio à democracia.
      Clandestinos. A relação entre o Conselho e d. Paulo ganharia novas dimensões. Dois anos após a invasão da PUC, o cardeal escreveu ao então secretário-geral do Conselho de Igrejas, Philip Potter, sob o alerta de que o "conteúdo dessa carta deve ser confidencial, dada suas implicações". Era o pedido por fundos internacionais clandestinos para a operação que culminaria na publicação, em 1985, de Brasil: Nunca Mais. A pesquisa revelaria nomes de 444 torturadores, 242 centros de tortura no Brasil e, com os testemunhos de milhares de vítimas, apontaria a dimensão da repressão no País.
      O projeto foi ideia do reverendo protestante Jaime Wright, cujo irmão, Paulo, havia sido morto pelo regime. Em vez de procurar sua igreja, o pastor optou por se aliar a d. Paulo. Mas o cardeal resistia em pedir dinheiro para a Igreja Católica no Brasil, temendo que a ala conservadora abafasse o projeto e o denunciasse. A solução era pedir dinheiro de forma ilegal, vindo da Suíça.
      Era um projeto ambicioso. O grupo usaria uma brecha na lei para compilar os dados. Para se preparar para a Lei da Anistia, dissidentes e advogados tiveram acesso por 24 horas a seus dossiês. Foi o suficiente para que o grupo detalhasse a repressão em 1 milhão de páginas coletadas.
      "Por todo Brasil, em Cortes militares, há uma abundância de material que substanciam 15 anos de repressão, contidas em centenas de dossiês", afirmou d. Paulo. Em outra carta, o cardeal chegou a citar o caráter "enciclopédico da tortura" no Brasil.
      "Sentimos que as igrejas precisam tomar a iniciativa de garantir que, pela publicação desse material, tais coisas não ocorram de novo", argumentou d. Paulo. "Pedimos, portanto, que o Conselho Mundial de Igrejas aceite a tarefa de levantar a grande maioria dos fundos necessários, de uma forma confidencial."
      Os arquivos guardaram tabelas detalhadas sobre os custos e as viagens dos pesquisadores. D. Paulo precisava de US$ 329,1 mil para completar seu projeto. O equipamento comprado seria doado para a PUC.
      Quase um ano depois, em 23 de junho de 1980, o cardeal receberia uma carta de Potter com duas notícias importantes. A primeira era de uma doação às " famílias dos operários em greve no ABC". Mas era a segunda notícia que mais impactaria d. Paulo. O Conselho confirmava que havia conseguido "levantar a maior parte dos recursos necessários à realização do projeto especial". Potter garantia que a pesquisa sobre a tortura no Brasil seria divulgada nas igrejas "em todo o mundo para sua reflexão".
      Depois de copiados, os processos eram enviados para São Paulo, onde eram transformados em microfilmes. De lá, seguiam escondidos para Genebra. Quem chegava à cidade suíça com as informações retornava ao Brasil com dinheiro para o projeto, escondido dentro do cinto.
      Em 19 de fevereiro de 1983, d. Paulo fez questão de informar a Potter que o dinheiro "estava sendo gasto estritamente de acordo com os planos aprovados". E afirmou: "Esse projeto terá efeitos duradouros." E não só políticos. Mais que aliados, d. Paulo e Jaime Wright tornaram-se amigos, como mostra uma carta de 1996.
      Para Charles Harper, que hoje vive na França, d. Paulo deu apoio moral e espaço físico para quem, dentro da Igreja, lutou contra a ditadura. O projeto valeu a adesão do Brasil nos anos 80 à Convenção da ONU contra Tortura. Para Harper, mesmo que os criminosos nunca tenham ido à Justiça, o trabalho de d. Paulo e do arquivo em Genebra fez com que a tortura no País e suas vítimas não sejam esquecidas.
      
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        quinta-feira, 16 de junho de 2011

        ** Site novo

         

        Boletim eletrônico da Revista de História da Biblioteca Nacional

        Site novo, com mais interação e a qualidade de sempre

        A Revista de História está com um novo site, como você pode ver aqui [ou digitando o endereço http://www.revistadehistoria.com.br]. Temos também novas funções, que vão priorizar a interatividade entre o internauta que queira participar da construção da História. Mas continuamos com a mesma proposta antiga, de tentar fazer um trabalho de qualidade, de divulgação da pesquisa histórica, acessível para quem se interessa por todo o tipo de história.

        Uma das novidades é a área “Participe”, que vai incentivar a opinião de quem quiser participar na construção do site. No “Fórum de discussão”, quem estiver logado no site poderá postar comentários sobre os assuntos em pauta, como a discussão sobre as consequências da colonização do Brasil, ou opinar quem foi o nosso melhor presidente. Também é possível criar novos tópicos, dentro das diversas áreas, como Colônia, Império e República.
        Antigas editorias do site foram aglomeradas. Agora há:
        Reportagem”, onde se encontra as investigações e as descobertas de nossos repórteres, como as mudanças da viola ao violão, ou um caminho para pesquisas nos arquivos das Companhias das Índias.
        Ou "Entrevistas", como a feita com o diretor do museu de anatomia de Bonn, Karl Schilling, sobre o índio Kuêk.
        Gente de História”, que mostra a vida e os trabalhos de historiadores, prestando homenagens a quem já se foi.
        Agenda”, que anuncia os eventos históricos que estão por vir.
        Artigos”, para escoar a produção ensaística, como o sobre o Referendo do desarmamento, de 2005; e o debate sobre a liberação de Cesare Battisti. Ou a colaboração sempre precisa do professor Renato Venancio em sua coluna "Acervo Digital".
        O internauta pode também participar de novas seções: como a "Flashback", em que tenta adivinhar que foto foi postada. E a "Álbum", em que é possível enviar uma foto antiga, que será comentada por um historiador.
        A Revista de História, na sua versão em papel, continua ao lado direito da página, com todo o destaque que ela merece. Lá você continuará a encontrar os mesmos textos de sempre.
        Então boa viagem! Aguardamos você lá...
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          ** V CICLO DE SEMINÁRIOS EM DIDÁTICA DA HISTÓRIA: HISTÓRIA RECENTE E IDENTIDADE NO MERCOSUL

           
          V CICLO DE SEMINÁRIOS EM DIDÁTICA DA HISTÓRIA:
          HISTÓRIA RECENTE E IDENTIDADE NO MERCOSUL
          Programação
          06/07/11
          07/07/11
          08/07/11
          13:30 às 17:30 h.
          13:00 às 14:00 h - credenciamento
          - Reunião interna do grupo de pesquisa
          - 13:30h -  Cinematógrapho: documentários sobre Paraguai e Venezuela
          - Reunião interna do grupo de pesquisa
          - 13:30h -  Cinematógrapho: documentários sobre Uruguai e Argentina
          - Reunião interna do grupo de pesquisa
          19:00 às 22:30 h.
          18:00 às 19:00 h - credenciamento
          19:00 - abertura
          19:30 - Mesa redonda:
          Ensino de História e História Recente o Uruguai e na Argentina.
          Participantes:
          Gabriel Quirici (CLAEH - Uruguai) e
          Gonzalo de Amézola (UNLP e UNQ - Argentina)
          Mesa redonda:
          Identidade nos processos políticos recentes na Venezuela e Paraguai.
          Participantes:
          Ramón Casanova (UCV - Venezuela) e
          Luis Caputo (BASE-IS e UNF - Paraguai)
          MERCOSUL: formação, atualidade e novas perspectivas.
          (Dr. Rosinha - dep. federal e ex-presidente do Parlamento do MERCOSUL)
          Local de realização: Prédio do PDE - UEPG Campus Uvaranas - Ponta Grossa - PR
          Inscrições:
          Enviar email ATÉ 1 DE JULHO DE 2011 para uepgpethistoria@gmail.com informando nome completo e CPF.
          Atenção: a inscrição só poderá ser considerada concluída quando o solicitante receber uma mensagem de confirmação.
          Sala do PET - Bloco de História - Sl. 67 - Campus Uvaranas - Ponta Grossa - PR
          Valor: 10 reais (gratuito para professores PDE de História e Geografia)
          Vagas Limitadas
          Promoção: Grupo de Estudos em Didática da História - UEPG
          Apoio: Departamento de História - DEHIS UEPG
                     Programa de pós-graduação em Educação - PPGE UEPG
                     Programa de Educação Tutorial - PET História UEPG
                     CNPq





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            ** INSCRIÇÕES PRORROGADAS: SEMINÁRIO HISTÓRIA DO TEMPO PRESENTE

             
            O prazo para inscrições de propostas para o Seminário Internacional História do Tempo Presente foi prorrogado.

            As propostas de trabalhos a serem apresentados deverão ser enviadas até o dia 20/06/2011.


            O evento ocorrerá entre 07 e 09 de Novembro de 2011, na Universidade do Estado de Santa Catarina, UDESC, em Florianópolis (SC).


            O pagamento para inscrever trabalhos nos Simpósios Temáticos ocorrerá após a aprovação dos mesmos pelos/as coordenadores/as.


            > R$ 50,00 sócios ANPUH

            > R$ 75,00 não sócios ANPUH

            (isenção do pagamento para professores de educação básica da rede pública de Santa Catarina)


            Informações em
            www.seminariotempopresente.faed.udesc.br

            Contato:
            seminariohtp@gmail.com


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            Comissão Organizadora do I Seminário Internacional História do Tempo Presente
            PPGH/UDESC


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            Atividade nos últimos dias:
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              ** [Carta O BERRO] Os evangélicos e a Ditadura Militar

               
              Carta O Berro..........................................................repassem
              Comportamento
              |  N° Edição:  2170 |  10.Jun.11 - 21:00 |  Atualizado em 13.Jun.11 - 17:44

              Os evangélicos e a ditadura militar

              Documentos inéditos do projeto Brasil: Nunca Mais - até agora guardados no Exterior - chegam ao País e podem jogar luz sobre o comportamento dos evangélicos nos anos de chumbo

              Rodrigo Cardoso
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              No primeiro dia foram oito horas de torturas patrocinadas por sete militares. Pau de arara, choque elétrico, cadeira do dragão e insultos, na tentativa de lhe quebrar a resistência física e moral. "Eu tinha muito medo do que ia sentir na pele, mas principalmente de não suportar e falar. Queriam que eu desse o nome de todos os meus amigos, endereços... Eu dizia: 'Não posso fazer isso.' Como eu poderia trazê-los para passar pelo que eu estava passando?" Foram mais de 20 dias de torturas a partir de 28 de fevereiro de 1970, nos porões do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), em São Paulo. O estudante de ciências sociais da Universidade de São Paulo (USP) Anivaldo Pereira Padilha, da Igreja Metodista do bairro da Luz, tinha 29 anos quando foi preso pelo temido órgão do Exército. Lá chegou a pensar em suicídio, com medo de trair os companheiros de igreja que comungavam de sua sede por justiça social. Mas o mineiro acredita piamente que conseguiu manter o silêncio, apesar das atrocidades que sofreu no corpo franzino, por causa da fé. A mesma crença que o manteve calado e o conduziu, depois de dez meses preso, para um exílio de 13 anos em países como Uruguai, Suíça e Estados Unidos levou vários evangélicos a colaborar com a máquina repressora da ditadura. Delatando irmãos de igreja, promovendo eventos em favor dos militares e até torturando. Os primeiros eram ecumênicos e promoviam ações sociais e os segundos eram herméticos e lutavam contra a ameaça comunista. Padilha foi um entre muitos que tombaram pelas mãos de religiosos protestantes.
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              O metodista só descobriu quem foram seus delatores há cinco anos, quando teve acesso a documentos do antigo Sistema Nacional de Informações: os irmãos José Sucasas Jr. e Isaías Fernandes Sucasas, pastor e bispo da Igreja Metodista, já falecidos, aos quais era subordinado em São Paulo. "Eu acreditava ser impossível que alguém que se dedica a ser padre ou pastor, cuja função é proteger suas ovelhas, pudesse dedurar alguém", diz Padilha, que não chegou a se surpreender com a descoberta. "Seis meses antes de ser preso, achei na mesa do pastor José Sucasas uma carteirinha de informante do Dops", afirma o altivo senhor de 71 anos, quatro filhos, entre eles Alexandre, atual ministro da Saúde da Presidência de Dilma Rousseff, que ele só conheceu aos 8 anos de idade. Padilha teve de deixar o País quando sua então mulher estava grávida do ministro. Grande parte dessa história será revolvida a partir da terça-feira 14, quando, na Procuradoria Regional da República, em São Paulo, acontecerá a repatriação das cópias do material do projeto Brasil: Nunca Mais. Maior registro histórico sobre a repressão e a tortura na ditadura militar (leia quadro na pág. 79), o material, nos anos 80, foi enviado para o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), organização ecumênica com sede em Genebra, na Suíça, e para o Center for Research Libraries, em Chicago (EUA), como precaução, caso os documentos que serviam de base do trabalho realizado no Brasil caíssem nas mãos dos militares. De Chicago, virá um milhão de páginas microfilmadas referentes a depoimentos de presos nas auditorias militares, nomes de torturadores e tipos de tortura. A cereja do bolo, porém, chegará de Genebra – um material inédito composto por dez mil páginas com troca de correspondências entre o reverendo presbiteriano Jaime Wright (1927 – 1999) e o cardeal-arcebispo emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, que estavam à frente do Brasil: Nunca Mais, e as conversas que eles mantinham com o CMI.

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              Somente em 1968, quatro anos após a ascensão dos militares ao poder, o catolicismo começou a se distanciar daquele papel que tradicionalmente lhe cabia na legitimação da ordem político-econômica estabelecida. Foi aí, quando no Brasil religiosos dominicanos como Frei Betto passaram a ser perseguidos, que a Igreja assumiu posturas contrárias às ditaduras na maioria dos países latino-americanos. Os protestantes, por sua vez, antes mesmo de 1964, viveram uma espécie de golpe endógeno em suas denominações, perseguindo a juventude que caminhava na contramão da ortodoxia teológica. Em novembro de 1963, quatro meses antes de o marechal Humberto Castelo Branco assumir a Presidência, o líder batista carismático Enéas Tognini convocou milhares de evangélicos para um dia nacional de oração e jejum, para que Deus salvasse o País do perigo comunista. Aos 97 anos, o pastor Tognini segue acreditando que Deus, além de brasileiro, se tornou um anticomunista simpático ao movimento militar golpista. "Não me arrependo (de ter se alinhado ao discurso dos militares). Eles fizeram um bom trabalho, salvaram a Pátria do comunismo", diz.

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              Assim, foi no exercício de sua fé que os evangélicos – que colaboraram ou foram perseguidos pelo regime – entraram na alça de mira dos militares (leia a movimentação histórica dos protestantes à pág. 80). Enquanto líderes conservadores propagavam o discurso da Guerra Fria em torno do medo do comunismo nos templos e recrutavam formadores de opinião, jovens batistas, metodistas e presbiterianos, principalmente, com ideias liberais eram interrogados, presos, torturados e mortos. "Fui expulso, com mais oito colegas, do Seminário Presbiteriano de Campinas, em 1962, porque o nosso discurso teológico de salvação das almas passava pela ética e a preocupação social", diz o mineiro Zwinglio Mota Dias, 70 anos, pastor emérito da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, da Penha, no Rio de Janeiro. Antigo membro do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi), que promovia reuniões para, entre outras ações, trocar informações sobre os companheiros que estavam sendo perseguidos, ele passou quase um mês preso no Doi-Codi carioca, em 1971. "Levei um pescoção, me ameaçavam mostrando gente torturada e davam choques em pessoas na minha frente", conta o irmão do também presbiteriano Ivan Mota, preso e desaparecido desde 1971. Hoje professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, Dias lembra que, enquanto estava no Doi-Codi, militares enviaram observadores para a sua igreja, para analisar o comportamento dos fiéis.

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              Segundo Rubem Cesar Fernandes, 68 anos, antropólogo de origem presbiteriana, preso em 1962, antes do golpe, por participar de movimentos estudantis, os evangélicos carregam uma mancha em sua história por convidar a repressão a entrar na Igreja e perseguir os fiéis. "Os católicos não fizeram isso. Não é justificável usar o poder militar para prender irmãos", diz ele, considerado "elemento perigoso" no templo que frequentava em Niterói (RJ). "Pastores fizeram uma lista com 40 nomes e entregaram aos militares. Um almirante que vivia na igreja achava que tinha o dever de me prender. Não me encontrou porque eu estava escondido e, depois, fui para o exílio", conta o hoje diretor da ONG Viva Rio.

              O protestantismo histórico no Brasil também registra um alto grau de envolvimento de suas lideranças com a repressão. Em sua tese de pós-graduação, defendida na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), Daniel Augusto Schmidt teve acesso ao diário do irmão de José, um dos delatores de Anivaldo Padilha, o bispo Isaías. Na folha relativa a 25 de março de 1969, o líder metodista escreveu: "Eu e o reverendo Sucasas fomos até o quartel do Dops. Conseguimos o que queríamos, de maneira que recebemos o documento que nos habilita aos serviços secretos dessa organização nacional da alta polícia do Brasil." Dono de uma empresa de consultoria em Porto Alegre, Isaías Sucasas Jr., 69 anos, desconhecia a história da prisão de Padilha e não acredita que seu pai fora informante do Dops. "Como o papai iria mentir se o cara fosse comunista? Isso não é delatar, mas uma resposta correta a uma pergunta feita a ele por autoridades", diz. "Nunca o papai iria dedar um membro da igreja, se soubesse que havia essas coisas (torturas)." Em 28 de agosto de 1969, um exemplar da primeira edição do jornal "Unidade III", editado pelo pai do ministro da Saúde, foi encaminhado ao Dops. Na primeira página, há uma anotação: "É preciso 'apertar' os jovens que respondem por este jornal e exigir a documentação de seu registro porque é de âmbito nacional e subversivo." Sobrinho do pastor José, o advogado José Sucasas Hubaix, que mora em Além Paraíba (MG), conta que defendeu muitos perseguidos políticos durante a ditadura e não sabia que o tio havia delatado um metodista. "Estou decepcionado. Sabia que alguns evangélicos não faziam oposição aos militares, mas daí a entregar um irmão de fé é uma grande diferença."

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              Nenhum religioso, porém, parece superar a obediência canina ao regime militar do pastor batista Roberto Pontuschka, capelão do Exército que à noite torturava os presos e de dia visitava celas distribuindo o "Novo Testamento". O teólogo Leonildo Silveira Campos, que era seminarista na Igreja Presbiteriana Independente e ficou dez dias encarcerado nas dependências da Operação Bandeirante (Oban), em São Paulo, em 1969, não esquece o modus operandi de Pontuschka. "Um dia bateram na cela: 'Quem é o seminarista que está aqui?'", conta ele, 21 anos à época. "De terno e gravata, ele se apresentou como capelão e disse que trazia uma "Bíblia" para eu ler para os comunistas f.d.p. e tentar converter alguém." O capelão chegou a ser questionado por um encarcerado se não tinha vergonha de torturar e tentar evangelizar. Como resposta, o pastor batista afirmou, apontando para uma pistola debaixo do paletó: "Para os que desejam se converter, eu tenho a palavra de Deus. Para quem não quiser, há outras alternativas." Segundo o professor Maurício Nacib Pontuschka, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), de São Paulo, seu tio, o pastor-torturador, está vivo, mas os dois não têm contato. O sobrinho também não tinha conhecimento das histórias escabrosas do parente. "É assustador. Abomino tortura, vai contra tudo o que ensino no dia a dia", afirma. "É triste ficar sabendo que um familiar fez coisas horríveis como essa."

              Professor de sociologia da religião na Umesp, Campos, 64 anos, tem uma marca de queimadura no polegar e no indicador da mão esquerda produzida por descargas elétricas. "Enrolavam fios na nossa mão e descarregavam eletricidade", conta. Uma carta escrita por ele a um amigo, na qual relata a sua participação em movimentos estudantis, o levou à prisão. "Fui acordado à 1h por uma metralhadora encostada na barriga." Solto por falta de provas, foi tachado de subversivo e perdeu o emprego em um banco. A assistente social e professora aposentada Tomiko Born, 79 anos, ligada a movimentos estudantis cristãos, também acredita que pode ter sido demitida por conta de sua ideologia. Em meados dos anos 60, Tomiko, que pertencia à Igreja Evangélica Holiness do Brasil, fundada pelo pai dela e outros imigrantes japoneses, participou de algumas reuniões ecumênicas no Exterior. Em 1970, de volta ao Brasil, foi acusada de pertencer a movimentos subversivos internacionais pelo presidente da Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor, onde trabalhava. Não foi presa, mas conviveu com o fantasma do aparelho repressor. "Meu pesadelo era que o meu nome estivesse no caderninho de endereço de alguma pessoa presa", conta.

              Parte da história desses cristãos aterrissará no Brasil na terça-feira 14, emaranhada no mais de um milhão de páginas do Projeto Brasil: Nunca Mais repatriadas pelo Conselho Mundial de Igrejas. Não que algum deles tenha conseguido esquecer, durante um dia sequer, aqueles anos tão intensos, de picos de utopia e desespero, sustentados pela fé que muitos ainda nutrem. Para seguir em frente, Anivaldo Padilha trilhou o caminho do perdão – tanto dos delatores quanto dos torturadores. Em 1983, ele encontrou um de seus torturadores em um baile de Carnaval. "Você quis me matar, seu f.d.p., mas eu estou vivo aqui", pensou, antes de virar as costas. Enquanto o mineiro, que colabora com uma entidade ecumênica focada na defesa de direitos, cutuca suas memórias, uma lágrima desce do lado direito de seu rosto e, depois de enxuta, dá vez para outra, no esquerdo. Um choro tão contido e vívido quanto suas lembranças e sua dor.

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