Este espaço é reservado para troca de textos e informações sobre a História do Brasil em nível acadêmico.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

** Entidades da Umbanda refletem história cultural brasileira

 


Entidades da Umbanda refletem história cultural brasileira

Médiuns durante ritual no Terreiro 
de Umbanda Pai José do Rosário

A história cultural brasileira pode ser aprendida e apreendida não apenas em livros de História, mas também em Terreiros de Umbanda espalhados por todo o País. Essa afirmação é um reflexo de estudos sobre a Umbanda realizados no Laboratório de Etnopsicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, que é coordenado pelo professor José F. Miguel H. Bairrão. “A religião é  concebida dentro do caldeirão cultural brasileiro congregando elementos do espiritismo, catolicismo, tradições indígenas e das religiões de origem africana”, descreve o pesquisador Rafael de Nuzzi Dias.
No estudo denominado Correntes ancestrais: os pretos-velhos do Rosário, Rafael reforça a ideia da antropóloga e professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC), Maria Helena Villas-Boas Concone, de que a Umbanda é formada por personagens retirados da experiência histórica e da memória coletiva brasileira. Como, por exemplo, o preto-velho e o caboclo.
“O preto-velho umbandista é associado aos escravos do Brasil pré-colonial e apresenta-se como ancestral afro-brasileiro, assim como o caboclo está relacionado com os indígenas e os baianos com os migrantes nordestinos”, afirma o pesquisador. “Essas entidades rememoram a cultura e a história (afro) brasileira por intermédio de alguns de seus personagens mais marcantes”, ressalta.
Universo Simbólico dos Pretos-Velhos
O estudo de Rafael Dias debruça-se especificamente sobre o preto-velho, entidade espiritual construída a partir da referência simbólica dos negros, ancestrais afro-brasileiros, trazidos da África para serem escravizados em terras brasileiras.
Em suma, são entidades que remetem à ascendência africana de grande parte do povo brasileiro, e que uma vez “abrasileiradas” trazem em seus ritos e performances a marca de uma forte herança católica. “O preto-velho é a entidade espiritual da umbanda que mais herdou e carrega elementos católicos, como a cruz, o rosário, os terços e suas orações”, afirma Dias.
Segundo o pesquisador, a influência católica é tão presente sobre os pretos-velhos, que eles, muitas vezes, se revelam como uma espécie de metáfora afro-brasileira do próprio Jesus Cristo, bastião do catolicismo. “Todos eles trazem uma marca de sofrimento ou de sacrifício e deixam a seus devotos a mensagem de que é possível elevar-se espiritualmente a partir do sofrimento, coerentemente com a lógica cristã”.
Para Dias, essa memória coletiva do período escravocrata brasileiro, presente nas marcas, narrativas e performances dos pretos-velhos, funciona como recurso simbólico para a resolução de conflitos subjetivos (individuais e coletivos) dos fiéis que os incorporam ou que com eles se consultam. “Os pretos-velhos agem na conciliação do homem com seu próprio inconsciente. Integrando marcas de filiação e pertencimento contidas na tradição e na cultura. Com isso, eles convocam a pessoa a assumir seus direitos e deveres enquanto elo de uma corrente ancestral”, afirma.
De acordo com o autor, isso é possível porque os conflitos e tensões psicológicas das pessoas são, em última instância, de natureza social e histórica, ou seja, também são permeadas pela cultura e pela tradição de seu povo.
Método
Para validar suas conclusões, a pesquisa de campo foi desenvolvida em quatro terreiros de umbanda da região de Ribeirão Preto, São Paulo, todos distintos e independentes entre si. Dentre os quatro terreiros, o Terreiro de Umbanda Pai José do Rosário — onde houve um trabalho de imersão de três anos — foi escolhido como caso-modelo para a apresentação dos resultados do estudo.
A obtenção dos dados se deu por meio de entrevistas semiabertas e da escuta participante, uma união dos métodos e instrumentos da observação participante, da antropologia, com a escuta psicanalítica lacaniana. “Num certo sentido, o objetivo do estudo foi aplicar, de forma não reducionista, os potencias práticos das ferramentas da clínica analítica nos terreiros. Como exemplo dessas ferramentas estão a transferência e a atenção ao sujeito do inconsciente, no contexto da Umbanda. Ou seja, em um contexto de um fenômeno social”, explica Dias.
Mais informações: email rafaelndias@hotmail.com







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Atividade nos últimos dias:
    **Este grupo foi criado com o intuito de promover releituras da HISTÓRIA DO BRASIL e tão-somente  HISTÓRIA DO BRASIL.  Discussões sobre a situação atual: política, econômica e social não estão proibidas, mas existem outros fóruns mais apropriados para tais questões.

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

** Novo número da Revista de Sociologia e Política disponível

 

Caros colegas:

Encontra-se disponível para consulta e leitura o mais recente número da Revista de Sociologia e Política. A presente edição tem como destaques um dossiê sobre Teoria Política e a tradução do artigo de Lawrence Stone "Prosopografia"; além disso, há as seções de artigos variados e de ensaios bibliográficos.

A todos, boas leituras!

Cordialmente,

Gustavo Biscaia de Lacerda
Editor-Executivo
Revista de Sociologia e Política


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Revista de Sociologia e Política
versão impressa ISSN 0104-4478

Sumário
Rev. Sociol. Polit. vol.19 no.39 Curitiba jun. 2011
Editorial


        · texto em Português     · pdf em Português
 Dossiê Teoria Política entre Normatividade e História
·  Apresentação


        · texto em Português     · pdf em Português
·  Teoria Políticaum balanço provisório
Amadeo, Javier

        · resumo em Português | Inglês | Francês     · texto em Português     · pdf em Português
·  Republicanismo neo-romano e democracia contestatória
Silva, Ricardo

        · resumo em Português | Inglês | Francês     · texto em Português     · pdf em Português
·  Os usos ambíguos do argumento do conflito em Maquiavel e Aristóteles
Magalhães, Raul Francisco

        · resumo em Português | Inglês | Francês     · texto em Português     · pdf em Português
·  Considerações acerca da noção de razão pública no debate Rawls-Habermas
Kritsch, RaquelSilva, André Luiz da

        · resumo em Português | Inglês | Francês     · texto em Português     · pdf em Português
·  A crítica de Charles Taylor ao naturalismo na Ciência Política
Losso, Tiago

        · resumo em Português | Inglês | Francês     · texto em Português     · pdf em Português
·  Governança democráticauma genealogia
Bevir, Mark

        · resumo em Português | Inglês | Francês     · texto em Português     · pdf em Português
 Texto Fundamental
·  Texto fundamental prosopografia
Stone, Lawrence

        · resumo em Português | Inglês | Francês     · texto em Português     · pdf em Português
 Artigos
·  A teoria do desenvolvimento político e a questão da ordem e da estabilidade
Mello, Natália Nóbrega de

        · resumo em Português | Inglês | Francês     · texto em Português     · pdf em Português
·  Contribuições da análise de redes sociais às teorias de movimentos sociais
Carlos, Euzeneia

        · resumo em Português | Inglês | Francês     · texto em Português     · pdf em Português
·  Confiança política na América Latinaevolução recente e determinantes individuais
Ribeiro, Ednaldo Aparecido

        · resumo em Português | Inglês | Francês     · texto em Português     · pdf em Português
·  Disciplina partidária e apoio ao governo no bicameralismo brasileiro
Neiva, Pedro Robson Pereira

        · resumo em Português | Inglês | Francês     · texto em Português     · pdf em Português
·  As reformas legais e o processo de descentralizaçãoaspectos jurídicos e políticos
Alcântara, Fernanda Henrique Cupertino

        · resumo em Português | Inglês | Francês     · texto em Português     · pdf em Português
·  Relações intergovernamentais e descentralizaçãouma análise da implementação do SUAS em Minas Gerais
Costa, Bruno Lazzarotti DinizPalotti, Pedro Lucas de Moura

        · resumo em Português | Inglês | Francês     · texto em Português     · pdf em Português
 Ensaio Bibliográfico
·  Três perspectivas sobre a política externa dos Estados Unidospoder, dominação e hegemonia
Pereira, Alexsandro Eugenio

        · resumo em Português | Inglês | Francês     · texto em Português     · pdf em Português

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"Cansamo-nos de agir
 E até de pensar cansamos;
 Só não cansamos de amar
 E nem de dizer que amamos"

(Teixeira Mendes, a partir de Augusto Comte)
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

** Kaiowá, mestre em história

 
Maria Lima
Profa. adjunta da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul(UFMS/CPTL)
Curso de Licenciatura em História
Docente de Prática de Ensino e Estágio Obrigatório
Campus II - F: (67) 3509.3783 - Cidade de Três Lagoas/MS



AMANHÃ: Professor Kaiowá será o primeiro mestre em História na UFGD e no Brasil

Neste ano, pela primeira vez desde sua criação, o Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) terá a defesa de uma dissertação de mestrado produzida por um indígena. Trata-se do trabalho "Jakaira Reko Nheypyrũ Marangatu Mborahéi: origem e fundamentos do canto ritual Jerosy Puku entre os Kaiowá de Panambi, Panambizinho e Sucuri'y, Mato Grosso do Sul", resultado de estudos realizados entre 2009 e 2011 pelo Prof. Izaque João, da etnia Kaiowá, residente na aldeia Panambi, em Douradina, onde atua como docente.

A dissertação foi elaborada sob a orientação do Prof. Dr. Jorge Eremites de Oliveira, que também é o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFGD.

A defesa pública da dissertação de mestrado ocorrerá na aldeia Panambi, no município de Douradina, no dia 25 de agosto de 2011, a partir das 7h30. Esta também é outra novidade na instituição, haja vista que a defesa não se dará dentro da academia, mas em uma comunidade indígena onde grande parte das pesquisas foi realizada.

Farão parte da banca de defesa o orientador e os professores doutores Antônio Hilário Aguilera Urquiza, da UFMS, e Levi Marques Pereira, da UFGD. Como suplente, a banca contará ainda com a participação do Prof. Dr. Antônio Dari Ramos, que atualmente coordena o curso de Licenciatura Indígena "Teko Arandu" na universidade.

Ao ser aprovado na banca de defesa, o Prof. Izaque João se tornará o primeiro indígena da etnia Kaiowá a receber o título de "Mestre em História" no país, um marco não apenas na história dos povos indígenas, mas também para a UFGD, instituição que a cada dia avança no sentido ampliar e consolidar seus cursos de graduação, especialização, mestrado e doutorado.

O Programa de Pós-Graduação em História da Faculdade de Ciências Humanas, da UFGD, criado em 1998, é um dos poucos programas da área que possui, no âmbito do território nacional, uma linha de pesquisa intitulada História Indígena. Desde as primeiras turmas, dezenas dissertações de mestrado foram defendidas sobre a temática e no momento algumas teses de doutorado estão em andamento sobre a história dos povos indígenas nas Américas.



Raúl Ortiz Contreras
PPGAS/IFCH/Unicamp





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domingo, 28 de agosto de 2011

** VI SEMANA DE HISTÓRIA POLÍTICA - III SEMINÁRIO NACIONAL DE HISTÓRIA: POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE

 
Favor repassar aos contatos!



Caríssimos,

Estão abertas as inscrições para a VI Semana de História Política - III Seminário Nacional de História: Política, Cultura e Sociedade, organizada pelos discentes do Programa de Pós- Graduação de História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que ocorrerá entre os dia 17 e 21 de outubro de 2011. 

Nesta edição, abriremos inscrições para os graduandos que quiserem apresentar painel científico.

As informações estão disponíveis no endereço eletrônico www.semanahistoriauerj.net  ou no blog http://semanahistoriauerj.blogspot.com/

Prazo final das inscrições com apresentação de trabalho: 9 de setembro de 2011

Qualquer dúvida, entre em contato pelo e-mail: semanadehistoriauerj@gmail.com

Atenciosamente,
-- 
Comissão Organizadora da VI Semana de História Política da UERJ.

Cartaz_a3



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sábado, 27 de agosto de 2011

** Por que Rui Barbosa mandou queimar os documentos da escravidão?

 

Por que Rui Barbosa mandou queimar os documentos da escravidão?

Na coluna Máquina do tempo, entenda um episódio polêmico da história do Brasil
Por: Keila Grinberg, Departamento de História, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
Publicado em 26/08/2011 | Atualizado em 26/08/2011
 


Pintura "O Comércio de Escravos", de Auguste François Biard, 1840 (Imagem: Wikimedia Commons) 
 
Algumas histórias nascem ninguém sabe como. Quando nos damos conta, elas viram causos, passados adiante como se fossem verdade. Isso acontece entre amigos, no interior das famílias e também... na história do Brasil. Quer um exemplo?

Muita gente conta como Rui Barbosa, um dos políticos mais importantes da história do país, destruiu os documentos da escravidão logo após a proclamação da República em 1889. Aproveitando-se do cargo de ministro da Fazenda, ele teria mandado queimar esses documentos, supostamente para acabar com esta "mancha negra" da História do Brasil. Isto é contado como um grande absurdo, como se Rui Barbosa quisesse apagar o passado do país.


Nada mais errado. É verdade que Rui Barbosa mandou queimar documentos sobre a escravidão, mas não para destruir os traços das vidas dos escravos.


Ele fez isso porque, quando os escravos foram libertados no Brasil, em 13 de maio de 1888, a lei estabeleceu que os antigos senhores não seriam indenizados, ou seja, não receberiam nenhuma recompensa pelo fato de estarem sendo obrigados a libertar seus escravos. Afinal, em pleno fim do século 19, era um absurdo achar que uma pessoa pudesse ser dona de outra pessoa! Naquela época, o Brasil era o único país do Ocidente que ainda permitia a existência da escravidão.


Acontece que os senhores dos escravos não aceitaram tão facilmente essa decisão. Se dependesse deles, continuavam a ter escravos! E exigiam ser recompensados pela perda.

Já Rui Barbosa achava o contrário: se alguém tivesse que ser indenizado, seriam os ex-escravos, que haviam trabalhado a vida inteira sem receber nada. E foi o que ele disse aos senhores.

Mas os antigos proprietários não descansavam e continuavam a reclamar. Então, para acabar com a discussão, Rui Barbosa mandou queimar os documentos que comprovassem a quem tinha pertencido cada escravo. E foi o que aconteceu: no dia 13 de maio de 1891, para comemorar os dois anos da abolição da escravidão no Brasil, foi feita uma grande fogueira no centro do Rio de Janeiro. Foi uma festa e tanto, com a presença de vários líderes abolicionistas.


Assim, Rui Barbosa evitou que os antigos senhores de escravos, depois de terem usufruído por anos e anos de trabalho de graça das pessoas que mantinham em cativeiro, ainda recebessem dinheiro pelo fato de tê-los libertado.


Nem tudo, porém, foi destruído. Aliás, quase nada. Há ainda milhares de documentos sobre a escravidão nos arquivos, usados pelos historiadores para escrever a história deste passado impossível de esquecer.


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Fabrício Augusto Souza Gomes

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