Este espaço é reservado para troca de textos e informações sobre a História do Brasil em nível acadêmico.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

** Boletim Tema Livre 11 - JAN 2011

 





BOLETIM TEMA LIVRE – 11
Difusor acadêmico e cultural
Nº 11 – Janeiro de 2011
1)    Concursos
 
a)      IPHAN – Concurso público
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional lançou dois editais da área de pesquisa e documentação:
Há oportunidades para recém graduados e pós-graduados.
 
b)     PUC-RIO
Seleção para as disciplinas: "História do Mundo Contemporâneo", "História Contemporânea IV" e "História da Arquitetura no Brasil".
O candidato deve ser graduado em história, com mestrado em história ou áreas afins.
 
c)     UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES
História da África
 
d)     UFRN – Concurso público
Antropologia, Artes, Ciências Sociais, Comunicação Social, Filosofia, História, dentre outras áreas.
 
e)      University Columbia
A Cátedra Fulbright Dra. Ruth Cardoso, na Universidade de Columbia, New York, destina-se a professores e pesquisadores brasileiros com comprovada experiência nas Ciências Humanas e Sociais, com ênfase em História do Brasil, Antropologia, Ciência Política e Sociologia.
A bolsa mensal chega a US$ 5.000,00 e o auxílio instalação é de US$ 2.000,00
 
Para mais detalhes relativos aos concursos:
Seção: "Bolsas, concursos e oportunidades de emprego"
 
 
 
2)    Arquivo Nacional: Casa Civil ou Ministério da Justiça?
 
O Arquivo Nacional (AN), fundado ainda nos tempos do Império, mais precisamente em 1838, estava vinculado desde 2000 à Casa Civil, fato que atribui-se uma série de melhoras na sua estrutura, que vão desde o repasse de verbas ao maior peso político da instituição, passando pelo incremento do salário de seus funcionários, além do melhor atendimento à sociedade e ao governo.
Passados dez anos, o ministro-chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, em sua posse, no domingo, dia 2, anunciou que o AN retornaria ao Ministério da Justiça (MJ). No entanto, a Assan (Associação dos Servidores do AN) opõe-se ao fato, por temer a perda dos vários avanços obtidos nos últimos anos, inclusive por acreditar que o AN não se adéqua à estrutura do MJ e, ainda, que com a transferência haja uma possível impossibilidade da reabertura dos arquivos referentes ao período militar.
No dia 5, em assembléia, os servidores aprovaram o desejo de que o AN permaneça na estrutura da Presidência da República e, na UNIRIO, decidiram por Ato Público, que ocorreu no prédio do arquivo no último dia 11, a partir das 10hs. Ao meio-dia houve um abraço simbólico ao prédio do AN. Também no dia 11, a assembléia aprovou uma pauta mínima de reivindicações, a saber-se:
 1.     Manutenção do Arquivo Nacional na Presidência da República;
2.     Um Plano de Cargos e Salários;
3.     Mudança da Direção Geral;
4.     Reforma do prédio de Brasília.
 
Na quarta, dia 12, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, esteve no Rio de Janeiro, reuniu-se com servidores do AN e recebeu carta com reivindicações da classe, bem como a Associação protocolou uma carta ao ministro Palocci.
O futuro do AN segue incerto. O ministro da Justiça posicionou-se favoravelmente à transferência da instituição arquivística para sua pasta e, ainda, comprometeu-se a inteirar-se melhor sobre a questão do AN. Em fevereiro, haverá nova reunião com os servidores.
 
 
 
3)    Notícias: História e Gênero
 
NESTE MÊS, BRASIL EMPOSSOU 1ª MULHER COMO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
- Leia na matéria:
- A trajetória de Dilma, de jovem guerrilheira à primeira presidenta
- A participação feminina na política brasileira: Séculos XX e XXI
- Presidentas: Brasil e América Espanhola
- Outras mulheres que governaram o Brasil antes do 15 de novembro: Monarquias portuguesa e brasileira
 
 
 
4)    Obituário: Faleceu a historiadora Kátia Matoso
 
Faleceu no último dia 11 de janeiro, de um câncer generalizado, em Paris, a historiadora e cientista política Kátia Maria de Queiroz Mattoso, de 78 anos. Kátia Matoso, como era conhecida, era Doutora Hororis Causa pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Professora Emérita aposentada da Universidade de Paris V - Sorbonne.
A historiadora era especialista em história social da escravidão no Brasil e dentre suas obras estão "Ser Escravo no Brasil" (1982) e "Bahia Século XIX – Uma Província no Império" (1992).
Katia Matoso foi a primeira titular da cátedra de História do Brasil na Sorbone, em 1988, permanecendo aí por 10 anos. Hoje a vaga é ocupada por Luís Felipe de Alencastro. No ano passado, a historiadora doou sua biblioteca para a UFBA.
O sepultamento será na Grécia, país onde Kátia Matoso nasceu. Resta-nos, agora, o precioso legado da historiadora.
 
 
 
5)    Minissérie Histórica
 
A Fortaleza (La Commanderie, França, 2010)
Em 1375, com as drásticas conseqüências da "Guerra dos Cem Anos", a Fortaleza era a única esperança da população da Borgonha, imersa não só na guerra, mas, também, ameaçada pela praga.
Antiga posse dos Templários, a Fortaleza foi cedida pelo rei da França à Ordem Hospitaleira de São João de Jerusalém. Concomitantemente, funcionários da Fortaleza recebiam da população local dinheiro e objetos em troca de favores. A rotina da Fortaleza é quebrada com a visita de um alto funcionário da Ordem religiosa, que vai ao local para inspecionar suas instalações.
Episódio inédito: Todas as quintas, às 21hs, no Eurochannel.
 
 
 
6)    São Paulo 457 anos
Veja a programação cultural:
 
 
 
7)    Exposições
 
Arquivo Nacional

Capitais da Bossa Nova: Rio e Brasília nos anos JK
A exposição se organiza em torno das duas cidades, com fotografias do Correio da Manhã e da Agência Nacional e a exibição de dois vídeos sobre Rio e Brasília, com trilha sonora fornecida pela rádio MEC.
Praça da República, 173 - Rio de Janeiro, RJ
Tel.: (21) 2179-1228 e 2179-1273

 
CCBB
Cora Coralina – Coração do Brasil
Exposição em homenagem aos 25 anos do falecimento de Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, poetisa e contista, que produziu uma obra rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.

Curadoria: Júlia Peregrino.
Cenografia: Daniela Thomas
Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – Rio de Janeiro.
Tel.: (21) 3808-2020
 
 
 
8)    Retrospectiva Tema Livre 2010
 
Realização da Revista Tema Livre iniciada em 2010, o Boletim Tema Livre chega a 2011 tendo atingido com êxito o seu objetivo de difundir a HISTÓRIA, a CULTURA e a ARTE, bem como o seu ideal de levar ao mundo virtual informação de QUALIDADE ao seu QUALIFICADO público.
Ao longo do ano, o Boletim anunciou concursos para universidades em todas as regiões do país, bem como eventos nas áreas acadêmica e cultural em diversas partes do mundo. Divulgou seleções de mestrado e doutorado no país e no exterior, assim como publicações brasileiras e estrangeiras. Além disto, trouxe NOTÍCIAS, CHAMADAS DE ARTIGOS, INSCRIÇÕES PARA PRÊMIOS, CONCURSOS DE TESES, etc.
Assim, após 8 anos atuando como uma das primeiras publicações na internet, a Revista Tema Livre expandiu com sucesso sua atuação na web através do Boletim Tema Livre. Conclui-se, então, que 2010 foi um ano de êxito e de alcance de metas. Conseguimos fazer nossa parte na divulgação e expansão do conhecimento. Agradecemos aqui a participação de todos os nossos leitores, que informam-se através do Boletim e o repassam a seus contatos na web. Fica aqui o nosso muito obrigado a todos vocês, estimados leitores!
Por fim, observamos que, ao longo de 2010, noticiamos, seja no Boletim, seja na Revista Tema Livre, vários medidas concernentes ao "métier" do historiador, a saber:
 
- Em 2010, foi estabelecido o "Dia Nacional do Historiador"
 
- De acordo com pesquisa publicada no Wall Street Journal, Historiador é a 5ª melhor profissão dos EUA
 
- Fenômeno histórico: Episódio da História do Brasil, a Revolução Farroupilha, lidera índice mundial de palavras postadas no Twitter
 
Para reler estas matérias, basta acessar:
 
 
9)    2011 – Perspectivas:
Ano da Itália no Brasil
- Exposição: "Roma no Tempo dos Imperadores".
- Museu Nacional, da UFRJ, possuí maior acervo do período supracitado.
- Prevê-se que SP e MG terão mostra de Caravaggio.
 
 
10)    2011 – Eventos acadêmicos
(Brasil, Argentina, Portugal e Espanha)
 
BRASIL
Rio de Janeiro
"I CONGRESSO FLUMINENSE DE HISTÓRIA ECONÔMICA"
Niterói, Junho de 2011
Está aberta a chamada para trabalhos:
 
 
"5º CONGRESSO MUNDIAL DA IASA/5TH IASA WORLD CONGRESS"
UFF, Niterói,de 27 a 29 de julho.
Chamadas de trabalho - 5 de janeiro de 2011 no site:
www.historia.uff.br/iasa2011
 
São Paulo
"XXVI SIMPÓSIO NACIONAL HISTÓRIA - ANPUH 50 anos"
São Paulo, 17 a 22 de julho de 2011.
Universidade de São Paulo (USP)
Cidade Universitária
 
Santa Catarina
"V ENCONTRO DE ECONOMIA CATARINENSE"
UDESC, Florianopolis, nos dias 28 e 29 de abril:
Envio de artigos até o dia 09 de março.
 
Rio Grande do Sul
"V ENCONTRO ESCRAVIDÃO E LIBERDADE NO BRASIL MERIDIONAL"
UFRGS: Maio de 2011
Recebimento de propostas de comunicação até 15/12 pelo email vencontro@ifch.ufrgs.br
 
Ceará
"V ENCONTRO NACIONAL - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESTUDOS DE DEFESA"
DEMOCRACIA, DEFESA E FORÇAS ARMADAS
Fortaleza, de 8 a 10 de agosto. 
 
Roraima
"III REUNIÃO EQUATORIAL DE ANTROPOLOGIA / XII REUNIÃO DE ANTROPÓLOGOS NORTE E NORDESTE"
Universidade Federal de Roraima (UFRR), Boa Vista, de 14 a 17 de agosto.
www.ufrr.br/rea2011
 
PORTUGAL
Arqueologia
 
"Velhos e Novos Mundos": Congresso Internacional de Arqueologia Moderna
"Old and New Worlds": International Congress of Early Modern Archaeology
Lisboa, de 6 a 9 de abril de 2011
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
Submissão das propostas de comunicação/poster:
As inscrições são gratuitas e devem ser remetidas até 31 de janeiro para: coloquios.cham@fcsh.unl.pt
 
ESPANHA
"XVI Congreso Internacional de AHILA (Asociación de Historiadores Latinoamericanistas Europeos)"
De 6 a 9 de setembro, na Universidade de Cadiz (Cadiz/Espanha): http://www.congresoahila2011.com/
 
ARGENTINA
Buenos Aires
"Iº Congreso Internacional de Arqueología de la Cuenca del Plata"
Instituto Nacional de Antropología y Pensamiento Latinoamericano
Buenos Aires, de 11 a 16 de abril.
 
Província de Buenos Aires
"VIII Jornadas de Investigación y Debate - Memoria y oportunidades en el agro argentino: burocracia, tecnología y medio ambiente (1930-2010)"

Universidad Nacional de Quilmes, de 8 a 10 de junho.
jornadasrurales@unq.edu.ar
 
Santa Fé
"11ras Jornadas Rosarinas de Antropología Sociocultural" 
Rosario, 29 e 30 de setembro de 2011.
Apresentação de Trabalhos:
Resumos: Até 4 de abril de 2011
Departamento de Antropología Sociocultural/Escuela de Antropología/Facultad de Humanidades y Artes/UNR
ComisiónOrganizadora:
11jornadasrosarinas@gmail.com
 
Córdoba
"TERCERAS JORNADAS NACIONALES DE HISTORIA SOCIAL"
La Falda, de 11 a 13 de maio.
Centro de Estudios Históricos "Prof. Carlos S. A. Segreti"/Centro de Historia Argentina y Americana de la Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación de la Universidad Nacional de La Plata
 
 
 
11)Redes Sociais
 
A Revista Tema Livre atua, desde 2002, na internet, sendo um espaço qualificado, que objetiva agregar de forma positiva à vida intelectual dos navegantes da web, bem como contribuir, gratuitamente, com conteúdo de qualidade ao espaço virtual.
A partir desta proposta, a Revista Tema Livre estende sua missão à web 2.0, às mídias sociais, estando presente no Orkut, no Twitter e no FaceBook, agregando, ainda, o objetivo de, através das redes sociais, aproximar-se mais do seu público leitor.
As redes sociais aqui apresentadas são locais voltados para a discussão de temas relacionados à História, à cultura e à arte, envolvendo, também, questões da atualidade, visando a troca de informações e experiências concernentes às vidas acadêmica e profissional.
Assim sendo, convidamos todos aqueles interessados na área de História, e nas Ciências Humanas de uma maneira geral, além dos aficionados pelas Artes, a participarem deste projeto. Vamos compartilhar o conhecimento.
 
 
 
 
 
 
Orkut
Perfil
http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=16865339028429850201


Comunidade
"Espaço Tema Livre"
 
 
 
12) Convite à comunidade acadêmica
12.1) A REVISTA TEMA LIVRE está aceitando artigos para a edição nº15. Para maiores detalhes, ver:
12.2)        Os organizadores/realizadores interessados em anunciar seus eventos acadêmicos (Simpósios, lançamento de livros, defesas de teses...) e culturais (Mostras, exposições...) de forma inteiramente gratuita no Boletim Tema Livre, favor enviar os respectivos dados para eventual publicação: boletim@revistatemalivre.com
 
 
 
13)   O envio do anúncio não significa a obrigatoriedade da publicação do mesmo no Boletim Tema Livre. Por fim, os eventos que forem publicados no Boletim Tema Livre são de inteira responsabilidade dos realizadores dos eventos, sendo o Boletim Tema Livre mero veículo informativo e difusor acadêmico e cultural.
 
 
 
14)   INFORME AO PÚBLICO - Tragédia da Região Serrada deixou a Revista Tema Livre fora do ar
 
Informamos ao público que tentou acessar a Revista Tema Livre nos dias 12 e 13 de janeiro que, em função da fatalidade que assolou Friburgo, a publicação ficou fora do ar nos mencionados dias.
A Revista Tema Livre está hospedada em uma das melhores empresas do Grande Rio, que, por sua vez, tem seus sites em um dos maiores provedores do Estado. Entretanto, o Datacenter desta última está em Friburgo, cidade fortemente atingida por esta tragédia natural, danificando, assim, a estrutura da fibra ótica que liga a cidade do Rio a Friburgo.
A questão da Revista Tema Livre já foi solucionada e pedimos desculpas pelo eventual transtorno causado àqueles que nos acompanham e tentaram acessar-nos nestes fatídicos dias. No entanto, se nossos problemas já foram resolvidos, a situação de várias famílias que vivem ou estavam de férias na Região Serrana não foi. Lá, os problemas continuam. E de forma extremamente árdua. Portanto, mobilize-se, e ajude aqueles que lá estão.
 
 
 
15)   SOS Região Serrana do Rio de Janeiro
 
A região serrana do Estado do Rio foi atingida por drástica catástrofe natural na semana que foi de 09 a 15 de janeiro. Chuvas que provocaram enchentes, deslizamentos de terra, e a destruição de várias cidades, como Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo.
Diante das mais de 700 mortes (números do momento em que este Boletim está a ser feito), pessoas desaparecidas e desabrigadas, o deslizamento da região serrana foi considerado um dos 10 piores do mundo pela ONU e ganhou o noticiário internacional. Estima-se que será necessário mais de 1 ano para a reconstrução das cidades da região.
Assim, a população da região serrana precisa de ajuda. Seus habitantes precisam de tudo: água, alimentos, roupas, velas, materiais de higiene e limpeza, doadores de sangue, voluntários que se desloquem à região, enfermeiros, médicos, psicólogos...
A seguir, a lista de localidades que estão aceitando doações:
 
Rio de Janeiro
-Ceasa - Avenida Brasil, nº 19.001 -Irajá.
-O Metrô Rio disponibiliza pontos de arrecadação em 11 estações nas linhas 1 e 2
-A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, anunciou que o clube receberá donativos, na sede da Gávea
- SENAC: Marapendi - Avenida das Américas, 3959 - Barra da Tijuca
-A Rodoviária Novo Rio recebe doações. Os donativos serão recebidos no piso de embarque inferior, de 9h às 17h.
-A concessionária Ponte Rio-Niterói colocou container p receber doações junto à praça de pedágio. Info: (21) 2620-9333
 
Niterói
Hospital Universitário Antonio Pedro (HUAP/UFF)
Rua Marquês do Paraná, 303, Centro, Niterói. Mais informações, pelo telefone 2629-9063
Icaraí
A Igreja Metodista de Icaraí está funcionando como posto de coleta de donativos. Rua Mariz e Barros, 163 (Próximo à Gavião Peixoto)
As doações podem ser entregues de 8h às 12h e das 14h às 18h.

Região Oceânica de Niterói
-Igreja Ministério Abrindo o Mar, no Cafubá
-Igreja Operação Resgate, em Itaipu
-Igreja Ministério Palavra da Vida, em Piratininga.
-Igreja Cedro, no Engenho do Mato
 
São Gonçalo
- SESC
Avenida Presidente Kennedy, 755
 
Caxias
-Metodista Central em Duque de Caxias
Av. Presidente Kennedy, 2273, Centro, Duque de Caxias - RJ
e-mail: imcdc.novotempo@hotmail.com
Tel: (21) 2771-9256
 
Nova Iguaçu
- SESC
Rua Dom Adriano Hipólito, 10 – Moquetá

São João de Meriti 
- SESC
Avenida Automóvel Clube, 66
 
Petrópolis
-Igreja Metodista Central de Petrópolis
Rua Marechal Deodoro, 80, Centro, Petrópolis - RJ
e-mail: secretaria@metodistapetropolis.com.br
Tel: (24) 2242-4440
 
Teresópolis
- SESC
Av. Delfim Moreira, 749 - Centro
 
Doações de sangue
Hemorio
Rua Frei Caneca, 8, Centro – Tel. 2332-8611
http://www.hemorio.rj.gov.br/
Hospital Universitário Antonio Pedro (UFF)
Rua Marquês de Paraná, 303, Centro, Niterói, RJ
De segunda à sexta-feira, das 8h às 12h.
Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 2629-9063.
 
São Paulo
 
Paraná
 
 
 
16)   Luto pelas vidas perdidas na região serrana do Rio. Luta pelos sobreviventes desta tragédia.
 
 


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Atividade nos últimos dias:
    **Este grupo foi criado com o intuito de promover releituras da HISTÓRIA DO BRASIL e tão-somente  HISTÓRIA DO BRASIL.  Discussões sobre a situação atual: política, econômica e social não estão proibidas, mas existem outros fóruns mais apropriados para tais questões.


                                                                                                    Por Favor divulguem este grupo e grato pelo interesse .
 
Visite o Blog do nosso Grupo:http://www.grupohistoriadobrasil.blogspot.com

** [Carta O BERRO] PARA NÃO ESQUECER JAMAIS! História de Sônia Maria de Moraes Angel Jones -XIII-

Carta O Berro..........................................................repassem



Sônia Maria de Moraes Angel Jones

 


Militante da AÇÃO LIBERTADORA NACIONAL (ALN).

Nasceu em 9 de novembro de 1946, em Santiago do Boqueirão, Estado do Rio Grande do Sul, filha de João Luiz Moraes e Cléa Lopes de Moraes.

Foi morta aos 27 anos em 1973, em São Paulo.

Estudou no colégio de Aplicação da antiga Faculdade Nacional de Filosofia e, posteriormente, na Faculdade de Economia e Administração da UFRJ, mas não chegou a se formar, sendo desligada pelo Decreto nº477, de 24 de setembro de 1969.

No Rio, trabalhava como professora de Português no Curso Goiás.

Casou-se, em 18 de agosto de 1968, com Stuart Edgar Angel Jones, militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).

Em 1° de Maio de 1969, foi presa por ocasião das manifestações de rua na Praça Tiradentes/RJ com mais três estudantes, levada para o DOPS e, posteriormente, para o Presídio Feminino São Judas Tadeu. Somente foi libertada em 6 de agosto de 1969, quando foi julgada e absolvida por unanimidade pelo Superior Tribunal Militar. Passou a viver na clandestinidade.

Em maio de 1970 exilou-se na França, onde se matriculou na Universidade de Vincennes e, para se sustentar, trabalhou na Escola de Línguas Berlitz, em Paris, onde lecionava Português.

Com a prisão e desaparecimento de Stuart pelos órgãos brasileiros de repressão política, Sônia decidiu voltar ao Brasil para retomar a luta de resistência. Ingressou na ALN e viajou para o Chile, onde trabalhava como fotógrafa. Posteriormente, em maio de 1973, retornou clandestinamente ao Brasil, indo morar em São Paulo. Em 15 de novembro de 1973 alugou um apartamento em São Vicente, junto com Antônio Carlos Bicalho Lana, com quem se unira. Seu apartamento passou a ser vigiado, sendo presa, juntamente com Antônio Carlos, no mesmo mês, por agentes do DOI-CODI/SP, tendo o II Exército divulgado a notícia de que morrera, após combate, a caminho do hospital (O globo 1º de dezembro de 1973).

Foi assassinada sob torturas no dia 30 de novembro de 1973, juntamente com Antônio Carlos Bicalho Lana.

A autópsia assinada pelos legistas Harry Shibata e Antônio Valentine, apenas descreve as perfurações das balas, sem nada mencionar das torturas sofridas. Afirmam que o crânio sofreu corte característico da autópsia e que examinaram detidamente o corpo.

Durante quase vinte anos a família investigou os fatos relacionados à prisão, tortura e assassinato de Sônia e Antônio Carlos.

Como resultado dessas investigações, a família produziu o vídeo "Sônia Morta e Viva", dirigido por Sérgio Waismann.

A prisão do casal, em São Vicente, foi detalhadamente planejada, como constatou sua família, durante as investigações junto aos empregados do prédio em que Sônia e Antônio Carlos moravam. Ela costumava, assim que se mudou, tomar banho de sol numa prainha ligada ao prédio e, desde então era observada de um prédio próximo por agentes policiais, através de uma luneta. Dias depois, os mesmos agentes comunicaram aos empregados do prédio que moravam ali dois terroristas muito perigosos e para justificar tal afirmativa "empregaram-se" como funcionários do prédio e passaram a observá-los mais de perto. Certa manhã, bem cedo, quando Antônio Carlos e Sônia pegaram o ônibus da Empresa Zefir, já havia dentro do ônibus alguns agentes, inclusive uma senhora vestida de vermelho. Ao mesmo tempo, nas imediações da agência do Canal 1, São Vicente, já se encontravam vários agentes à espera de que um deles, pelo menos, descesse para adquirir passagens, pois as mesmas não eram vendidas no ônibus. Até hoje, a família não pôde precisar o dia exato da prisão, possivelmente num sábado, depois do dia 15 de novembro, fato este testemunhado por Celso Pimenta, motorista do ônibus, e Ozéas de Oliveira, vendedor de bilhetes, ambos da Agência Zefir.

Existem duas versões a respeito da prisão, tortura e assassinato de Sônia e Antônio Carlos.

A versão do primo do pai de Sônia, coronel Canrobert Lopes da Costa, ex-comandante do DOI-CODI de Brasília, amigo pessoal do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do DOI-CODI de São Paulo: depois de presa, do DOI-CODI de São Paulo foi mandada para o DOI-CODI do Rio de Janeiro, onde foi torturada, estuprada com um cassetete e mandada de volta a São Paulo, já exangüe, onde recebeu dois tiros.

A versão do Sargento Marival Chaves, membro deo DOI-CODI/SP: Sônia e Antônio Carlos foram presos e levados para uma casa de tortura na Zona Sul de São Paulo onde ficaram de cinco a dez dias, até morrerem, dia 30 de novembro de 73 e foram colocados, no mesmo dia, à porta do DOI-CODI/SP, para servir de exemplo. Ao mesmo tempo, foi montado um "teatrinho" – termo usado pelo sargento – para justificar a versão oficial de que foram mortos em conseqüência de tiroteio, no mesmo dia 30 (metralharam com tiros de festim um casal e os colocaram imediatamente num carro).

Versão oficial publicada dia 1° de dezembro de 1973 em dois jornais: "O Globo" e "O Estado de São Paulo": Morte de Sônia e Antônio Carlos, a caminho do Hospital, após tiroteio em confronto com os agentes de segurança, na Avenida de Pinedo, no Bairro de Santo Amaro, cidade de São Paulo, altura do n° 836, às 15 horas.

No arquivo do antigo DOPS/SP foi encontrado um documento da Polícia Civil de São Paulo-Divisão de Informações CPI/DOPS/SP que diz: "Consta arquivado nesta divisão uma cópia xerográfica do Laudo de Exame Necroscópico referente à epigrafada com data de 20 de novembro de 1973." (Teve o laudo assinado antes de morrer?).

Apesar de haverem identificado Sônia Maria, os seus assassinos enterraram-na, como indigente, no Cemitério Dom Bosco, em Perús, sob o nome de Esmeralda Siqueira Aguiar. A troca proposital do nome de Sônia, demonstra a clara tentativa dos órgãos de repressão em esconder seu cadáver. A família de Sônia conseguiu obter através de processo de número 1483/79 na 1ª Vara Civil de São Paulo, a correção de identidade e retificação do Registro de Óbito.

Oficialmente morta, a família pôde transladar seus restos mortais para o Rio de Janeiro, em 1981.

Em 1982, na tentativa de apuração das reais circunstâncias da morte de Sônia, através de processo movido contra Harry Shibata, médico do IML/SP que atesta sua morte (inclusive assinando o atestado de óbito sob o nome falso e o laudo com nome verdadeiro), o IML/RJ constatou que os ossos entregues à família, enterrados no Rio de Janeiro, eram de um homem.

Para sepultar dignamente os restos mortais de Sônia, a família teve que fazer várias exumações, que chegaram a seis. A última exumação apresentava um crânio, sem o corte característico de autópsia e a família não aceitou os restos mortais, por desconfiar que seria mais um engano do Instituto Médico Legal de S. Paulo.

Em um de seus depoimentos à CPI realizada na Câmara Municipal de S. Paulo, Harry Shibata declarou que a descrição feita no laudo necroscópico de que houve corte de crânio, não corresponde à verdade, uma vez que essa descrição é apenas uma questão de praxe. Assim declarando, assumiu a farsa com que eram feitos os laudos.

Após serem identificados pela UNICAMP, seu restos mortais, finalmente, foram trasladados para o Rio de Janeiro no dia 11 de agosto de 1991.

De seu pai, o Tenente-Coronel da Reserva do Exército Brasileiro e professor de matemática, João Luiz de Morais:

"Sônia Maria Lopes de Moraes, minha filha, teve seu nome mudado após o seu casamento com Stuart Edgar Angel Jones, para Sônia Maria de Moraes Angel Jones. Ambos foram torturados e assassinados por agentes da repressão política, ele em 1971 e ela em 1973. Minha filha foi morta nas dependências do Exército Brasileiro, enquanto seu marido Stuart Edgar Angel Jones foi morto nas dependências da Aeronáutica do Brasil.Tenho conhecimento de que, nas dependências do DOI-CODI do I Exército, minha filha foi torturada durante 48 horas, culminando estas torturas com a introdução de um cassetete da Polícia do Exército em seus órgãos genitais, que provocou hemorragia interna.

Após estas torturas, minha filha foi conduzida para as dependências do DOI-CODI do II Exército, local em que novas torturas lhe foram aplicadas, inclusive com arrancamento de seus seios. Seu corpo ficou mutilado de tal forma, a ponto de um general em São Paulo ter ficado tão revoltado, tendo arrancado suas insígnias e as atirado sobre a mesa do Comandante do II Exército, tendo sido punido por esse ato. Procedi a várias investigações em São Paulo, visando a aferição desses fatos, inclusive tentando manter contato, porém sem êxito, com esse General, tendo tido notícia de que o mesmo sofrera derrame cerebral, estava passando mal e de que sua família se opunha a qualquer contato e a qualquer referência aos fatos relativos a Sônia Maria.

As informações sobre as torturas, o estupro, o arrancamento dos seios de Sônia Maria e os tiros, me foram prestadas pessoalmente pelo coronel Canrobert Lopes da Costa e pelo advogado Dr. José Luiz Sobral. Minha filha, em sua militância política, utilizava o nome de Esmeralda Siqueira Aguiar. Em 1° de dezembro de 1973, ao ler no Jornal "O Globo" vi uma notícia sobre Esmeralda Siqueira Aguiar. Viajei imediatamente em companhia de minha mulher Cléa, de minha cunhada Edy, de minha outra filha, Ângela, e de meu futuro genro, Sérgio, para a cidade de São Vicente, dirigindo-me diretamente para a Rua Saldanha da Gama, 163, apto. 301, local onde residia Sônia Maria. Ao chegar a esse local, à noite, encontrei-o ocupado por alguns homens, em torno de 5 (cinco) ao que me recordo, membros das Forças da Segurança. Ao me recusar entregar minha carteira de identidade, cheguei a ser agredido. Após ter sido agredido, ameaçado de ser atirado do 3°andar e de ser metralhado por esses homens, consegui comunicar-me com o superior-de-dia do II Exército, em São Paulo, quando então, após identificar-me como Tenente-Coronel, consegui deste uma determinação por telefone diretamente a um dos 5 membros das Forças da Segurança, que me libertassem, mediante o compromisso de dirigir-me para um hotel em São Paulo, onde fiquei juntamente com minha mulher à disposição do II Exército e no dia seguinte prestei depoimentos no DOI-CODI.

Durante esse depoimento, indaguei aos interrogadores a respeito do paradeiro do corpo de minha filha, sendo que um destes respondeu que o corpo só poderia ser visto com a autorização do Comandante do II Exército.

Na tarde desse mesmo dia, viajei para o Rio de Janeiro em companhia de minha mulher para conversar com meu amigo, General Décio Palmeiro Escobar, Chefe do Estado Maior do Exército, já falecido, o qual me deu uma carta para ser entregue ao General Humberto de Souza Mello, carta essa em que o General Décio pedia "ao ilustre companheiro e amigo" que me liberasse, assim como minha mulher, de São Paulo, pois necessitávamos permanecer no Rio, onde dirigíamos um Colégio, bem como fosse liberado o corpo de Sônia para um sepultamento cristão.

Regressando a São Paulo em companhia de minha mulher, no dia seguinte, dirigi-me ao Quartel do II Exército para entregar a mencionada carta, sendo certo que o General Humberto não quis receber-me, e a carta foi levada pelo então Coronel Hugo Flávio Lima da Rocha, que, ao voltar do gabinete do General, deu a seguinte resposta: "o General manda te dizer que, por causa desta carta, você está preso a partir deste momento" e, como seu velho companheiro de Realengo, faço questão de, pessoalmente, levá-lo para o Batalhão da Polícia do Exército. No Batalhão da Polícia do Exército, fiquei preso durante 4 (quatro) dias, vindo a ser liberado, sem maiores explicações mas com a recomendação de que "regressasse ao Rio, nada falasse, não pusesse advogado e aguardasse em casa o atestado de óbito de Sônia que seria remetido pelo II Exército e, quanto ao corpo, não poderia vê-lo pois havia sido sepultado".

Somente decorridos muitos anos pude entender minha prisão, ou seja, naqueles dias Sônia Maria ainda estava viva e sendo torturada e, na medida em que era mantido preso, era possível evitar minha interferência, ao mesmo tempo que, com essa prisão, buscavam amedrontar toda a família.

Apesar do desespero, das ameaças e do conseqüente apavoramento, a família continuou insistindo em conhecer os detalhes sobre a morte de Sônia Maria e, nessa procura, o referido advogado, José Luiz Sobral, que se dizia amigo comum da família e do General Adir Fiúza de Castro, então Comandante do DOI-CODI do Rio de Janeiro, prontificou-se em obter esclarecimentos diretamente com esse General. O Dr. José Luiz Sobral, ao retornar das dependências do DOI-CODI do I Exército, claudicava um pouco, e insinuava 'ter levado umas cassetadas', trazendo-me um presente inusitado: um cassetete da Polícia do Exército, mandado pessoalmente pelo General Fiúza para a família, com a recomendação que não falasse mais sobre o assunto, pois 'todos estavam falando demais'.

Na ocasião, a família guardou o cassetete sem lhe dar maior importância e só recentemente, há uns 2 (dois) anos, é que pude fazer a interligação dos acontecimentos, ou seja, conclui estarrecido que o verdadeiro significado desse presente é que o mesmo General Fiúza nos enviava, como advertência, o próprio instrumento que provocara a morte de Sônia Maria. Este cassetete se encontra em meu poder, podendo ser apresentado a qualquer tempo.

A partir da morte de Sônia, todo final de semestre, nas Declarações de Herdeiros que prestava ao Ministério do Exército, colocava Sônia Maria Lopes de Moraes como minha herdeira, assinalando sempre que 'presumivelmente morta pelas Forças de Segurança do II Exército, deixo de apresentar a certidão de óbito porque não me foi fornecida ainda pelo II Exército, conforme prometido'. Essas declarações causavam mal-estar entre os militares, tendo sido aconselhado pelo chefe da pagadoria do Exército a requerer a certidão diretamente ao Comandante do II Exército. Apresentado o requerimento, em setembro de 1978, recebi uma correspondência onde o General Dilermando Gomes Monteiro, então Comandante do II Exército, afirmava que 'não cabe ao II Exército fornecer o atestado solicitado. No Cartório de Registro Civil do 20° Sub Distrito - Jardim América/SP, foi registrado o óbito de Esmeralda Siqueira Aguiar, filha de Renato A. Aguiar e de Lucia Lima Aguiar. O requerente procure o Cartório em causa, se assim o desejar.' O documento acrescentava, ainda, que 'mandara retirar do Cartório referido, por pessoa indiscriminada, uma certidão de óbito registrada, que fora fornecida sem qualquer problema'. A referida correspondência, subscrita pelo Comandante do II Exército, foi o primeiro reconhecimento oficial da morte de Sônia Maria. Apesar de ter requerido o atestado de óbito em nome de Sônia Maria Lopes de Moraes, a resposta do Comandante do II Exército foi a entrega de uma certidão de óbito em nome de Esmeralda Siqueira Aguiar. Tempos depois da entrega desse atestado de óbito, tomei conhecimento de um outro documento, 'Auto de Exibição e Apreensão', datado de 30 de novembro de 1973, em cujo verso há uma nota do DOI-CODI do II Exército, onde, no final, consta um 'em tempo: material encontrado em poder de Esmeralda Siqueira Aguiar, cujo nome verdadeiro é Sônia Maria Lopes de Moraes.

No Cemitério de Perus, consegui encontrar o registro de sepultamento de Esmeralda Siqueira Aguiar, na Quadra 7, Gleba 2, Terreno 486, com algumas rasuras, em datas principalmente. Nessa oportunidade, os ossos de Sônia não podiam ser exumados porque estava sepultado na parte de cima um outro cadáver. Tivemos que aguardar ainda 3 (três) anos para a pretendida exumação, ocorrida em 16 de maio de 1981. Nessa ocasião reclamei das divergências existentes entre o que constava do laudo assinado pelos legistas Harry Shibata e Antônio Valentine e a realidade da ossada retirada, pois, ao contrário do que constava nesse laudo, o crânio que seria o de Sônia não apresentava nenhum orifício de entrada ou saída de projétil de arma de fogo e estava inteiro. Apesar dessas discrepâncias, levamos os ossos para o Rio de Janeiro, sepultando-os no Cemitério Jardim da Saudade, mais precisamente no Lote 18874, Espaço B, Setor IV, e, durante um ano, todos os sábados, juntamente com minha mulher, ia ao Cemitério e levava flores em homenagem a minha filha.

Além da ação proposta na I Vara de Registros Públicos para retificação de identidade, intentamos outra na Auditoria Militar de São Paulo, pleiteando a abertura de IPM para averiguar as verdadeiras causas da morte de minha filha, bem como a falsidade da certidão e laudo assinados por Harry Shibata e Antonio Valentine. Esse processo, na Auditoria Militar, teve seu curso normal até que o Comandante da II Região Militar, General Alvir Souto se negou a cumprir determinação do Juiz para a abertura de IPM, alegando insuficiência de provas.

Nessa ocasião a Juíza Dra. Sheila de Albuquerque Bierrembach determinou a exumação dos restos mortais sepultados no Cemitério Jardim da Saudade, bem como o seu exame pelo IML do Rio de Janeiro, constatando esse Instituto que aquela ossada não pertencia a Sônia, mas sim a um homem, negro, de aproximadamente 33 anos de idade.

Diante do estranho resultado dessa última exumação, a mesma Juíza Sheila Bierrenbach determinou que se fizessem, no Cemitério de Perus, tantas exumações quantas fossem necessárias até serem encontrados os restos mortais de Sônia Maria. Nessa busca, participei juntamente com minha mulher, familiares e amigos ainda de mais 4 exumações nesse mesmo Cemitério de Perus. Terminada a última dessas exumações foi encontrada uma ossada, que poderia ser a de Sônia. Porém, o crânio encontrado também não estava seccionado e os orifícios de entrada e saída de projéteis não coincidiam inteiramente com o laudo. Não tínhamos então a ficha dentária de Sônia, que havia sido perdida por seu dentista no Rio de Janeiro, Dr. Lauro Sued. Não tínhamos elementos de convicção para aceitar aqueles restos mortais como sendo os de Sônia e, por isso, tentamos impugnar as conclusões do IML de São Paulo, apresentando 11 quesitos e 10 fotografias do crânio de Sônia quando esta tinha 11 anos de idade. A juíza, Dra. Sheila, finalmente, aceitou a conclusão do IML de São Paulo, no sentido de que aqueles eram, oficialmente, os restos mortais de Sônia Maria de Moraes Angel Jones."

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

** [Carta O BERRO] PARA NÃO ESQUECER JAMAIS! História de DEVANIR JOSÉ DE CARVALHO -XII-

Carta O Berro..........................................................repassem

DEVANIR JOSÉ DE CARVALHO

UM EXEMPLO DE RESISTENCIA E DE LUTA DE CLASSE OPERÁRIA


Thainá Siudá e Fernanda Toscano




Mineiro, nascido no dia 15 de julho de 1943, na cidade de Muriaé, Devanir era filho de José Carvalho e Esther Campos de Carvalho e irmão de Derli, Daniel, Joel, Jairo e Helena. Na década de 1950, sua família, de origem camponesa, mudou-se para São Paulo, para a região do ABCD. Era a época do início da instalação das indústrias metalúrgicas e automobilísticas na região.Juntamente com seus irmãos Derli, Daniel e Joel, com quem aprendeu o ofício de torneiro mecânico desde a adolescência, trabalhou nas indústrias da região – Villares e Toyota, entre outras. Em 1963, casou-se com Pedrina, com quem teve dois filhos: Carlos Alberto José de Carvalho e Ernesto Devanir José de Carvalho.


A clandestinidade


Em 1963, logo que se empregou, uniu-se ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, militou por reformas de base e participou de greves, passeatas operárias e outras formas de mobilização. Nesse mesmo ano ingressou no Partido Comunista do Brasil, no qual militou até 1964. Depois do golpe militar, mudou-se para o Rio de Janeiro, devido às perseguições, e lá continuou sua militância na clandestinidade, trabalhando como motorista de táxi.


Em 1967, Devanir uniu-se à Ala Vermelha, dissidência do PCdoB. Em 1969, voltou para São Paulo e, depois de se desligar da Ala Vermelha, fundou o Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT).


O que foi a Ala Vermelha


A Ala Vermelha originou-se do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Este, por sua vez, é fruto de uma cisão no Partido Comunista Brasileiro (PCB), mas considera-se o verdadeiro continuador do partido fundado em 1922. A ruptura deu-se a partir da crítica ao pacifismo do PCB, que se definira por mudar o sistema pela via institucional.


Com o golpe de Estado de 1964, o PCdo B reafirma a Guerra Popular como caminho da luta revolucionária no Brasil, diferenciando-se do pacifismo do PCB e também da via da guerrilha urbana adotada pelas novas dissidências do PCB, a exemplo de Aliança Libertadora Nacional (ALN).
A Conferência do PCdoB realizada em 1967 provocou divisões internas, entre as quais se situa a do grupo de militantes oriundos, em sua maioria, do movimento estudantil, e em menor escala de setores operários do ABCD paulista e de integrantes das Ligas Camponesas. Este grupo fundou uma nova organização chamada Ala Vermelha.


A Ala Vermelha fez a crítica do PCdo B, fundamentalmente, em três aspectos:


1) – Análise da realidade brasileira, caracterizada como semifeudal, que exigiria uma etapademocrático-nacional. A Ala tendia a afirmar o caráter capitalista da economia brasileira;
2) – relegação, a segundo plano, da preparação da guerra popular. A Ala se propunha a"organizar um partido de novo tipo em função da luta armada";
3) – autoritarismo dos dirigentes do PCdoB na condução dos debates relativos àsdivergências internas.


Embora reafirmando a estratégia maoísta da Guerra Popular Prolongada, com o cerco das cidades pelo campo, a Ala Vermelha considerava a necessidade de implantação imediata de um foco guerrilheiro rural como embrião do futuro Exército Popular e a formação de grupos armados na área urbana, para ações de apoio ao campo.


Partiu para a ação e foi o primeiro grupo a realizar ações armadas no Brasil, durante a ditadura militar, já no ano de 1968. Essas ações eram dirigidas pelo Grupo Especial Nacional (GEN), do qual participava Devanir Carvalho.


Uma intensa repressão desencadeada em 69 levou a Direção Nacional a conduzir uma profunda reflexão interna, a qual levou às conclusões contidas num documento de 16 pontos. A autocrítica considerava que a organização vinha tendo uma prática militarista e reorientava a linha política para a realização de trabalho de massa, especialmente no meio operário e nos bairros populares.


MRT – A hora e a vez das armas


O Grupo Especial Nacional (GEN) não aceitou a reorientação e, saindo da Ala, criou o Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), retomando o nome de uma organização criada por militantes das Ligas Camponesas, que se preparava para desenvolver a luta armada, quando foi dizimada logo após o golpe militar de 1964.


Pequena, mas combativa e eficiente, já em dezembro de 1969, o MRT realizou ações armadas em conjunto com outros grupos guerrilheiros com os quais formou uma Frente (ALN, VPR e REDE). Foram assaltos simultâneos a dois bancos. Essa ação teve grande repercussão porque a ditadura militar vinha alardeando o "fim do terror", após o assassinato de Carlos Marighella, ocorrido em novembro daquele ano ( V. A Verdade, Ano I nr. 12 ).


O MRT passou todo o ano de 1970, com a Frente, realizando ações armadas de expropriação e o seqüestro do cônsul-geral do Japão em São Paulo para obter a libertação de presos políticos. No início0 de 1971, começou um processo de debates para formulação de sua linha política, mas a repressão se abateu pesada e dizimou seus principais dirigentes (Devanir Carvalho, Joaquim Alencar de Seixas e Dimas Antônio Cassemiro, inviabilizando a continuidade do movimento político-militar.


A prisão


Por volta de 11 horas da manhã do dia 5 de abril de 1971, Devanir chegou à Rua Cruzeiro, n° 1111, Bairro de Tremembé, em São Paulo, onde foi recebido pela polícia com uma rajada de metralhadora, que o deixou imobilizado. Levado para o Deops, passou a ser torturado pelo delegado Sérgio Fleury e sua equipe. Foi assassinado por volta das 18 horas do dia 7 de abril de 1971.


Segundo a versão policial, Devanir foi morto em confronto com a polícia, mas o próprio delegado Fleury fazia questão de deixar claro que pretendia prendê-lo e levá-lo à morte por meio de tortura. Esses avisos eram mandados pelos próprios irmãos de Devanir, que permaneceram presos de 1969 a 1970. Fleury dizia: "Avisem ao Henrique (nome de guerra de Devanir) que encomendei nos Estados Unidos um bastão tranqüilizante para poder pegá-lo vivo e que serei eu, pessoalmente, que o pegarei no pau". A família de Devanir prefere aceitar a versão de que ele foi morto em confronto com a polícia: "É melhor para nós. É muito difícil pensar que meu pai foi torturado até a morte", diz Ernesto, seu filho.


Depois da morte de Devanir, Pedrina chegou a ficar presa durante um mês, passando por torturas e conseguindo ser solta em seguida. Em julho de 1971, refugiou-se no Chile juntamente com seus filhos. Em 1973, Joel e Daniel, irmãos de Devanir que se encontravam no Chile, fizeram uma tentativa de voltar ao Brasil para regressar à luta, mas a partir daí são considerados desaparecidos políticos, não tendo até hoje seus corpos sido encontrados. Pedrina só regressou ao Brasil com seus filhos, três meses antes da anistia, em 1978.


Sem nenhuma fotografia que retrate o pai – todas foram levadas pela polícia –, Ernesto, filho de Devanir, diz que tentou formar a imagem da figura paterna: "Tenho uma foto em que ele está com o rosto coberto para não ser identificado. Há uma outra em que está comigo e meu irmão, mas foi tirada de muito longe e não dá para reconhecê-lo. O que restou foi uma foto 3x4, onde ele está disfarçado, barbeado e de óculos".


O reconhecimento


Devanir foi muito reconhecido em países como Portugal, Argentina, França e Brasil, onde sua família esteve exilada. Embora a polícia, cão-de-guarda da ditadura militar fascista, tenha feito de tudo para que Devanir fosse conhecido como criminoso, não conseguiu esconder o que ele foi, verdadeiro herói da luta pela libertação da classe operária do jugo da exploração capitalista. Hoje, sua história também é relembrada em uma escola municipal em Diadema, que se chama Devanir José de Carvalho e que comemorou seus 10 anos em outubro, servindo de exemplo para a juventude e a classe operária que ainda sofrem com a opressão do sistema capitalista.
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FONTES


- Dos Filhos deste solo, Nilmário Mário Miranda e Carlos Tibúrcio
- Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a partir de 1964, Comissão de Familiares, Instituto de Estudo da Violência do Estado e Grupo Tortura Nunca Mais.
- Perfil dos Atingidos. Projeto: Brasil: Nunca Mais, Arquidiocese de São Paulo.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

** Newsletter CPDOC, 19/01/2011



Newsletter CPDOC
19 de janeiro de 2011   
Informativo do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea da Fundação Getulio Vargas. http://www.fgv.br/cpdoc

  Nesta edição:
  1. James McGann profere palestra aberta sobre Think Tanks na FGV
  2. Inscrições abertas para o MBA em Relações Internacionais
  3. Inscrições abertas para a Pós-Graduação em Cinema Documentário
  4. Inscrições abertas para o MBA em Bens Culturais: Cultura, Economia e Gestão
  5. Chamada de papers para a 6ª Conferência Geral do ECPR





1. James McGann profere palestra aberta sobre Think Tanks na FGV


sobe


James McGann, renomado pesquisador sobre Think Tanks, professor da Universidade da Pensilvânia e Senior Fellow no Foreign Policy Research Institute, visitará a FGV entre os dias 7 e 8 de fevereiro. Prof. McGann dirige o Think Tanks and Civil Societies Program e coordena o International Survey of Think Tanks, que avalia anualmente a influência política e econômica de 817 think tanks em 95 países. No ranking elaborado por McGann, a FGV foi considerada o mais importante think tank da América Latina.
O professor McGann proferirá uma palestra aberta, intitulada Think Tanks: The Global, Regional and National Dimension, em 8 de fevereiro, às 16h, no auditório 1028.

Mais informações em: http://www.fgv.br/cpdoc



2. Inscrições abertas para o MBA em Relações Internacionais


sobe


O objetivo do MBA em Relações Internacionais da FGV é qualificar profissionais graduados para lidar criticamente com a conjuntura mundial, desenvolvendo seu instrumental analítico e preparando-o para atuar, principalmente, em empresas públicas e privadas, consultorias especializadas, firmas de advocacia, no mercado financeiro, no poder público, no jornalismo e em organizações e grupos internacionais. O curso é composto por seis disciplinas presenciais e duas on-line, sua carga horária totaliza 432 horas-aula, distribuídas em aproximadamente 14 meses.
O MBA em Relações Internacionais é vinculado ao Centro de Relações Internacionais da FGV, sediado no CPDOC. Mais informações em http://www.fgv.br/cpdoc/ri ou pelos telefones (21) 3799-5902 ou 5900.



3. Inscrições abertas para a Pós-Graduação em Cinema Documentário (Rio e São Paulo)


sobe


Com turmas em renovação desde 2005, a Pós-Graduação em Cinema Documentário combina as experiências de profissionais de cinema que, além de produzirem documentários, têm reflexão intelectual sobre o gênero, e a dos professores do CPDOC. O Programa fornece base teórica e prática para os interessados em realização, pesquisa e reflexão na área de Cinema Documentário.
O curso tem como público alvo graduados de todas as áreas do conhecimento que pretendam atuar como realizadores e pesquisadores de documentário. A coordenação acadêmica do curso é de Eduardo Escorel; a coordenação executiva, de Adelina Novaes e Cruz (adelina.cruz@fgv.br).
Informações adicionais para nova turma no Rio de Janeiro: http://www5.fgv.br/mgmrio/novosite/mgm-rio/DetCurso.aspx?codCurso=479
Informações adicionais para nova turma em São Paulo: http://www5.fgv.br/mgmsp/MGM-SP/DetCurso.aspx?codCurso=267



4. Inscrições abertas para o MBA em Bens Culturais: Cultura, Economia e Gestão


sobe


Um curso que alia excelência acadêmica e foco no mercado de bens culturais. O aluno do MBA em Bens Culturais: Cultura, Economia e Gestão, estará habilitado a aplicar o conhecimento produzido pela FGV em Ciências Sociais, Economia e História a uma das áreas mais dinâmicas do mundo contemporâneo. O curso foi criado em parceria por duas escolas da FGV - Escola Superior de Ciências Sociais (FGV/CPDOC) e Escola de Economia de São Paulo (FGV/EESP).
Apesar da importância e da expansão da área cultural, as ações e os projetos culturais carecem de recursos humanos com formação específica, focada nas áreas de história e cultura, de economia, de produção e gestão de bens culturais. O objetivo do MBA é dar aos profissionais que atuam, ou queiram atuar nesta área, (i) uma formação ampla, no que se refere à análise da evolução histórica e econômica do setor no Brasil e (ii) especializada, dando-lhes elementos para: conformar uma visão estratégica; controlar ferramentas de formulação, viabilização, implementação, avaliação e divulgação de projetos. O curso se destina a profissionais graduados em qualquer área do conhecimento que busquem se especializar no desenvolvimento de atividades ou projetos privados e públicos relacionados a ações culturais e produção e gestão de bens culturais. É voltado, particularmente, para profissionais que atuam em empresas privadas ou fundações (institutos culturais, fundações de fomento à cultura) ou públicas (museus, setores culturais), em áreas de responsabilidade social, em agências do poder público e em organizações do Terceiro Setor.
Mais informações podem ser obtidas em: http://www5.fgv.br/mgmsp/MGM-SP/DetCurso.aspx?codCurso=265



5. Chamada de papers para a 6ª Conferência Geral do ECPR


sobe


A 6ª Conferência Geral do European Consortium for Political Research acontece na Islândia, de 24 a 27 de agosto de 2011. A professora do CPDOC Elena Lazarou será chair do painel "Multilateralism and Global Transformations: new actors and new issues". Sua co-chair, Tatiana Coutto, doutora pelo European University Institute, é bolsista no CPDOC/FGV. As propostas de trabalho devem ser submetidas pelo site da ECPR, e o prazo se encerra em 1 de fevereiro. Mais informações em http://www.fgv.br/cpdoc/ri.
Dúvidas ou informações, escreva para faleconosco.cpdoc@fgv.br.
CPDOC/FGV
Praia de Botafogo, 190, 14° Andar - Botafogo  •  Rio de Janeiro  •  22253-900  • 
Tel.:(21) 3799.5676  •  Fax: (21) 3799.5679  •  e-mail: faleconosco.cpdoc@fgv.br  • 
Internet: http://www.fgv.br/cpdoc

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Atividade nos últimos dias:
    **Este grupo foi criado com o intuito de promover releituras da HISTÓRIA DO BRASIL e tão-somente  HISTÓRIA DO BRASIL.  Discussões sobre a situação atual: política, econômica e social não estão proibidas, mas existem outros fóruns mais apropriados para tais questões.


                                                                                                    Por Favor divulguem este grupo e grato pelo interesse .
 
Visite o Blog do nosso Grupo:http://www.grupohistoriadobrasil.blogspot.com

** ENCONTRO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESTU DOS DE DEFESA

 

Informamos que as inscrições para proposição de trabalhos ( comunicações) em Simpósios Temáticos no V Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos de Defesa - ABED, estão abertas.
A relação de Simpósios Temáticos bem como o Edital de Chamada de Trabalhos contendo as instruções para as inscrições encontram-se no site da ABED: http://www.abed-defesa.org/



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** Passeio Cultural "A presença francesa no Rio de Janeiro"

 

A Imagem Cultural tem o prazer de apresentar o Passeio Cultural:
"A presença Francesa no Rio de Janeiro"

Os Passeios Culturais promovem a integração entre homem e a arquitetura da cidade, reafirmando a idéia de valorizar e preservar o Patrimônio Cultural gerando assim, responsabilidade social.
Conscientizando e divertindo, os passeios são uma ótima forma de lazer. Os grupos têm, no máximo, 30 pessoas, e são guiados por um professor de História da Arte, que comenta aspectos fundamentais das transformações urbanísticas naquele determinado espaço.
No próximo dia 29 de janeiro(sábado), vamos observar e discutir os estilos Art Decó e Art Nouveau presentes na arquitetura do centro do Rio de Janeiro.

Confira as informações abaixo!




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** [Carta O BERRO] PARA NÃO ESQUECER JAMAIS! História de Frederico Eduardo Mayr -XI-

Carta O Berro..........................................................repassem



Frederico Eduardo Mayr


Militante do MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO POPULAR (MOLIPO).

Nasceu em Timbó, Santa Catarina, em 29 de outubro de 1948, filho de Carlos Henrique Mayr e Gertrud Mayr.


Foi baleado e preso pelos agentes do DOI/CODI-SP no dia 23 de fevereiro de 1972, na avenida Paulista, em São Paulo.


Levado às câmaras de tortura do DOI/CODI, apesar de ferido com um tiro no abdômen. Frederico foi visto pelos outros presos recolhidos àquele órgão de repressão política, sendo torturado na chamada "cadeira de dragão".


Vários companheiros, estiveram com ele antes de ser morto pelos torturadores. Entre os quais, José Carlos Gianini, que afirma não haver possibilidades de Frederico ter travado tiroteio com os policiais, nem mesmo se tivesse conseguido fugir, pois estava muito debilitado devido ao ferimento a bala e às torturas.


Segundo os depoimentos desses presos, foi torturado até a morte pelos integrantes da Equipe "C" do DOI/CODI paulista, investigador de Polícia Federal "Oberdan", investigador de polícia do DEOPS lotado no DOI/CODI Aderval Monteiro, vulgo "Carioca", escrivão de polícia Gaeta, vulgo "Mangabeira" e um policial conhecido como "Caio", da Polícia Civil de São Paulo, todos comandados pessoalmente pelo hoje general da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe do DOI-CODI e pelo vice-chefe, Tenente-Coronel Dalmo Lúcio Muniz Cirillo.


No processo n° 100/72 da 2ª Auditoria Militar de São Paulo, vários presos políticos denunciaram a prisão e morte de Frederico, pois o estavam processando como revel, quando o Juiz Nelson Machado Guimarães fez excluir seu nome, extinguindo sua punibilidade por morte, só reconhecida naquele momento. As várias denúncias feitas nunca foram registradas devido à negativa do referido juiz.


Enterrado sob nome falso no Cemitério Dom Bosco, em Perús/SP, seus restos mortais estavam na Vala de Perus. A ossada de n° 246 era de Frederico, sendo identificada, em 1992, no Departamento de Medicina Legal da UNICAMP. Seus restos mortais foram trasladados para o jazigo da família, no Rio de Janeiro, em 13 de julho de 1992.


Todos documentos policiais têm seu nome verdadeiro e na ficha individual (documento do DOPS/SP 30Z-165-124), além do nome verdadeiro, dados de qualificação, ficha datiloscópica e fotos de frente e de perfil, há também os nomes falsos. Portanto, Frederico foi identificado pelos órgãos da repressão. No DOPS/SP foi encontrada ficha individual , feita no dia 24 de fevereiro de 1972, pelo Serviço de Identificação do Exército com fotos de Frederico ainda vivo, catalogada no DOI sob o n° 1112 e que dá como local da prisão a avenida Paulista e data de 23 de fevereiro de 1972. No entanto, sua certidão de óbito foi lavrada em nome de Eugênio Magalhães Sardinha e enterrado como indigente no Cemitério de Perús/SP.


Assinaram o laudo da necrópsia os médicos legistas Isaac Abramovitch e Walter Sayeg.


Um documento encontrado no arquivo do antigo Dops/SP, conta a mesma história afirmada pelo IML. O que impressiona na versão oficial são os detalhes do inacreditável tiroteio, onde ele teria morrido. Diz o documento, que os guerrilheiros, a bordo de um fusca "começaram a atirar contra os policiais sem serem provocados". No combate que aconteceu, só Frederico caiu morto e os demais ocupantes do veículo não foram mais citados, nem como presos, nem como foragidos.


Dona Gertrud, sua mãe, dá o seguinte depoimento:


"O segundo de meus três filhos, Frederico foi educado com muito amor dentro dos mesmos princípios que eu recebi de meus pais. Em meio aos valores encontrados em Timbó, área de colonização européia, lugar onde eu nasci e fui criada, Frederico cedo aprendeu que todos os homens são iguais e têm o seu valor próprio independente de seu trabalho. Ainda criança, veio para o Rio de Janeiro. Viemos todos. Seu pai, Carlos Henrique Mayr é médico e estabelecido com sucesso na Zona Sul do Rio de Janeiro. Convivendo no meio agitado do Rio, Frederico manteve o ensinamento de como a liberdade de um limita a liberdade do próximo, esforço que fiz para prepará-lo a viver harmoniosamente na coletividade. Sempre atento às necessidades dos outros e generoso, demonstrava grande sensibilidade, qualidades próprias que, combinadas com a formação que Ihe dei, o levaram a se preocupar com o próximo. Cursou o primário na escola municipal Dr. Cócio Barcellos, uma escola da rede pública em Copacabana, próxima de nossa casa, ensino igual para todos, princípio que achávamos importante em sua educação. Fez seu curso ginasial e científico no Colégio Mallet Soares, também em Copacabana. Ingressou na Faculdade aos dezoito anos de idade. Foi um escoteiro exemplar, dos sete aos dezesseis, na Tropa Baden Powell. Gostava muito da vida em contato com a natureza, dos acampamentos. Praticou a pesca submarina na adolescência. Era namorador e queria ser arquiteto.


Cursava o segundo ano da Faculdade de Arquitetura da UFRJ e se dedicava às artes plásticas, quando foi forçado, pelas circunstâncias, a sair de casa para viver na clandestinidade. Tinha um futuro promissor pela frente, tanto na arquitetura como nas artes. Seu desempenho foi elogiado tanto por seus professores na faculdade, e entre eles Ubi Bava, como por artistas plásticos com quem se relacionava, Ilio Burrini e Ivan Serpa, os mais próximos. Serpa foi o primeiro que lhe ensinou os segredos das tintas e dos pincéis e como dividir o espaço nas telas. Participou coletivamente de sua primeira exposição apresentando dois trabalhos aos quinze anos. Frederico não foi o filho que eu perdi, mas o meu filho que todos nós perdemos. Quando existe um nascimento, sabemos que vai existir a morte. Mas o que aconteceu comigo, com a minha família e outras em situação semelhante, não segue a lei natural.


O que se passou conosco foi uma afronta à dignidade humana. Frederico Eduardo, julgado e absolvido, no Conselho Permanente de Justiça, em 21 de setembro de 1972, inocência confirmada no STM em 15 de fevereiro de 1974, já não era vivo. Baleado, preso e torturado por agentes do DOI/CODI de São Paulo, Frederico Eduardo havia morrido em 22 de fevereiro de 1972, fato que só vim a saber muitos anos depois.


Em outro depoimento sua mãe conta:


"Em 1969, em um dos primeiros processos nas Auditorias Militares do Rio de Janeiro, meu filho viu-se envolvido em uma ação penal que tinha como co-réus os cidadãos Jorge Raymundo Jr., Carlos Fayal, Carlos Alberto Nolasco e outros, sendo Frederico condenado à revelia à pena de três anos. Essa condenação motivou protesto de Jorge Raymundo em plena sessão de julgamento, quando, aos gritos, disse que Frederico era inocente.


A partir dessa condenação, meu filho entrou para a clandestinidade. A família recebeu um bilhete dele pedindo para trancar matrícula na Faculdade. Não recebemos mais informações dele.


No final de 1972, em uma outra ação penal na Justiça Militar do Rio de Janeiro, foi juntado por um advogado um recorte de jornal que noticiava a morte de Flávio Carvalho Molina. Embora essa notícia não mencionasse Frederico, a família pediu ao advogado Mário Mendonça que fosse a São Paulo para obter informações. O advogado voltou dizendo que nada constava em São Paulo segundo as informações que recebera das autoridades sobre uma eventual prisão ou morte de Frederico. Foi neste momento que Nelson Lott me perguntou se Frederico ainda estava vivo. A partir desse instante tomei consciência de que meu filho pudesse ter sido preso e eventualmente morto.


Foi somente em 1979, quando da promulgação da Lei de Anistia, que vimos o nome de meu filho ser publicado em listas dos Comitês Brasileiros pela Anistia, ora como morto, ora como desaparecido. Membros do CBA/SP procuraram familiares meus no Rio de Janeiro com cópias de documentos do processo, onde as autoridades judiciárias extinguiam sua punibilidade por ter sido morto por órgãos de segurança e enterrado no Cemitério de Perus sob o falso nome de Eugênio Magalhães Sardinha. Na justiça foi feita retificação do assentamento de óbito, substituindo os dados falsos pelos verdadeiros. Após ter sido encontrado enterrado em Perus, sob o nome falso de Nelson Bueno, o perseguido político Luis Eurico Tejera Lisboa (o primeiro desaparecido político encontrado), em 1979, fui ao Cemitério de Perus para buscar informarções sobre meu filho e naquele registro não constava o nome de Frederico nem se encontrou anotações com o sobrenome Sardinha.


Apesar da informação da morte constar em processo na Justiça Militar, meu filho continuou a responder a outras ações penais em outras auditorias militares."




Jornal A Notícia/Joinvile - 04/07/03


Outra vítima inocente da cadeira do dragão


"Segundo de meus três filhos, Frederico foi educado com muito amor dentro dos preceitos que recebi de meu pai. Desde cedo aprendeu que os homens são iguais e têm o seu valor próprio independente de seu trabalho. Era namorador, queria ser arquiteto. Frederico não foi o filho que eu perdi, mas o filho que todos nós perdemos. O que se passou conosco foi uma afronta à dignidade humana. Frederico, julgado e absolvido, inocência reafirmada no Superior Tribunal Militar em 1974, já não era mais vivo. Baleado, foi preso e torturado até morrer, três dias depois".


(Depoimento da mãe de Frederico, Gertrud Mayr)


Mesmo absolvido em inquérito policial, Frederico Eduardo Mayr foi preso e torturado até a morte em 1972


A cadeira do dragão contabilizava mais uma vítima. O jovem sobre o assento agonizava com o buraco de tiro na barriga, recebido horas antes. A equipe "C" estava a postos. Oberdan, Carioca, Mangabeira e Caio, todos policiais civis paulistanos formados na arte da tortura pela cartilha do hoje general da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra, insistiam em protagonizar o sofrimento com choques elétricos e batidas com uma madeira dura nas debilitadas pernas do rapaz. A cadeira era um instrumento de tortura pesado, com zinco em sua base. Na parte posterior havia terminais de choque, aplicados em todas as partes do corpo. Tinha também uma travessa de madeira que empurrava as pernas para trás. A cada espasmo do choque, as pernas batiam na travessa, causando ferimentos. Frederico Eduardo Mayr, 24 anos, pedia clemência a seus sarcásticos algozes. Em vão. Torturado por mais 72 horas ininterruptas, não resistiu e morreu.


Frederico Eduardo Mayr era o do meio de uma família com três filhos. Alegre, comunicativo, tinha inclinação para as artes, principalmente as plásticas. Seus quadros continham cores vivas, mostrando o cotidiano de sua vida. Seu sonho era ser arquiteto. Filho de descendentes alemães e suíços, nasceu em Timbó em 1948 e enfrentou desde cedo uma educação rígida do pai. "Nada do que os filhos faziam era bom", recorda a mãe, Gertrud.


A mãe sempre se preocupou com a educação dos filhos. Sempre que podia, levava as crianças a exposição de artes, concertos musicais e museus. Isso ficou mais freqüente quando a família se mudou para o Rio de Janeiro, onde o patriarca, Carlos Henrique, médico, iria clinicar. Frederico não tinha intimidade com a música; preferiu a pintura. Ao contrário de sua mãe, que sempre dedilhava canções clássicas no piano recostado na sala de estar da residência da família. Como não tinha muito dinheiro para comprar material, Frederico improvisava. Construía suas próprias telas, o que dava ainda mais originalidade a seu trabalho.


Convivendo com a agitação cultural do Rio de Janeiro da década de 60, Frederico aos poucos construiu um círculo de amizades onde pôde debater política e sociedade sem constrangimentos. O grupo se reunia de tempos em tempos para discutir a situação do País, ações que pudessem ser feitas para melhorar as condições sociais da maioria da população. Daí para a militância foi um passo. Depois de 1968, integrou-se ao Movimento de Libertação Popular (Molipo) e passou a efetuar ações coordenadas com o grupo. Passou a viver na clandestinidade.


Na versão oficial, teria sido preso em 23 de fevereiro de 1972, na avenida Paulista, quando fazia contatos com companheiros estabelecidos em São Paulo. O inquérito policial militar aponta para um tiroteio entre Frederico e policiais, quando ele foi ferido na barriga. Um documento encontrado posteriormente pela família no Dops dá detalhes do inacreditável tiroteio, em um texto recheado de contradições. Diz o documento "que os guerrilheiros, a bordo de um Fusca, começaram a atirar contra os policiais sem serem provocados". No combate que teria acontecido, só Frederico foi baleado e os demais ocupantes do veículo não foram mais citados, nem como presos, nem como foragidos. Frederico foi enterrado como indigente no cemitério de Perus e seus restos mortais só foram identificados oficialmente em 1992.


"A arte amenizou minha dor"


Blumenau - Demorou longos anos para que Gertrud Mayr convivesse com mais naturalidade com a perda trágica do filho Frederico. O ópio para a dor veio das artes. Foi só depois que começou a pincelar telas que ela conseguiu alento para continuar vivendo. "A arte amenizou minha dor da perda", reconhece Gertrud, enquanto passeia com as mãos pelas obras que faz questão de mostrar num ateliê improvisado na casa de idosos onde vive, em Blumenau. "Agora consigo falar sobre isso e entendo que o sacrifício dele está servindo. Um pouco, mas está servindo".


Gertrud lembra da perseguição que a família teve de suportar enquanto Frederico não era detido. "É quase como morrer aos poucos", relembra, ao contar a revista de policiais na casa da família no Rio de Janeiro. "Um deles chegou a pegar o menino, o Luiz Roberto (outro filho) para interrogar", diz. Outro alívio para dona Gertrud foi encontrar os restos mortais do filho, na vala de Perus, em São Paulo. Foi um peso retirado dos ombros. "Se não tivesse recebido a identidade do meu filho não estaria assim, vivendo. Estaria um caco, talvez até em cadeira de rodas", acredita. No pequeno apartamento do lar onde vive, guarda fotos e quadros pintados por Frederico.


Os irmãos Carlos Henrique, médico, 56 anos, e Luiz Roberto, arquiteto, 46, continuam sofrendo com a morte de Frederico. "À medida que o tempo vai passando fica ainda mais difícil lidar com tudo isso", reconhece Luiz Roberto. "Essas pessoas foram à luta, atrás de seus ideais. É um exemplo que fica", diz ele. Quando passou a viver na clandestinidade, Frederico perdeu um pouco do contato com a família. Ele foi julgado por participação em assalto a banco e condenado à revelia. O pai se recusou a pagar advogado, deixando o caso para a defensoria pública. "Quando Frederico pediu ajuda ao pai, ele não levou a sério", recorda Gertrud. Foi a partir da condenação que ele passou a viver na clandestinidade, depois de trancar a matrícula na faculdade de arquitetura. (LFA)


Nome Frederico Eduardo Mayr


Nascimento 1948, em Timbó/SC


Profissão Estudante


Militância Movimento de Libertação Popular (Molipo)


Morto em 1972. Corpo localizado na vala de Perus e identificado em 1992. Enterrado no jazigo da família, no Rio de Janeiro

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