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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

** INFORME - ANPUH

 












A ANPUH nacional vem participando ativamente da discussão relativa ao novo Código de Processo Civil – CPC, que tramita no Congresso Nacional. O artigo 967 do projeto previa a eliminação/destruição de processos judiciais após decorridos cinco anos do seu arquivamento, o que implica a eliminação de fontes fundamentais para a construção do conhecimento histórico. Sobre isso, basta lembrar que boa parte da renovação experimentada pela historiografia brasileira a partir da década de 1980 teve como base documental os processos judiciais.
A proposta gerou severas críticas de parte de diversas entidades e instituições voltadas à pesquisa histórica, em especial da ANPUH. Pesquisadores também manifestaram-se contrários a essa possibilidade de eliminação e destruição de fontes de pesquisa, a exemplo da historiadora Silvia Lara, da UNICAMP, que, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo de 25.8.2010, afirmou que a proposta "[...] atropela a obrigação do Estado de preservar documentos históricos, viola regras arquivísticas básicas e reforça a moda burocrática de limpar o passado destruindo fontes importantes para a memória do país".
Em função dessas reações, o Senador Eduardo Suplicy (PT-SP) propôs a modificação do art. 967 no sentido de que os processos judiciais e demais documentos produzidos pelo Poder Judiciário fossem preservados. Essa Emenda [ver anexo], sob aplausos das entidades de pesquisa e da sociedade em geral, foi acolhida por unanimidade na reunião da Comissão Temporária realizada no dia 11.8.2010.
Surpreendentemente, o texto do parecer final do Relator trouxe redação diversa da que havia sido apresentado pelo Senador Suplicy, retomando a eliminação dos autos findos aos cinco e transformando o direito à preservação em uma obrigação individual das partes. Os opositores da preservação alegaram que a Emenda, se aprovada, provocaria despesas inviáveis aos Tribunais. No momento da votação, em 15.12.2010, dada a tensão colocada e a dificuldade política real de ser aprovada a Emenda Suplicy, a solução encontrada foi a de retirar o artigo originalmente proposto, ou seja, retirar a possibilidade da eliminação e, para que a questão seja melhor debatida na sociedade civil e na Câmara dos Deputados. Portanto, precisamos ficar atentos. A possibilidade de destruição desses documentos é real!!
Esta é uma luta dos historiadores! Acompanhe o debate sobre o novo CPC. Participe das audiências públicas! Pressione os deputados de seu estado para que aprovem legislação que possibilite a preservação dos documentos judiciais.

Benito Bisso Schmidt

2º Tesoureiro da ANPUH, Professor da UFRGS e Diretor do Memorial da Justiça do Trabalho no Rio Grande do Sul.


1. XVI Simpósio Nacional de História.
Nos dias 9 e 10 de dezembro esteve reunido o Conselho Científico do XVI Simpósio Nacional de História. Nesta oportunidade foram avaliadas as propostas inscritas para a oferta de Simpósios Temáticos e Mini-Cursos. Foram 141 propostas de Simpósios Temáticos e 70 propostas de Mini-Cursos. Todas as propostas de Mini-Cursos foram aprovadas e estarão disponíveis para a inscrição a partir do dia 01 de janeiro de 2011, na página do Simpósio Nacional na internet: www.snh2011.anpuh.org. Foram aprovadas 130 propostas de Simpósios Temáticos que também estarão disponíveis para a inscrição de trabalhos a partir do dia 01 de janeiro de 2011, também através da página do Simpósio na internet. Foram recusadas apenas aquelas propostas que não atenderam aos requisitos mínimos exigidos: clareza e abrangência necessária; redação inteligível; preenchimento do formulário de inscrição em todos os seus campos. Foram também definidos os nomes dos quatro conferencistas internacionais que serão convidados a fazer parte da programação: François Hartog (École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris, França) que fará a conferência de encerramento; Hendrick Kraay (University of Calgary, Canadá); Silvia Rivera Cusicanqui (Profa. Emérita da Universidad Mayor de San Andrés, La Paz, Bolívia e Docente do Programa Andino de Direitos
Humanos da Universidad Andina Simón Bolivar) e Jorge Cañizares Esguerra (University of Texas, EUA). Foram também sugeridos alguns nomes que poderão vir a ser convidados na qualidade de conferencistas nacionais e definidas as temáticas que serão objeto de reflexão por parte das mesas-redondas, sejam aquelas de caráter político-institucional, sejam aquelas de caráter acadêmico-científico. Deliberou-se que as Seções Regionais terão até o dia 20 de janeiro de 2011 para apresentarem as suas sugestões de nomes para proferirem conferências e propostas de mesas-redondas.
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2.Encontros Estaduais e Regionais de História.
O Presidente da entidade, professor Durval Muniz de Albuquerque Júnior, ministrou no dia 25 de setembro de 2010 a conferência de encerramento do II Encontro Estadual de História de Alagoas, uma promoção da ANPUH-AL. No dia 29 de setembro de 2010 ministrou a conferência de abertura do IV Encontro Estadual de História do Maranhão, uma iniciativa da ANPUH-MA. No dia 09 de outubro de 2010 proferiu a conferência de abertura do XII Encontro Regional de História do Paraná, um evento realizado pela ANPUH-PR. No dia 11 de outubro de 2010, proferiu a conferência de abertura do IV Encontro Regional de História do Piauí, uma atividade organizada pela ANPUH-PI. O Presidente esteve presente em 14 dos 20 encontros estaduais ou regionais que foram ou serão ainda realizados este ano pelas diversas Seções Regionais da entidade. iê.

3.Revista Brasileira de História.
Encontra-se no ar o primeiro número apenas no formato digital da Revista Brasileira de História (volume 30, edição. 59) tal como foi deliberado pela Assembléia Geral no XV Simpósio Nacional de História, a versão em inglês deste número está prevista para janeiro de 2011.
Relembramos que nossa revista está disponível na página do Scielo e pode ser acessada a partir da página da ANPUH, clicando no link RBH. O dossiê deste número intitula-se História e Historiadores e trata de questões concernentes a escrita da história abordando distintos autores, temáticas e épocas. Como trata-se de uma experiência pioneira espera-se dos colegas críticas, sugestões, avaliações para que possamos aperfeiçoar cada vez mais a editoração da revista.
O lançamento do volume 30, edição 60, dossiê História, Educação e Interdisciplinaridade esta previsto para janeiro de 2011.
Aos interessados em enviar artigos ou resenhas para edição 61, dossiê Comemorações, lembramos que o prazo é o dia 31 de março de 2011.
Por fim informamos que o projeto para editoração da RHB para o ano de 2011 foi aprovado pelo CNPQ.

4.Organização, Catalogação e Digitalização da Documentação da ANPUH.
Sob a coordenação da professora Ana Maria Camargo, deu-se início ao processo de organização, catalogação e digitalização da documentação da entidade. Esta documentação encontra-se precariamente acondicionada, sob ameaça de desaparecimento. Numa primeira etapa foram, até agora, digitalizados os anais relativos a 11 Simpósios Nacionais, desde o primeiro realizado na cidade de Marília em 1961 passando pelos realizados nos anos de 1962, 1965, 1967, 1969, 1971, 1973, 1975, 1977 e os realizados nos anos de 1997 e 1999. Foram também digitalizados os elencos ou livros de programação, já que não se encontrou anais, dos Simpósios Nacionais realizados em Niterói em 1979, João Pessoa em 1981, Curitiba em 1985 e Brasília em 1987. Dos Simpósios Nacionais realizados em 1991 no Rio de Janeiro e 1993 em São Paulo foram localizadas e digitalizadas as coletâneas que resultaram da realização do evento. Os Simpósios realizados a partir de 2003 já
tiveram seus anais no formato eletrônico, não necessitando de nova digitalização. Não foi encontrado na entidade qualquer tipo de material referente a dois Simpósios Nacionais: o XII, realizado na cidade de Salvador, em 1983 e o XXI realizado na cidade de Niterói em 2001. Solicitamos que algum sócio ou colega que disponha de cópias dos anais destes Simpósios dos quais temos apenas os elencos ou livros de programação, as coletâneas ou destes dois sobre os quais nada temos, que entrem em contato com a entidade para que vejamos a forma mais adequada de reproduzi-los. Foram digitalizadas até agora 13.272 páginas, contendo 2.920 referências bibliográficas.


5.Comemoração dos 50 anos da entidade.
As atividades programadas para compor a programação de comemoração dos 50 anos da entidade continuam em andamento:
a) Edições ANPUH: Os dois primeiros volumes que abrirão esta coleção, o livro O Algodão em São Paulo, da fundadora da entidade, professora Alice Canabrava e o livro O Rio de Janeiro de Lima Barreto, do ex-presidente da entidade e um dos seus mais constantes militantes o professor Afonso Carlos Marques dos Santos, estão em processo de preparação para publicação pela Editora da UNESP, que já aceitou fazê-lo. Os dois livros estão neste momento sendo digitalizados. O professor José Jobson Arruda já concluiu a escrita da biografia e do estudo crítico que abrirá a republicação da obra de Alice Canabrava. O professor Paulo Knauss, está finalizando a escrita da biografia e do estudo introdutório a obra de Afonso Carlos Marques dos Santos.
b) A professora Ana Maria Mauad está iniciando a pesquisa para o vídeo que realizará sobre os cinqüenta anos da entidade. Ela solicita a colaboração de todos os sócios que possuam documentos e, principalmente, imagens relativas aos diversos Simpósios Nacionais, componentes de diretorias, dos diversos presidentes da ANPUH e de outros momentos importantes da trajetória da entidade. Quem puder ajudá-la entre em contato com a secretaria da ANPUH nacional que as informações e materiais lhes serão repassados.
c) O livro que reunirá ensaios sobre os últimos cinqüenta anos de produção historiográfica em cada Estado brasileiro teve uma expressiva adesão. Esperamos receber os artigos até o final deste mês, para darmos inicio a organização e editoração da obra.

6.Regulamentação da Profissão.
O Projeto de Lei do Senado 368/2009, de autoria do Senador Paulo Paim (PT-RS), encontra-se nas mãos do Senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), relator do projeto na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, para onde foi remetido por requerimento dele próprio, desde o dia 25 de maio de 2010. O Senador não parece disposto a emitir qualquer parecer sobre a matéria até o final da legislatura, que ocorrerá agora no mês de dezembro, isto ocorrendo o projeto será arquivado por não ter sido analisado. Solicitaremos através de carta ao Senador Paulo Paim, reeleito para a próxima legislatura, que como autor da matéria, peça o desarquivamento do projeto logo no início do próximo ano, para que o mesmo volte a tramitar na Casa, iniciando novamente pela Comissão de Assuntos Sociais, em caráter terminativo, onde esperamos que a nova bancada do Senado volte a aprová-lo.
O Projeto de Lei da Câmara Federal 3759/2004, de autoria do deputado Wilson Santos, com projeto anexo do deputado Jovair Arantes (7321/2006) continua parado na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público. Houve uma proposta por parte do relator Deputado Fernando Nascimento (PT-PE) e do Deputado Iran Barbosa (PT-SE) de realização de uma audiência pública na Comissão para tentar sensibilizar os deputados em relação à matéria. Infelizmente esta proposta foi atropelada pelo esvaziamento do Congresso devido ao período eleitoral e a dificuldade que tivemos em conseguir os nomes para comparecerem a esta audiência. Dado o resultado das últimas eleições podemos dizer que, neste momento, esta proposta está completamente órfã já que nem o Deputado Fernando Nascimento, nem o Deputado Iran Barbosa se reelegeram para a próxima legislatura. O projeto deve ser novamente arquivado ao final da atual legislatura no mês de dezembro. No
entanto, assim como ocorreu no inicio de 2007, é possível que consigamos o desarquivamento do projeto através de requerimento do Deputado Jovair Arantes (PTB-GO), reeleito para a próxima legislatura, que por ser autor do projeto em anexo da proposta poderá requerê-lo.

7.Atividades da Segunda Secretaria.
Foram realizados os Fóruns de Graduação no Encontro Regional de História do Paraná e do Piauí. As atas estão disponíveis na página da ANPUH.

Está em andamento a pesquisa "Panorama atual dos cursos de graduação em História no Brasil". Todos os 600 cursos autorizados (embora nem todos em funcionamento) pelo MEC na base do INEP estão recebendo um formulário de consulta com dados sobre detalhes do projeto de curso, carga horária, resolução das questões de prática de ensino e estágio, número de formandos e outros indicadores. O levantamento completo deverá ser apresentado no Fórum de Graduação do Simpósio Nacional de História de 2011.

8.Conselho Nacional de Incentivo à Cultura.
A ANPUH foi uma das instituições da sociedade civil credenciadas a fazer parte do Conselho Nacional de Incentivo à Cultura. No próximo dia 15 de dezembro participará da reunião em que serão definidas as listas quíntuplas por cada setor representado, para a escolha pelo Ministro da Cultura das entidades que farão parte do referido Conselho. A Diretoria da ANPUH indicou a professora Dra. Lucília de Almeida Neves Delgado da Universidade de Brasília para nos representar nesta reunião e, caso a entidade seja uma das entidades escolhidas para compor o Conselho, ser a nossa representante junto a esta instância de deliberação na área da cultura.

9.Prêmio Manoel Luiz Salgado Guimarães de Teses de Doutorado.
Reunida no dia 08 de dezembro de 2010, a Comissão Julgadora do Prêmio Manoel Luiz Salgado Guimarães de Teses de Doutorado, composta pelos professores Dra. Júnia Ferreira Furtado/UFMG (Presidente); Dra. Carla Brandalise/ UFRGS; Dr. Estevão Chaves de Rezende Martins/ UNB; Dr. Fernando Tadeu de Miranda Borges/ UFMT; Dr. Frederico de Castro Neves/ UFC; Dra. Laura de Mello e Souza/ USP; Dra. Christiane Maria Cruz de Souza/ UFBA; Dra. Maria Clementina Pereira Cunha/ UNICAMP; Dra. Marieta de Moraes Ferreira/ UFRJ; Dra. Patrícia Maria Melo Sampaio/ UFAM; Dr. Raimundo Pereira Alencar Arraes/ UFRN e Dra. Tânia Regina de Luca/ UNESP, após análisar 14 trabalhos inscritos deliberou conceder o prêmio à Tese intitulada: "Um estilo de história: a viagem, a memória, o ensaio. Sobre Casa Grande & Senzala e a representação do passado" de autoria de Fernando Felizardo Nicolazzi, defendida no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul sob a orientação do professor Dr. Temístocles Américo Corrêa César. Concedeu ainda Menção Honrosa à Tese intitulada: "Posses e usos da cultura escrita e difusão da escola de Portugal ao Ultramar, Vila e Termo de São João del-Rei, Minas Gerais (1750-1850)" de autoria de Christianni Cardoso Morais, defendida no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Minas Gerais sob a orientação do professor Dr. Luiz Carlos Villalta. A ANPUH patrocinará a publicação da Tese vencedora, que ganhará o formato de livro a ser publicado em parceria com a editora da UNESP e será lançado no próximo Simpósio Nacional.


10.Reunião da Diretoria.
No dia 09 de dezembro de 2010 esteve mais uma vez reunida a Diretoria eleita para o biênio 2009/2011, quando foi feita uma apresentação por cada membro presente das atividades realizadas no ano de 2010. Foi feito um balanço da atual gestão em todas as suas áreas e aspectos e planejadas as atividades ainda por ser realizadas no último semestre da gestão. Deliberou-se que continuaremos lutando pela regulamentação da profissão de historiador, solicitando já no início do próximo ano que o Senador Paulo Paim e o Deputado Jovair Arantes solicitem o desarquivamento dos projetos em tramitação no Senado e na Câmara, respectivamente, pois os mesmos serão arquivados com o fim da atual legislatura, ainda este mês. Tentaremos viabilizar, ainda no primeiro semestre do ano que vem, a realização da audiência pública na Câmara Federal para discutir esse tema. Levaremos esta temática para ser discutida e deliberada quando da realização da
Assembléia Geral da entidade durante a realização do XVI Simpósio Nacional de História, a partir do relato das discussões feitas nos Encontros Regionais deste ano. Deliberamos, também, pela realização por parte de nossa assessoria jurídica e contábil de uma revisão geral em nosso Estatuto, que deverá sofrer modificações e atualizações, a serem debatidas e votadas também no próximo Simpósio Nacional, enviando tais propostas de mudanças com antecedência para nossos sócios. Resolveu-se dar início ao processo eleitoral, que elegerá a próxima diretoria para o biênio 2011/2013, tentando conferir a ele a maior divulgação e transparência possível, visando a uma participação significativa por parte de nossos associados. A maior parte de nossos esforços estará dirigida, no próximo semestre, para a organização do XVI Simpósio Nacional de História, que ocorrerá de 17 a 22 de julho, no campus da Universidade de São Paulo. Sob a coordenação da ANPUH/SP e da vice-presidência serão tomadas todas as
providencias para que tenhamos um inesquecível Simpósio comemorativo dos cinqüenta anos de nossa entidade.


11.Reunião com as Seções Regionais.
Realizou-se no dia 10 de dezembro de 2010 reunião entre a Diretoria e representantes das Seções Regionais da ANPUH, sendo esta a terceira reunião desta gestão. Houve mais uma vez o comparecimento em número expressivo dos dirigentes das Regionais, o que vem consolidando a participação destas nas decisões da entidade e dando um caráter bastante democrático ao que vem sendo deliberado e executado nesta gestão. Das 22 Seções Regionais que temos em efetivo funcionamento, compareceram representantes de 19 delas: Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe. Foi feita uma apresentação por cada dirigente de um relato sobre a realização dos Encontros Regionais ou Estaduais promovidos este ano por cada uma das Seções Regionais. Relatou-se e se
discutiu como cada Regional encaminhou a discussão sobre o tema da regulamentação da profissão e como se deu a realização do Fórum de Graduação em cada um dos eventos regionais. Discutiu-se ainda como se efetivou a campanha nacional de filiação em cada estado e estratégias e atividades que podem ser levadas a efeito no sentido de atrair um maior número de filiados para a entidade. Cada membro da Diretoria Nacional apresentou um relato de suas atividades neste ano, ouvindo sugestões trazidas pelos representantes das Regionais sobre as atividades que são afeitas a cada membro da direção nacional. Após deliberações acerca do XVI Simpósio Nacional de História, foi encerrada a reunião com uma pequena confraternização oferecida pela Diretoria Nacional aos representantes das Seções Regionais ali presentes.





1 VAGA DE PROFESSOR ADJUNTO DE HISTÓRIA GERAL

Instituição: Universidade Federal do Ceará (UFC)

Inscrições: até 30/12/2010

Mais informações

1 VAGA DE PROFESSOR ADJUNTO DE HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA

Instituição: Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

Inscrições: até 04/01/2011

Mais informações

PROCESSO SELETIVO 2011 - MESTRADO

Instituição: Universidade de Passo Fundo UPF)

Inscrições: até 05/01/2011

Mais informações

ESPECIALISTA EM DESENVOLVIMENTO HUMANO E SOCIAL - 2 VAGAS P/ HISTÓRIA

Instituição: Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos do Estado do Espírito Santo

Inscrições: até 07/01/2011

Mais informações

1 VAGA DE PROFESSOR ADJUNTO DE ENSINO DE HISTÓRIA/ESTÁGIO SUPERVISIONADO

Instituição: Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)

Inscrições: até 14/01/2011

Mais informações

2 VAGAS DE PROFESSOR ADJUNTO - HISTÓRIA DA ÁFRICA E HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA

Instituição: Universidade Estadual do Maranhão (UEMA)

Inscrições: até 28/01/2011

Mais informações

MESTRADO EM HISTÓRIA PODER E PRÁTICAS SOCIAIS

Instituição: Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Campus Marechal Cândido Rondon (UNIOESTE)

Inscrições: até 03/02/2011

Mais informações

PROCESSO SELETIVO 2011 – 20 VAGAS P/ MESTRADO E 15 P/ DOUTORADO

Instituição: Universidade Estadual Paulista - Campus Assis (Unesp/Assis)

Inscrições: de 1º a 11/02/2011

Mais informações




A BIOLOGIA MILITANTE: O MUSEU NACIONAL, ESPECIALIZAÇÃO CIENTÍFICA, DIVULGAÇÃO DO CONHECIMENTO E PRÁTICAS POLÍTICAS NO BRASIL - 1926-1945


Autora: Regina Horta Duarte

Editora: UFMG

Mais informações





LASTROS DE VIAGEM - EXPECTATIVAS, PROJEÇÕES E DESCOBERTAS PORTUGUESAS NO ÍNDICO (1498-1554)



Autor: José Carlos Vilardaga

Editora: Annablume

Mais informações





HISTÓRIA DO ESTADO DE SÃO PAULO/A FORMAÇÃO DA UNIDADE PAULISTA VL. 1/2/3



Organizadores: João Ricardo de Castro Caldeira e Nilo Odalia

Editora: Imprensa Oficial de São Paulo

Mais informações





O BRASIL IMAGINADO NA AMÉRICA LATINA - A CRÍTICA DE FILMES DE GLAUBER ROCHA E WALTER SALLES



Autora: Eliska Altmann

Editora: Contra Capa

Mais informações





A DECADÊNCIA DE SANTA CATARINA



Autores: Henrique L. P. Oliveira e Marlon Salomon

Editora: UFSC

Mais informações





DE GUAXOS E DE SOMBRAS



Autora: Joana Bosak

Editora: Dublinense

Mais informações





O PLANO E O PÂNICO: OS MOVIMENTOS SOCIAIS NA DÉCADA DA ABOLIÇÃO



Autora: Maria Helena Toledo Machado

Editora: Edusp

Mais informações




TEMPOS DE FASCISMOS: IDEOLOGIA, INTOLERÂNCIA, IMAGINÁRIO


Organizadores: Maria Luiza Tucci Carneiro e Federico Crocci

Editora: Edusp

Mais informações




SEGURANÇA E DEFESA NO CONE SUL: DA RIVALIDADE DA GUERRA FRIA À COOPERAÇÃO ATUAL


Autor: Sérgio Luiz Cruz Aguilar

Editora: Porto de Idéias

Mais informações






MARXISMO E NATUREZA: ECOLOGIA, HISTÓRIA E POLÍTICA


Organizador: Michel Goulart da Silva

Editora: Virtual Books

Mais informações






ISLÃ HISTÓRICO E ISLAMISMO
POLÍTICO



Autor: Osvaldo Coggiola

Editora: Pradense

Mais informações






TROMBONES, TAMBORES, REPIQUES E GANZÁS: A FESTA DAS AGREMIAÇÕES CARNAVALESCAS NAS RUAS DO RECIFE (1930-1945)


Autor: Mário Ribeiro dos Santos

Editora: Bagaço

Mais informações







RAÇA: DEBATE PÚBLICO NO BRASIL



Autora: Monica Grin

Editora: Mauad X

Mais informações







REVOLUÇÕES DE INDEPENDÊNCIAS E NACIONALISMOS NAS AMÉRICAS: PERU E BOLÍVIA



Organizadores: Marco Antonio Pamplona e Maria Elisa Mader

Editora: Paz e Terra

Mais informações







O IMPÉRIO DOS SONHOS: SEBASTIANISMO E MESSIANISMO BRIGANTINO



Autor: Luís Filipe Silvério Lima

Editora: Alameda

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UMA HISTÓRIA SOCIAL DO ABANDONO DE CRIANÇAS - DE PORTUGAL AO BRASIL: SÉCULOS XVIII - XX



Organizador: Renato Pinto Venancio

Editora: Alameda

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HISTÓRIA CULTURAL: ENSAIOS SOBRE LINGUAGENS, IDENTIDADES E PRÁTICAS DE PODER



Organizadores: William de Souza Martins e Gisele Sanglard

Editora: Apicuri

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CEAS - JESUÍTAS E O APOSTULADO SOCIAL DURANTE A DITADURA MILITAR



Autor: Grimaldo Carneiro Zachariadhes

Editora: UFBA

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OS ÍNDIOS NA HISTÓRIA DO BRASIL



Autora: Maria Regina Celestino de Almeida

Editora: FGV

Mais informações







INTELECTUAIS E MODERNIDADES



Organizadores: Daniel Aarao Reis e Denis Rolland

Editora: FGV

Mais informações







AS MÍLICIAS D'EL REY: TROPAS MILITARES E PODER NO CEARÁ SETECENTISTA



Autor: José Eudes Gomes

Editora: FGV

Mais informações







MILITARES, DEMOCRACIA E DESENVOLVIMENTO: BRASIL E AMÉRICA DO SUL



Autora: Maria Celina D'araujo

Editora: FGV

Mais informações



IX ENCONTRO NACIONAL DOS PESQUISADORES DO ENSINO DE HISTÓRIA: AMÉRICA LATINA – CULTURAS, MEMÓRIA E SABERES (novo)

Data: 18 a 20 de abril de 2011

Local: Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Mais
informações

III ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDOS DA IMAGEM (novo)

Data: 03 a 06 de maio de 2011

Local: Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Mais
informações

V ENCONTRO DE ESCRAVIDÃO E LIBERDADE NO BRASIL MERIDIONAL (novo)

Data: 11 a 13 de maio de 2011

Local: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Mais
informações

I CONGRESSO FLUMINENSE DE HISTÓRIA ECONÔMICA (novo)

Data: 22 a 26 de junho de 2011

Local: Universidade Federal Fluminense (UFF)

Mais
informações

V ENCONTRO NACIONAL DA ABED: DEMOCRACIA, DEFESA E FORÇAS ARMADAS (novo)

Data: 08 a 10 de agosto de 2011

Local: Entre em contato com a organização

Mais
informações

XVI CONGRESO INTERNACIONAL DE AHILA

Data: 06 a 09 de setembro de 2011

Local: Universidad de Cádiz (UCA)

Mais
informações

CONFERÊNCIA - BRASIL EM PERSPECTIVA GLOBAL (1870-1945) (novo)

Data: 27 a 29 de outubro de 2011

Local: Instituto Latino Americano (LAI) da Freie Universität Berlin

Mais
informações



REVISTA HISTÓRICA (novo)


Tema: As experiências das Áfricas no Brasil.

Prazo: 05/01/2011

Site
REVISTA CONTRAPONTO (novo)


Tema: Historiografia.

Prazo: 31/01/2011

Site
REVISTA OUTROS TEMPOS (novo)


Tema: História e Literatura

Prazo: 28/02/2011

Site
REVISTA ANTÍTESES


Tema: Humor gráfico: representações e usos.

Prazo: 28/02/2011

Site

REVISTA TEMPO E ARGUMENTO


Tema: Cidades e bens Culturais.

Prazo: 28/02/2011

Site

REVISTA NUPEM


Temas: Acesse o site

Prazo da 2ª chamada: 12/02/2011


Site
REVISTA TEMPOS HISTÓRICOS


Tema: História, cinema e música

Prazo: 10/03/2011

Tema: História e natureza

Prazo: 10/08/2011

Site

REVISTA HISTÓRIA & PERSPECTIVAS


Tema: História e Literatura

Prazo: 14/03/2011

Site

HISTÓRIA, IMAGEM E NARRATIVAS (novo)


Tema: Mitologia.

Prazo: 15/03/2011

Site
REVISTA BRASILEIRA DE HISTÓRIA


Tema: Comemorações; com ênfase em pesquisas sobre locais de memória; festas, civismo e movimentos sociais; etnicidade e paisagem

Prazo: 31/03/2011

Site

REVISTA CORDIS: REVISTA ELETRÔNICA DE HISTÓRIA SOCIAL DA CIDADE (novo)


Tema: História, Arte e Cidades.

Prazo: 08/04/2011

Tema: História, Corpo e Saúde.

Prazo: 08/08/2011


Site

REVISTA BRATHAIR


Tema: Cultura celta e germânica.

Prazo: 31/01/2011

Tema: Estudos vikings.

Prazo: 31/04/2011


Site



100 ANOS DE EURÍPEDES SIMÕES DE PAULA
Dia 15 de novembro Eurípedes Simões de Paula completaria 100 anos. A ANPUH presta homenagem àquele que, além de ser um dos fundadores da Associação, a dirigiu ininterruptamente de 1967 até sua morte, por acidente, em 1977, período em que organizou todos os Simpósios e se responsabilizou pelos Anais. Em 1979 foi eleito Presidente In Memorian e homenageado com o título de "Patrono da ANPUH".
Prof. Dr. Eurípedes Simões de Paula (15.11.1910 a 21.11.1977)
Cronologia de sua atuação na APUH/ANPUH:
1961 – Sócio fundador da APUH/ANPUH.
1962 – Com a fundação do Núcleo São Paulo da APUH foi diretor por duas gestões: 1962-1963 e 1963-1964.
1964-1965 e 1965-1966: Participação no Conselho Consultivo do Núcleo SP da Associação nas gestões do Prof. Sérgio Buarque de Holanda.
1965: Participação na reorganização da ANPUH.
1967 – Diretor da ANPUH.
1969 – Diretor da ANPUH.
1971 – Diretor da ANPUH.
1973 – Diretor da ANPUH.
1975 – Diretor da ANPUH.
1977 – Diretor da ANPUH.(ano de seu falecimento)
1979 – Diretor da ANPUH - In Memoriam - (Patrono da Associação).






PRESIDENTE:

Durval Muniz de

Albuquerque Júnior (UFRN)

VICE-PRESIDENTE:

Raquel Glezer (USP)
SECRETÁRIA GERAL:

Júnia Ferreira Furtado (UFMG)
1º SECRETÁRIO:

Nelson Schapochnik (USP)
2º SECRETÁRIO:

Luis Fernando Cerri (UEPG)

1º TESOUREIRA:

Marisa Midori Deaecto (USP)


2º TESOUREIRO:

Benito Bisso Schmidt (UFRGS)
EDITORA DA REVISTA
BRASILEIRA DE HISTÓRIA:


Marieta de Moraes Ferreira (UFRJ)














LATINDEX LANÇA O PORTAL DE PORTAIS

O Portal de Portais Latindex (PPL) é a nova ferramenta de informção desenvolvida pelo Sistema Latindex, com o objetivo de proporcionar acesso aos conteúdos de portais iberoamericanos especializados en periódicos acadêmicos que aderiram ao movimento de acesso livre. As outras ferramentas desenvolvidas pela Latindex, são o Diretório, Catálogo e uma Compilação de Enlaces a Revistas Electrónicas....

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SEGUNDO MANIFESTO NACIONAL AOS ÓRGÃOS DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Lançado em dezembro de 2008, o Primeiro Manifesto Nacional aos Órgãos de Ciência e Tecnologia, embora assinado por 180 membros da comunidade científica e tecnológica do país, não mereceu qualquer resposta por parte dos órgãos de ciência e tecnologia. Além disto, neste período, não houve qualquer sinalização, por parte das agências de fomento, em particular, do CNPq, de que estejam dispostas a modificar suas políticas e práticas...

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ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO LANÇA SITE SOBRE A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO EM SP

O Código de Instrução Pública da Província de São Paulo do ano de 1857 determinava, para a instrução média de um aluno, o ensino "mais desenvolvido" da leitura, escrita, moral, religião, gramática, aritmética e do sistema de pesos e medidas da Província. E ainda: era preciso aprender noções elementares de Geografia Universal, História Universal e Língua Francesa. O ensino de Física e História Natural limitava-se às escolas para rapazes, enquanto nas escolas para moças ensinavam-se noções de Música e exercícios de Canto. Geometria, Agrimesura e Nivelamento, Desenho Linear e "Exercícios Ginásticos" também constavam do currículo escolar da época.

Essas e outras informações sobre a História da Educação no Brasil podem ser obtidas na nova página temática que acaba de ser lançada no site do Arquivo Público do Estado de São Paulo: Memória da Educação...

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HISTÓRIA GERAL DA ÁFRICA, PUBLICADA PELA UNESCO

Para os interessados no assunto, a História Geral da África, publicada pela UNESCO em 8 volumes, está sendo divulgada em português. Os volumes I, II, III e V já estão disponíveis para download gratuitamente no portal da UNESCO...

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UFRJ CRIA INSTITUTO DE HISTÓRIA (IH-UFRJ)

Em 09 de dezembro de 2010, em sessão especial, o Conselho Universitário da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (Consuni) aprovou por unanimidade a alteração
do Estatuto desta Universidade, transformando o Departamento de História —
vinculado ao Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) —, em uma nova unidade
acadêmica, com autonomia e gestão própria, criando assim o Instituto de História da
UFRJ...

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REVISTA PASSAGENS - REVISTA INTERNACIONAL DE HISTÓRIA POLÍTICA E CULTURA JURÍDICA

Confira o novo número.

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REVISTA CORDIS: REVISTA ELETRÔNICA DE HISTÓRIA SOCIAL DA CIDADE

Confira o novo número.

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REVISTA TEMPO, ESPAÇO E LINGUAGEM

Confira o novo número.

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PERSEU: HISTÓRIA, MEMÓRIA E POLÍTICA

Confira o novo número.

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REVISTA DE HISTÓRIA

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REVISTA ELETRÔNICA ALMANACK BRAZILIENSE

Confira o novo número.

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REVISTA MILITARES E POLÍTICA

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BOLETIM DO ARQUIVO EDGARD LEUENROTH

De dezembro de 2010

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Informativo Eletrônico da ANPUH - Edição nº 12 - Ano 2

Expediente: Nelson Schapochnik (editor), Pablo Serrano (secretário), Mario Guimarães (webdesigner).
Todos os direitos reservados. www.anpuh.org



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    **Este grupo foi criado com o intuito de promover releituras da HISTÓRIA DO BRASIL e tão-somente  HISTÓRIA DO BRASIL.  Discussões sobre a situação atual: política, econômica e social não estão proibidas, mas existem outros fóruns mais apropriados para tais questões.


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domingo, 26 de dezembro de 2010

** Revista História em Reflexão publica oitava edição com o dossiê 'História e Mídias'

 

Revista História em Reflexão publica oitava edição com o dossiê 'História e Mídias'


Os acadêmicos do Programa de Pós-Graduação em História da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) publicaram a VIII Edição da Revista Eletrônica História em Reflexão (REHR), com o dossiê "História e Mídias".

A escolha do dossiê ocorreu por causa da crescente produção na historiografia brasileira, envolvendo o uso das mídias, seja como objeto ou fonte de investigação histórica. A revista espera colaborar com as discussões entre os profissionais de História e áreas afins, que se utilizam ou fazem das mídias seu objeto de estudo. Além disso, para escolha do dossiê, foi tomada como referência a influência das mídias no cotidiano das sociedades.

Desta forma, os realizadores da revista entendem as mídias como portadoras de discursos ideológicos, as quais carregam uma carga simbólica significativa, e que, conforme estudos do historiador francês Roger Chartier (2002), procuram fazer a "leitura", ou "representar o mundo" de acordo com os interesses de pessoas e grupos as quais estão envolvidas.

Com a preocupação de ser um espaço em que pesquisadores e estudantes dos mais variados níveis possam ter a oportunidade de divulgar os resultados dos seus trabalhos, a Revista História em Reflexão tem recebido artigos, resenhas e resumos de diversas regiões e Instituições de Ensino Superior do Brasil. A significativa quantidade de trabalhos recebidos atesta o reconhecimento e a credibilidade conquistados em seus mais de quatro anos de existência.

O esforço coletivo dos editores discentes, alunos do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH/UFGD), dos membros do Conselho Editorial e do Consultivo tem se configurado como basilar para a sustentação e desenvolvimento da Revista.

Os realizadores da revista convidam a todos para que leiam e divulguem os trabalhos da VIII Edição da Revista História em Reflexão. O atalho para acessar a Revista na sessão de Periódicos da UFGD é: http://www.periodicos.ufgd.edu.br/index.php/historiaemreflexao/issue/view/43

Os editores responsáveis são Fabiano Coelho, Cássio Knapp, Camila Cremonese, Daniele Reiter Chedid e Fernanda Chaves de Andrade.

Fonte: Assessoria UFGD 24/12/2010
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** A formação do Brasil

 

A formação do Brasil

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Os índios (aqui retratados pelo pintor holandês Albert Eckhout, 1610 - 1666) foram valorizados na interpretação de Capistrano de Abreu para o processo de formação do Brasil.
26/12/2010
A historiadora Ítala Byanca Morais escreve sobre os escritos da maturidade do historiador cearense Capistrano de Abreu


Em 2010, completaram 80 anos da publicação da 1ª edição do livro "Caminhos Antigos e Povoamento do Brasil", do historiador cearense Capistrano de Abreu (1853-1927), uma obra póstuma publicada pela Sociedade Capistrano de Abreu. Tal comemoração me permite tecer algumas considerações sobre os escritos do autor.


A obra é composta por dez ensaios, produzidos entre 1887 e 1924, cuja temática tornou-se representativa da produção historiográfica de Capistrano de Abreu: a introdução dos sertões na escrita da história do Brasil.


A publicação recebeu o mesmo título do artigo mais denso do livro, composto por uma série de ensaios publicados no Jornal do Comércio, em 1899, e na revista América Brasileira, em 1924. A motivação principal do artigo homônimo foi apresentar a formação do território brasileiro, não apenas de suas fronteiras geopolíticas, mas, sobretudo, a formação do povo brasileiro e dos sertões. Combinação de elementos alienígenas (portugueses e negros) e nativos (indígenas e geografia), o povo brasileiro foi visto por Capistrano de Abreu como um verdadeiro caleidoscópio. Através dos caminhos das drogas do sertão, do apresamento dos indígenas, do gado, da mineração, ter-se-iam formado os sertões brasileiros que entre si divergiam e opunham-se ao Brasil português do litoral. A interpretação é significativa para a história do pensamento social e da historiografia brasileira por vários aspectos, mas dois ressaltam-se.


O primeiro pela percepção do autor de que a história do Brasil e de seu povo já constituía um capítulo à parte da história de Portugal, e inclusive, em certas dimensões, por completo independente. Daí a relevância do Brasil dos sertões. O segundo pela leitura de um Brasil heterogêneo e fragmentado devido às particularidades geográficas. Contudo, tal leitura despertava inquietude no historiador. Pois essa heterogeneidade manifestava-se também na vida política da nação.


Capistrano de Abreu e os intelectuais de sua geração acompanharam inúmeras transformações na política nacional, inclusive como elementos ativos nesses processos. As transições da mão-de-obra escrava para o trabalho livre e da Monarquia para a República foram as mais significativas. Aliados a esses processos, a vulgarização das leituras cientificistas e deterministas no Brasil, antes de trazerem soluções conceituais a esses letrados, aumentava suas incertezas quanto ao futuro do Brasil. Pois, sugeriam a impossibilidade da civilização desenvolver-se nos trópicos aos moldes europeus. Seriamos de fato uma nação? O que definia o Brasil e o brasileiro? Como perceber o Brasil em sua unidade se o seu território ainda era um mistério para o próprio Estado brasileiro? Esses eram os principais questionamentos. Em síntese, como indagou Capistrano em carta ao Barão de Studart, colocando em dúvida seu próprio ofício, "Punge-me sempre e sempre a dúvida: o brasileiro é povo em formação ou em dissolução? Vale a pena ocupar-se de um povo dissoluto?"


Relações de poder
O fato é que Capistrano de Abreu ocupou-se do povo brasileiro e de sua formação étnica em todos os seus trabalhos, buscando no passado colonial as estruturas da sociedade brasileira que o ajudariam a dar inteligibilidade ao presente no qual vivia. As relações de poder orientadas pelo compadrio, a sociedade patriarcal, as ingerências entre o público e o privado, a ausência de sentimento de unidade entre os brasileiros são alguns aspectos dessa estrutura evidenciados pelo autor. E, segundo ele, que ainda estariam fulgentes nos sertões do Brasil no início do século XX. Será que eles ainda estão presentes no Brasil do início do século XXI? E apenas nos sertões?


A obra de Capistrano de Abreu destaca-se também por suas qualidades historiográficas, apreciação praticamente consensual entre especialistas. As críticas dirigidas ao seu trabalho concentram-se no fato dele não ter escrito uma grande história do Brasil e alguns o acusam de falta de unidade teórica. Mas ao nosso olhar aí estão as suas contribuições à escrita da história do Brasil. Podemos observar em sua obra o amadurecimento da sua operação historiográfica. Se no início a teoria determinava as suas interpretações, nos trabalhos mais maduros do historiador as fontes e a epistemologia da História ganham relevo.


Capistrano de Abreu estava plenamente consciente da natureza singular-coletiva da narrativa historiográfica e da tarefa do historiador proposta por Wilhelm von Humboldt (1821) na qual os fatos somente ganham significação quando interpretados pelo historiador e conectados uns aos outros oferecessem inteligibilidade aos processos históricos. O apontamento mais factual e cronológico de Capistrano está imerso nesta perspectiva historicista. Afinal, para o autor, o estudo cronológico do descobrimento do Brasil perdia sentido diante da proposta de um estudo sociológico sobre a nossa formação cultural. Bem como a escrita de uma obra volumosa sobre o Brasil poderia contribuir muito menos do que um ensaio conciso e com uma problemática bem definida como foram os Capítulos de História Colonial. Por tais aspectos, os Capítulos e vários ensaios do autor nos quais sua operação historiográfica encontra-se minuciosamente descrita, poderiam muito bem compartilhar o lugar que a Apologia da história do historiador francês Marc Bloch ocupa na formação de nossos historiadores. Esperamos que o crescimento dos estudos sobre a escrita da história, como uma área de estudos específica, contribua para que a leitura de vários autores nacionais migre das disciplinas de história do Brasil e do Ceará para as disciplinas de teoria e metodologia da história em nossas universidades.


Historiadora e técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)

ÍTALA BYANCA MORAIS*
ESPECIAL PARA O CADERNO 3
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** Descobrindo o Brasil mestiço

 

Descobrindo o Brasil mestiço


Fonte: Jornal Diário do Nordeste
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O pesquisador Daniel Mesquita buscou nos diálogos com os antecessores de Capistrano de Abreu, em suas cartas e livros, compreender as questões que preocupavam o historiador cearense

26/12/2010
Doutor em História pela Puc-Rio e professor do Departamento de Comunicação Social na mesma universidade, Daniel Mesquita dedicou sua tese de doutorado à compreensão dos motivos pelos quais o cearense Capistrano
de Abreu desejou escrever uma história do Brasil e dos brasileiros. Em entrevista ao Caderno 3, o pesquisador comenta sobre particularidades de Capistrano e analisa as contribuições do historiador para a atualidade
O título do livro é "Descobrimentos de Capistrano: a História do Brasil a ´grandes traços e largas malhas´". Por que esta citação para definir a História do Brasil de Capistrano?
A expressão é do próprio Capistrano. Ela tem relação com sua mudança de planos sobre a escrita de uma História do Brasil. A princípio pensou em fazer uma História "seguida e completa", mas depois acabou escrevendo o livro, hoje clássico, "Capítulos de História Colonial". Capistrano não avançou pelo século XIX, limitou-se ao período colonial. Diria que os grandes traços têm relação com os temas dos capítulos e as largas malhas são relativas ao povoamento do País, sobretudo do sertão.

Na pesquisa, você teve contato não apenas com as obras do autor, mas com as cartas que ele dirigiu a seus contemporâneos. Qual a contribuição desta correspondência para compreender a construção do Capistrano historiador?
A correspondência foi fundamental por fornecer pistas de sua investigação histórica. Estão lá seus interesses, seus interlocutores. Meu interesse nas cartas foi sobretudo com relação a seus projetos intelectuais. Capistrano escreveu muitas cartas, são três volumes. Então foi preciso selecionar algumas prioridades. Diria que as correspondências com o Barão do Rio Branco e com o português Lino Assunção foram muito importantes para perceber como Capistrano ia construindo, para si mesmo, um projeto intelectual de escrever uma história do Brasil. Na verdade, a leitura dos textos e livros e das cartas são complementares.

No livro, você ressalta que Capistrano testemunhou eventos cruciais da nossa história, como a proclamação da República e a abolição da escravidão. Pode-se dizer que a vivência de tais momentos motivaram o autor ao estudo da história? Ele foi capaz de produzir uma leitura dos acontecimentos de seu tempo?
A inclinação de Capistrano para a investigação histórica pode ter relação com um contexto de mudanças pelas quais passava o País. É comum à sua geração intelectual (conhecida como geração de 1870) a vivência de um momento de crise do Império e da escravidão. Foi um momento em que muito se debatia o futuro do País e a necessidade de modernização, que atingia inclusive o campo das ideias, com a questão das ciências. Esse debate, evidente, haveria de ter impacto sobre a discussão acerca da formação da nacionalidade, uma vez que era o futuro mesmo da coletividade que se debatia: "O que queremos ser? Quem fomos até então?".

O historiador tinha certa obsessão em superar o teórico Adolfo de Varnhagen, outro dos interpretes da história brasileira. Fale-nos deste sentimento: como esse desejo de sobrepor Varnhagen contribuiu para a produção de Capistrano?
Em boa medida, Capistrano construiu sua concepção da história do Brasil a partir de um diálogo tenso com seu ilustre antecessor. Na verdade, diria mesmo que ele lutou para construir uma leitura alternativa à de Varnhagen. Para Varnhagen, a história do Brasil seria resultante da ação civilizadora da Casa de Bragança. Capistrano tende a deslocar esta ação para personagens por vezes anônimos. Seus "heróis" são conquistadores, mineiros, vaqueiros, pretos forros, índios, jesuítas que iam povoando o interior do território, formando a corrente interior, mais densa e volumosa do que o "tênue fio litorâneo", como fala Capistrano. A busca do historiador é pela pátria interior, no sentido geográfico e do sentimento de nação que ia se formando.

Além de Varnhagen, que outros autores inspiraram a obra de Capistrano de Abreu?
Varnhagen é importante para Capistrano porque, com frequência, este partia de seu antecessor. Ao mesmo tempo, começava a marcar sua diferença, elegendo o tema do povoamento, o tema do sertão, a construção do sentimento de nação. De alguma forma, acho que a admiração que Capistrano tinha por seu conterrâneo José de Alencar também tem relação com suas preocupações. Diria que a questão indígena, por exemplo, que aparece com força em Capistrano, pode ter sido inspirada pelo indianismo de Alencar. Já a forte preocupação com o território o aproxima do Barão do Rio Branco.

Como propõe em sua pesquisa, Capistrano de Abreu não penas fez evoluir as perspectivas em torno da história do Brasil, mas também os métodos historiográficos. Os modos de pesquisa desenvolvidos por ele e seu rigor podem ser considerados inovações para a disciplina?
Sim, Capistrano ficou conhecido por ter sido quem mais (e melhor) utilizou o método crítico. Uma ferramenta indispensável para o historiador moderno e que foi empregada com maestria pelo cearense. Ele chamava atenção de seus contemporâneos para a necessidade de citar as fontes, fazer o exame crítico da documentação. Chegou a repreender seu amigo Guilherme Studart por não se preocupar com a crítica, que a partir de Ranke mudava a fisionomia da História. As dimensões do pesquisador e do narrador deveriam estar juntas no mesmo espírito, para que houvesse uma historiografia digna deste nome.

Capistrano é reconhecido por sua tentativa de ler o Brasil como nação, de identificar como se constituiria o "sentimento nacional". Afinal, qual o Brasil de Capistrano de Abreu? Que nação é a nossa, segundo suas interpretações da história?
Sem dúvida uma nação mestiça. Capistrano, na verdade, identifica vários brasis. A diversidade de modos de vida têm relação com a diversidade do próprio território e das diferentes modalidades de ocupação/ atividade econômica e interação entre portugueses, índios e negros. Esta diversidade aparece em algum momento dos Capítulos com a expressão "cinco grupos etnográficos", gestados durante a história colonial. Eles são unidos pela língua e pela religião comum. A questão de Capistrano, na verdade sua dúvida, é o quanto essas diferentes realidades formam, de fato, uma nação. Para ele, superou-se o "sentimento de inferioridade" em relação à metrópole (Portugal). Mas parece que ele nutre uma dúvida sobre a força desse sentimento em relação, por exemplo, à França, Inglaterra ou Estados Unidos. "O Brasil está em evolução ou dissolução?", perguntava-se, por vezes em sua correspondência. No Brasil, disse certa vez, "produzimos para sobremesa". Qual o lugar do Brasil no concerto das nações?

No tempo presente, em que historiadores investem na formação acadêmica e o reconhecimento da atividade como, de fato, uma profissão, o pensamento de Capistrano de Abreu ainda é revisitado? Pode-se considerar que a valorização do ofício de historiador era uma luta do intelectual cearense?
Acho que sim. Numa época em que não havia sequer curso de história, Capistrano procurou, em todos os seus escritos, divulgar para seus contemporâneos, uma certa imagem do ofício de historiador. Ele mobilizou o método crítico e a história como campo do conhecimento em polêmicas publicadas na imprensa. A sua confiança na história como meio de acesso à discussão sobre a nacionalidade é algo notável, não apenas em seus livros e artigos, mas também em sua correspondência. Se não teve propriamente um engajamento político, fez de seu próprio trabalho a sua militância, pela disciplina predileta. Praticou com dedicação exemplar o ofício do historiador. E com isso passou a ser reconhecido pelos contemporâneos que, inclusive, o pressionavam para escrever uma história do Brasil.

Para Capistrano de Abreu, a escrita da História possibilitaria a formação de uma consciência nacional. Este era um dos motivos da exigência do rigor teórico e metodológico. Pensando nisto, o que você teria a dizer sobre as inúmeras ficções e biografias brasileiras baseadas em estudos históricos? Elas auxiliam a formação de uma consciência nacional ou, por vezes, desvirtuam a concepção de nossa história?
Creio que as contribuições de diversos campos são importantes, embora seja fundamental saber diferenciá-las. O historiador não tem o monopólio sobre a história. E isso não é ruim. O que pode ser problemática é a ideia de que a história escrita pelos historiadores é tradicional, que o bom é ver documentários, ler livros escritos por não historiadores porque são mais interessantes e não tem linguagem acadêmica. Acho que esse preconceito existe. Na verdade, qualquer livro de história sério, escrito por historiador ou não, pode auxiliar na construção de um pensamento sobre a História do Brasil.

Daniel Mesquita é historiador e professor da PUC-RJ.

MAYARA DE ARAÚJO
ESPECIAL PARA O CADERNO 3

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** Um homem (e um país) em formação

 

Um homem (e um país) em formação

Fonte: Jornal Diário do Nordeste
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Retrato a óleo de Capistrano de Abreu exposta no Instituto do Ceará. O cearense encontrou na pesquisa historiográfica seu ofício, ao qual se dedicou por mais de 40 anos
FOTO: MIGUEL PORTELA
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Ainda jovem, o cearense Capistrano de Abreu encontrou na História sua profissão, militância e sina. Dentre os historiadores da "Geração de 1870", lançou-se sobre ele as expectativas de se ver escrita uma nova história do Brasil
26/12/2010 
Em "Descobrimentos de Capistrano", o historiador carioca Daniel Mesquita se debruça sobre o pensamento do célebre Capistrano de Abreu, cearense que inaugurou métodos inovadores para a historiografia e as interpretações da construção do País
O menino que aprendeu cantigas africanas com os escravos do sítio Columijuba, em Maranguape, ambientou-se nos costumes próprios da Casa Grande, estimulados pelo avô, Honório de Abreu. A míope e desasseada criança não tinha más notas na escola, mas não se interessava de todo pelo estudo regular. Era um leitor compulsivo, mas de outros livros. Segundo Rodolfo Teófilo, que com ele estudou no Colégio Ateneu Cearense, o menino carregava os livros aonde fosse, mesmo nas recreações promovidas mensalmente pela escola no Morro do Coroatá.

No Seminário Episcopal de Fortaleza, a instituição chegou a aconselhar o pai do garoto a levá-lo de volta para o sítio e lá dar conta de consertar sua preguiça e vadiação. Por não se enquadrar ao ensino formal, não conseguiu ser aceito na faculdade de Direito, decidindo se mudar para o Rio de Janeiro. E finalmente lá, o garoto leitor que se tornou homem feito, encontrou-se com a História e se deixou encontrar por ela, sendo mais tarde reconhecido por sua generosa contribuição ao estudo do tempo passado e ao registro da nacionalidade brasileira: o desajeitado e cegueta cearense Capistrano de Abreu.

De posse de todos os livros que quisesse, tendo passado em um concurso público para trabalhar na Biblioteca Nacional, Capistrano abraçou um tal desejo: escrever a História do Brasil, superando os muros do tradicional historiador Adolfo de Varnhagen, à época, o mais conhecido e respeitado estudioso do tema.

Colônia
Mas se Capistrano tinha mesmo essa ânsia por abarcar uma totalidade da história brasileira, porque acabou escrevendo uma história modesta, resumida em "Capítulos de História Colonial"? A ousada pergunta compõe o conjunto de questionamentos propostos pela pesquisa de doutorado do historiador Daniel Mesquita, da PUC-Rio, autor da obra "Descobrimentos de Capistrano: a História do Brasil ´a grandes traços e largas malhas´", lançado este mês pela editora Apicuri. No livro, o autor explora um Brasil e um Capistrano em latência. Objeto e pesquisador em constante transformação. Daniel contextualiza um Capistrano de Abreu testemunha de eventos cruciais para a formação nacional como a proclamação da República e a abolição da escravidão, um pesquisador que contribuiu ativamente não apenas para o registro desse País em transformação, mas para a constituição de um novo campo de saber.

Para tanto, o autor carioca faz uso de densa documentação, analisando não apenas as obras de Capistrano, mas teóricos, biógrafos e cartas enviadas pelo cearense a contemporâneos. A partir do material reunido, Daniel divide o livro em duas etapas: a elaboração de uma noção de Brasil e brasilidade por Capistrano e a formação do historiador e da historiografia como ciência.

Encontrados no Instituto Histórico e Arqueológico do Ceará, "recortes de jornais colados em papéis de punho do historiador cearense", como o próprio Daniel descreve, deram-lhe a oportunidade de perceber Capistrano dialogando consigo mesmo. É nesse sentido que o pesquisador carioca inova: por buscar a essência de um Capistrano em formação, que substituía palavras nos originais dos próprios livros, evocando significados mais aproximados do que realmente procurava dizer. Trocara, por exemplo, "unidade brasileira" por "nacionalidade brasileira", ressaltando sua intenção de traduzir o que chamou de "história íntima".

Em resumo, o pesquisador carioca declara que as ambições de Capistrano se confundem com as de todo um povo, que mesmo sem perceber ou declarar, também ansiava pelo registro de sua trajetória, pela identificação dos personagens anônimos que o precedera. "O desejo de decifrar o sentido da experiência vivida pelos homens e de oferecer à nação uma narrativa de sua gênese, dá-nos testemunho daquilo que Capistrano considerava como o sentido de realização de sua própria vida", afirma Daniel.

História do Brasil
Descobrimentos de Capistrano Daniel Mesquita
Apicuri
2010
263 páginas
R$ 48



MAYARA DE ARAÚJO
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