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sábado, 4 de dezembro de 2010

** [Carta O BERRO] A memória histórica como campo da luta de classes (I) e (II) por Augusto Buonicore

 
Carta O Berro..........................................................repassem
A memória histórica como campo da luta de classes (I)
Se perguntássemos para qualquer pessoa comum o que é história, elarapidamente nos diria: É algo que trata de fatos e personagens que existiram num passado mais ou menos distante. Estes três elementos (fatos, personagens e passado), sem dúvida, entrariam em duas de cada três definições do que seria História. E, ao referir-se ao passado, pensavam-na como uma coisa morta, que nada poderia nos dizer e, muito menos, nos ensinar sobre o presente. O artigo é de Augusto Buonicore.
Publicado originalmente no site da Fundação Maurício Grabois


Não é sem razão que no interior das salas de aula a história muitas vezes foi tida como uma disciplina chata. Isto se deu especialmente devido a pouca relação estabelecida entre o que era ministrado e os problemas concretos vividos pelos alunos. Não existia qualquer convicção de que o aprendizado da história pudesse ajudá-los desvendar e, principalmente, transformar o mundo em que viviam.


O problema é que o passado do historiador não deveria ser – e não é - algo morto, como o fóssil de um dinossauro encravado numa rocha ou exposto num museu. Os fatos, como uma espécie de matéria-prima da história, não são coisas mortas que apenas devem ser coletados e colocados numa seqüência rigorosamente cronológica.


Repito, não é possível estudar uma comunidade humana e seu desenvolvimento histórico como se fosse uma colméia ou um conglomerado de rochas. Estranhamente, este passado continua vivendo e produzindo seus efeitos sobre nós e é, justamente, por isso que deve ser estudado e melhor compreendido.


No caso das ciências humanas – ao contrário das ciências naturais e exatas – não há uma muralha da China separando o objeto a ser estudado (as sociedades) e o sujeito que o estuda (o historiador, o sociólogo etc.), mesmo tratando-se do estudo de agrupamentos que viveram há milhares de anos.


Para os antigos historiadores, de tendência positivista, os fatos eram como coisas brutas. Eles estavam permanentemente atrás dos fatos puros, duros e irretorquíveis.


Contra os fatos não há argumentos, gostavam de dizer. Contudo, os fatos não falam por si mesmos, como afirma o senso comum positivista. Segundo o historiador inglês Edward Carr, "os fatos falam apenas quando o historiador os aborda: é ele quem decide quais os fatos que vem à cena e em que ordem e em que contexto". E conclui: "A convicção num núcleo sólido de fatos históricos que existem objetiva e independentemente da interpretação do historiador é uma falácia absurda, mas que é muito difícil de ser erradicada".


No entanto, o historiador que se propõe fazer perguntas ao passado não é um ser desencarnado, separado do mundo. Ele é membro de uma determinada sociedade, de uma determinada época, de uma determinada classe social. Ele se encaixa no interior de determinadas ideologias e perspectivas teórico-metodológicas, que, na maioria das vezes, têm um forte sentido classista. Portanto, o historiador não é neutro diante dos conflitos e dos problemas que aparecem à sua frente durante a pesquisa que realiza.


É sua situação no mundo que determina as perguntas e as escolhas cotidianas que faz. Isto, é claro, vai direcionar as respostas que ele procura encontrar. Um historiador liberal-burguês, por exemplo, jamais colocaria a questão: De onde vem a exploração do trabalho? Para ele, o conceito exploração nada teria de científico, não passaria de uma excrescência ideológica - invenção de alguns socialistas inconformados.


A história não é a simples catalogação neutra de fatos ocorridos no passado. A missão dos historiadores é relacioná-los numa totalidade concreta (processo histórico) e, principalmente, interpretá-los. E a interpretação sempre tem por base determinada teoria ou ideologia. A partir dos mesmos fatos podemos construir várias e contraditórias interpretações.


O historiador marxista tem como objetivo fornecer uma explicação coerente das origens e desenvolvimento das sociedades humanas em suas diversas dimensões. Compreender as inúmeras transformações por que elas passaram. As mudanças sociais devem ser, em última instância, os verdadeiros objetos da história.


As sociedades humanas – como tudo no universo - estão num constante movimento. Elas nascem, desenvolvem-se - conhecem várias fases – e depois fenecessem. Estas transformações podem se dar lentamente – quase imperceptíveis - ou de maneira abrupta, como ocorre nas guerras e nas explosões revolucionárias.


Mas, qual é o motor dessas permanentes mudanças? São as contradições existentes no seio de cada sociedade, que se traduzem naquilo que os marxistas chamaram de lutas de classes.


Por que os trabalhadores devem conhecer a história?


Em todas as comunidades humanas existe um combate surdo pela memória. Este combate faz parte de uma luta ainda maior que é a travada pela conquista da hegemonia. Em outras palavras, a história é um espaço no qual grupos sociais se enfrentam para decidir qual deles dirigirá os rumos da nação e mesmo do planeta.


Por isso, as classes dominantes sempre procuraram reconstruir o passado para, no presente, justificar sua própria dominação. Os líderes das nações imperialistas também buscaram se utilizar da chamada história universal para justificar a dominação e a exploração que exerciam sobre outros povos, considerados inferiores.


Vejamos alguns exemplos extremos destas tentativas: os faraós do Egito foram transformados em filhos diletos do Deus Rá, alguns governantes gregos e romanos também foram transformados em descendentes de deuses e heróis olímpicos. Para justificar a escravidão africana, os negros foram considerados descendentes de Cam, o filho amaldiçoado de Noé. Deveriam pagar, através da servidão, pelos pecados de seus antepassados. Estes são apenas exemplos mais descarados da reconstrução mítica da história feita pelos membros das classes proprietárias no poder e seus escribas. Existem outros exemplos mais sutis, menos perceptíveis, mas, nem por isso, menos perversos.


Os deserdados da terra, os povos explorados, escravizados - ou mesmo eliminados - deixaram poucos rastros na história. Os escravos do Egito, Roma e Grécia não nos deixaram nenhuma obra escrita, apresentando seu ponto de vista sobre a situação na qual viviam. Quem escreveu a história dessas sociedades antigas foram homens livres e, na sua quase totalidade, proprietários de terras e de escravos. Alguns imperadores, também, aventuraram-se no oficio de escrever história. É claro que para enaltecer os seus próprios feitos e dos seus antepassados.


No Brasil, as coisas não podiam ser diferentes. Aqui, também, não foram os índios e negros escravizados que escreveram a história do país. Afinal, a quase totalidade deles não sabia ler e escrever – era lhes proibido freqüentar escolas. O que sabemos deles, num primeiro momento, nos foram contados por viajantes estrangeiros e jesuítas. Relatos que muitas vezes descreviam o martírio desses povos, mas, em geral, vinham carregados de inúmeros preconceitos e graves incompreensões.


Somente na segunda metade do século XIX, ao começar ser questionada a escravidão, surgiu pela pena dos abolicionistas uma outra história, mais crítica ao passado escravista. Mesmo assim, apesar de sua boa vontade, os abolicionistas não poderiam expressar adequadamente as opiniões dos explorados. E aqui não vai nenhum demérito a eles. Pois, foi através dos óculos desses escritores que começamos conhecer um pouco mais da evolução e vicissitudes de nossa sociedade.


Não quero dizer com isto que se os índios e os negros escravizados soubessem ler e escrever produziriam uma interpretação exata da sociedade na qual viviam. Eles ainda não tinham o instrumental teórico necessários para isso. Mas, com certeza, seus depoimentos nos permitiram ver a realidade por outros ângulos e acabar de montar o quebra-cabeça do que foi a nossa sociedade colonial e escravista. O olhar da senzala jamais será o mesmo da Casa Grande, mesmo que por ela pudesse ser fortemente influenciado. Este, inclusive, o erro daqueles que pretendem generalizar as conclusões de Gilberto Freyre na sua obra magna.


Podemos dizer que somente com o advento do capitalismo e a formação de uma classe operária moderna, que sabia ler e escrever – podendo, assim, produzir seus próprios intelectuais orgânicos -, é que foi possível construir uma história mais coerente das classes exploradas. Apesar disso, por um bom tempo, esta nova história (socialista) tendeu a ser marginal, fora dos grandes circuitos, como as academias e o mercado editorial. Afinal, as idéias dominantes são sempre – ou quase sempre – as idéias das classes dominantes.


Somente tendo a consciência que a história é um espaço de luta de classes, os trabalhadores poderão se dedicar com mais afinco ao seu estudo e elaboração. O domínio da história e da dinâmica das sociedades em que vivem – como das experiências de resistência desenvolvidas por seus antepassados - os ajudará travar, de maneira mais conseqüente, as lutas do presente, avançando rumo ao socialismo.


Saber que as sociedades se transformam – que nada é imutável -, e que o principal instrumento dessas mudanças é a ação consciente dos homens, tem um efeito decisivo no processo de constituição da classe dos trabalhadores, como agente ativo de sua própria história.


Bibliografia


BORGES, Vavy Pacheco, O que é história, Ed. Brasiliense, SP, 1980
CARR, E. H., Que é História, Ed. Paz e Terra, RJ, 1978
CHESNEAUX, Jean, Hacemos tabla rasa del pasado? Ed. Siglo Veintiuno, México, 1991
HOBSBAWM, Eric, Sobre História, Ed. Companhia das Letras, SP, 1998
MICELI, Paulo, O Mito do Herói Nacional, Ed. Contexto, SP, 1988
PINSKY, Jaime (org), O Ensino de História e a Criação do Fato, Ed. Contexto, SP, 1988
PLEKHANOV, A Concepção Materialista da História, Ed. Paz e Terra, RJ, 1980
RODRIGUES, José Honório, Filosofia e História, Ed. Nova Fronteira, RJ, 1981
SCHAFF, Adam, História e Verdade, Martins Fontes, SP, 1983

(*) Esta é a primeira parte do texto que foi apresentado na mesa "A importância da história na formação do ser social" que compôs a programação do XX Encontro Nacional de Educadores, promovido pela Secretaria Municipal de Educação de Paulínia (SP)entre 26 e 28 de julho de 2010.
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A memória histórica como campo da luta de classes (II)
Mesmo os grandes personagens somente são grandes porque expressaram, em algum momento, determinados movimentos mais amplos da própria história – não são propriamente eles que fazem a história e sim são produzidos por ela. O que seria do imperador Napoleão Bonaparte sem a revolução francesa, que convulsionou o solo nacional? Sem ela, ele possivelmente não ultrapassaria a modesta condição de pequeno oficial em alguma província distante de Paris. O artigo é de Augusto Buonicore.
D. Pedro I: um grito parado no ar


Vejamos agora como se constroem socialmente os fatos e personagens históricos, tendo como referência a história Brasil. Comecemos pelo processo de nossa independência política, que teve como um de seus momentos mais comemorados a proclamação ocorrida em 7 de setembro de 1822. É incontestável que esta data se constitui um típico fato histórico. Acredito que ninguém, atualmente, negaria isto ou proporia eliminá-lo do calendário cívico nacional.


É claro, as coisas não ocorreram como estão descritas na clássica pintura de Pedro Américo, que se encontra num lugar de honra no Museu do Ipiranga. A referida tela foi produzida muitas décadas depois do famoso grito de Dom Pedro. Seu objetivo, não declarado, era enaltecer os feitos do membro fundador da família real brasileira. Os Bragança, naquele momento, passavam por graves dificuldade. Estávamos em 1888, às vésperas da proclamação da República.


O jovem príncipe não estava montado num garboso cavalo e sim numa simples mula, ainda que real. A sua comitiva e os soldados não trajavam vistosas roupas de gala, mas vestes surradas e empoeiradas da longa viagem pelo interior do país. Contudo, foi aquela cena deixada pelo pintor paraibano que prevaleceu no imaginário da Nação. Para que isso ocorresse, foi preciso reproduzi-la nos livros didáticos, nos selos comemorativos e nos filmes apologéticos, como "Independência ou morte". Na época, o trabalho de Pedro Américo custou uma pequena fortuna aos cofres públicos — cerca de 30 contos de réis.


Isto pouco importa, pois sabemos que a Independência do Brasil não se reduziu ao grito de D. Pedro dado às margens plácidas do Ipiranga. Ela foi um processo longo, que conheceu vários episódios desde a revolta de Bequimão (1684), a revolta de Felipe dos Santos (1720), a Inconfidência Mineira (1789), a Conjuração Baiana (1799) e a Insurreição Pernambucana (1817).


No 7 de setembro de 1822, proclamou-se a Independência, preservando a monarquia, a supremacia da Casa de Bragança e os interesses econômicos e sociais fundamentais das classes dominantes brasileiras: a escravidão, o latifúndio e o predomínio da agroexportação do açúcar e do café. O Brasil ficou sendo o único Estado monárquico da América Latina.


Mesmo assim, não se pode chamar o final do processo de independência de incruento. Isto significaria ficar apenas nas aparências e nos curvarmos perante uma visão liberal-conservadora da nossa história. A independência incruenta (ou moderadamente cruenta) se deu no eixo Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, no qual a corte brasileira tinha influência e maior controle. Nas regiões Norte e Nordeste havia uma situação bem diferente. Historicamente, suas relações econômicas e políticas se davam mais com a Metrópole portuguesa do que com o Rio de Janeiro. Ali eram maiores as influências metropolitanas e existiam fortes laços de fidelidade das tropas e do comércio, em geral compostos de portugueses, em relação às cortes do além mar.


Em fevereiro de 1822, eclodiu a Guerra da Independência na Bahia. Ela se iniciou quando os baianos se recusaram a aceitar a indicação do novo governador de armas, o coronel lusitano Madeira de Melo. As tropas portuguesas atacaram os patriotas brasileiros e os derrotaram. A guerra somente foi vencida no dia 2 de julho de 1823. No Maranhão, a junta lusitana só seria derrotada mais de um ano após a Independência. Mais de oito mil brasileiros combateram o domínio português naquele estado. A mesma coisa aconteceu no Piauí. As mobilizações de tropas nesses episódios não ficaram aquém das ocorridas na guerra de independência da América espanhola.


Mesmo assim, a nossa independência não estava plenamente assegurada. Vários perigos pairavam sobre ela. A maioria deles vinculados à permanência de um príncipe português no trono brasileiro. Um monarca que vez ou outra exprimia sua fidelidade mais ao pai e a Portugal do que ao Brasil. Em 1831, depois de acirrados conflitos políticos e choques de ruas, D. Pedro renunciou ao trono. Para alguns historiadores, somente a partir deste momento a nossa independência política estaria concluída.


Como podemos ver, nosso processo de independência conheceu inúmeras datas e personagens. Contudo, poucos deles foram selecionados para compor a história oficial. Por longos anos, o título de herói da Independência acabou recaindo na polêmica figura de D. Pedro I. E o fato histórico determinante, o grito dado às margens do riacho do Ipiranga. Estas escolhas, decerto, nada tiveram de casual. Elas se enquadravam perfeitamente dentro dos interesses das classes dominantes brasileiras, que procuravam símbolos que melhor expressassem e servissem à sua dominação.


Os historiadores socialistas sabem que a nossa independência não foi obra de D. Pedro, nem aconteceu num único dia. Ela foi o resultado de inúmeras contradições, que se acumularam por séculos, entre os interesses da colônia e da metrópole. Ela não teria sido possível sem as inconfidências mineira e baiana; sem as guerras de libertação na Bahia, Maranhão e Piauí; sem os levantes populares em várias cidades, como os ocorridos no Rio de Janeiro, em 1831. Não se realizaria sem o pensamento e ação dos setores populares e radicais do movimento de independência, representados nas figuras de Frei Caneca e Cipriano Barata.


Tiradentes e a Inconfidência Mineira: obras republicanas
Vejamos um outro herói e outro fato histórico incontestáveis. Refiro-me ao Tiradentes e à Inconfidência Mineira. Neste caso, ao contrário do exemplo anterior, ninguém tem dúvidas sobre o heroísmo de Joaquim José da Silva Xavier. Ele é, incontestavelmente, o principal herói brasileiro. É o seu rosto, por exemplo, que consta da exposição do bi-centenário da independência da Argentina, na Casa Rosada – ao lado de Bolívar e San Martin.


Mas nem sempre foi assim e, talvez, nunca tivesse sido se não fosse pela decisão de alguns homens. Digo homens, pois as mulheres apitavam pouco naquele momento. O próprio termo inconfidência, literalmente, significa "ato de deslealdade, traição". Portanto, era uma palavra com forte sentido pejorativo e que hoje soa quase como um elogio à rebelião.


Pelo menos até 1889 – ou seja, 100 anos depois da sua morte – o nome de Tiradentes não era digno de nenhuma menção governamental especial e muito menos objeto de comemorações cívicas. Era considerado mais louco do que herói. Afinal, eram os filhos e netos da rainha "Maria Louca" – que o mandou enforcá-lo e esquartejá-lo - que se encontravam no poder. Somente após a Proclamação da República Tiradentes passou a compor o panteão dos heróis nacionais e a data de sua morte – o 21 de abril – virou feriado nacional.


Mas por qual razão foi escolhida a Inconfidência Mineira e a figura de Tiradentes como símbolos da luta pela liberdade da Pátria? Em primeiro lugar, por este movimento ter sido liderado por uma elite ilustrada – poetas, oficiais do exército, padres, funcionários públicos, empresários etc. Todos senhores brancos e respeitáveis membros da sociedade colonial. A favor de Tiradentes, o mais pobres deles, pesava o fato de ser republicano e, principalmente, alferes (equivalente ao posto de segundo-tenente). Sabemos que a República foi, em parte, obra de militares — como Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto e Benjamim Constant. Assim, eles puderam traçar um fio de continuidade entre suas idéias (e posição social) e as de Tiradentes.


A escolha, contudo, poderia ter recaído sobre outros movimentos, outros mártires. Dez anos depois da Inconfidência Mineira eclodiu uma tentativa de conjuração na Bahia – também chamada de Revolta dos Alfaiates. Como o próprio nome já indica, ela foi mais popular que a primeira. Por isso mesmo, causou maior impacto na colônia – colocando em alerta a própria metrópole. As bandeiras dos conjurados baianos eram: independência, República e Abolição da Escravidão. Ao contrário do que aconteceu em Minas Gerais, da Conjuração Baiana participaram muitos escravos e ex-escravos. Se a Inconfidência Mineira foi muito influenciada pela Revolução Americana, a Conjuração Baiana o foi pela Revolução Francesa, muito mais radical.


Quatro de seus líderes foram enforcados no dia 8 de novembro de 1799. Como Tiradentes, todos tiveram seus corpos esquartejados e seus membros decepados colocados em praça pública para que a população visse e não tentasse seguir o seu exemplo. Dos mortos, dois eram soldados rasos e dois alfaiates. Seus nomes: Lucas Dantas, Manuel Faustino, Luiz Gonzaga das Virgens e João de Deus Nascimento. Nomes que quase desapareceram da história.


Zumbi e Palmares: arrombando a festa oficial
Por fim, vejamos um último herói e uma última data histórica. Refiro-me à Zumbi de Palmares e ao 20 de novembro, data provável de sua morte. Se hoje fizéssemos uma pesquisa sobre qual seria o principal herói brasileiro, sem dúvida o nome deste líder negro estaria disputando palmo a palmo os primeiros lugares com o alferes Tiradentes e com o imperador D. Pedro I. Nada mais justo.


Não precisamos dizer que este é um fenômeno novo. Era inconcebível que isto pudesse ocorrer durante o Império escravista (1822-1889) ou mesmo durante os primeiros anos da chamada República Oligárquica (1889-1930), quando ainda predominavam ideologias assentadas no "racismo científico". Onde o ideal para o Brasil era de uma sociedade composta por uma população exclusivamente branca, sem mestiços ou negros. Numa sociedade elitista e racista, decerto não haveria lugar para heróis negros desta natureza.


Zumbi começou aparecer na história durante a campanha abolicionista – incorporado pelo seu setor mais radicalizado. Era uma das referências de um determinado movimento cívico, ao lado de outros personagens, como legendário líder dos escravos de Roma, Spartacus.


Seria preciso transcorrer quase cem anos da abolição da escravidão para que o nosso herói negro começasse a galgar os íngremes degraus do panteão da pátria. Coisa que só foi possível devido à crise da ditadura militar e a democratização do país, fortemente impulsionados pelos movimentos de contestação popular, no qual se incluía as organizações negras. A data provável da morte de Zumbi, atualmente, é feriado em vários estados e caminha para se tornar feriado nacional. É claro que o racismo difuso, ainda existente entre nós, buscará criar algumas dificuldades para que isso aconteça.


O "caso Zumbi" demonstra que a história continua aberta para a criação de novos heróis e fatos. Conforme novas forças sociais entram em cena, a história vai se ampliando, se democratizando. Operários, camponeses, negros, mulheres, homossexuais e idosos, corretamente, continuam tentando emplacar os seus heróis. Hoje são apenas deles, amanhã poderão ser de todos – ou, pelo menos, de quase todos.


Heróis regionais, de movimentos específicos, podem, em determinadas conjunturas, se tornarem heróis nacionais. Por outro lado, heróis nacionais podem decair na escala de prestígio social e entrar em recesso – ou mesmo se aposentarem definitivamente. Cito apenas os casos dos bandeirantes paulistas, da Princesa Isabel (a "redentora dos escravos") e do Duque de Caxias – este último foi atingido em cheio pelo desgaste sofrido pelas Forças Armadas durante a Ditadura Militar, que imperou no país por 20 anos.


Diga-se, de passagem, que o nosso bom Duque só atingiu o status de grande herói durante outra ditadura, a do Estado Novo. Vargas estava em luta acirrada para reforçar os aspectos unitários da Nação contra o federalismo das elites regionais. O ato solene da queima das bandeiras estaduais e a ascensão do Duque fazem parte de um único e mesmo processo, e serviam aos mesmos interesses econômicos e sociais.


Quem e como se faz a história
Não são indiferentes para a sociedade os personagens e acontecimentos que escolhemos para compor a história. Estas escolhas não são neutras. São carregadas de significados e produzem efeitos na consciência do povo. Podem reforçar visões e práticas conservadoras ou progressistas. Nada mais falso que encarar a história como coleção de fatos puros (objetivos), distribuídos cronologicamente.


Por fim – e isso é o mais importante – devemos acentuar que mesmo os grandes personagens somente são grandes porque expressaram, em algum momento, determinados movimentos mais amplos da própria história – não são propriamente eles que fazem a história e sim são produzidos por ela. O que seria do imperador Napoleão Bonaparte sem a revolução francesa, que convulsionou o solo nacional? Sem ela, ele possivelmente não ultrapassaria a modesta condição de pequeno oficial em alguma província distante de Paris.


As mesmas questões servem para o Brasil. Será que sem Tiradentes ou D. Pedro I não teríamos conquistado a Independência? Sem Isabel, ou mesmo Zumbi, não haveríamos tido a Abolição? Sem Deodoro não existiria a República? É claro que mesmo sem estes personagens o Brasil ainda seria uma República independente e sem escravidão. No máximo, os ritmos e as formas das mudanças teriam sido diferentes, mas não seu sentido geral.


Portanto, mais importante do que escolhermos nossos fatos e heróis é definirmos como encaramos o próprio fazer histórico. A história pode ser vista como obra de "grandes personagens" – indivíduos sobre-humanos - ou como construção coletiva. Pode ser encarada como o resultado de dádivas - e acordos por cima - das elites (econômicas e políticas) ou como o fruto de lutas sociais abrangentes, que têm por base interesses materiais concretos. A história pode ser vista como grandes momentos – únicos e irrepetíveis – ou como processos contraditórios de variadas durações, que conhecem momentos de rupturas revolucionárias.


Bibliografia[/b}
BORGES, Vavy Pacheco, O que é história, Ed. Brasiliense, SP, 1980.
BUONICORE, Augusto, Marxismo, história e revolução brasileira, Ed. Anita Garibaldi, SP, 2009
CARR, E. H., Que é História, Ed. Paz e Terra, RJ, 1978.
CHESNEAUX, Jean, Hacemos tabla rasa del pasado? Ed. Siglo Veintiuno, México, 1991.
HOBSBAWM, Eric, Sobre História, Ed. Companhia das Letras, SP, 1998.
MICELI, Paulo, O Mito do Herói Nacional, Ed. Contexto, SP, 1988.
PINSKY, Jaime (org), O Ensino de História e a Criação do Fato, Ed. Contexto, SP, 1988.
PLEKHANOV, A Concepção Materialista da História, Ed. Paz e Terra, RJ, 1980.
RODRIGUES, José Honório, Filosofia e História, Ed. Nova Fronteira, RJ, 1981.
SCHAFF, Adam, História e Verdade, Martins Fontes, SP, 1983.


* Este texto foi apresentado na mesa "A importância da história na formação do ser social" que compôs a programação do XX Encontro Nacional de Educadores, promovido pela Secretaria Municipal de Educação de Paulínia (SP) ) entre 26 e 28 de julho de 2010.
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** PROGRAMAÇÃO ENCONTRO MUSEUS DO RIO






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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

** AGCRJ

 
O Arquivo Geral da Cidade do RJ está com um portal novinho em folha, conheça!

www.rio.rj.gov.br/arquivo


Ah, e sigam! @AGCRJ


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** livros em PDF na web

 
Caros Amigos...
navegando pela net, acabei descobrindo esse site que tem inúmeros livros em PDF para download.


acabei de pegar a revista de Sociologia sobre o Mundo do trabalho!

PS: peço que ajude a divulgar o site!
SALVE, SALVE SIMPATIA

--
Jhonnantha Hirano "Japa"
História/FAPA
Ciências Economicas/PUCR$
http://twitter.com/camaradajapa



"Olho por olho e o mundo acaba cego" Gandhi
"Os Homens fazem a sua propria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade, em circunstâncias escolhidas por eles próprios, mas nas circunstâncias imediatamente encontradas, dadas e transmitidas pelo passado" Karl Marx em 18 brumários de Luís Bonaparte

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** Chamada para inscrições de grupos de trabalho XI Conlab

 
 
XI CONGRESSO LUSO AFRO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS
DIVERSIDADES E (DES)IGUALDADES

CHAMADA PARA INSCRIÇÕES DE GRUPOS DE TRABALHO

INSCRIÇÕES PRORROGADAS ATÉ 05 DE DEZEMBRO DE 2010

Diversidades e (des)igualdades é o tema que orientará os debates do XI Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais, a ser realizado na Universidade Federal da Bahia, em Salvador, de 07 a 10 de agosto de 2011.
Durante o evento, especialistas em Ciências Sociais e Humanidades de diversos países - especialmente Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Portugal e Brasil - estarão reunidos para debater a diversidade e a complexidade de suas sociedades, privilegiando um enfoque comparativo e confronto de diferentes perspectivas teóricas e metodológicas.
Nesse momento encontram-se abertas as inscrições para Grupos de Trabalho. Cada proposta poderá ser feita por grupo de dois a quatro pesquisadores doutores, oriundos de, pelo menos, duas instituições diferentes (e, de preferência, de países diferentes). Prazo prorrogado até dia 05/12/2010.
O XI CONLAB custeará passagens e hospedagens de pesquisadores africanos lusófonos que tiverem suas propostas aprovadas.
Inscrições através do site internet www.conlab.ufba.br
A Comissão Organizadora desta edição do congresso é composta por pesquisadores de todas as universidades públicas da Bahia, e coordenada pelo Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO) da Universidade Federal da Bahia.
Maiores informações pelo endereço conlab@ufba.br


--
Atenciosamente,
Comitê Organizador

XI Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais
Diversidades e (Des)Igualdades
SALVADOR - BAHIA - BRASIL
Data: 07 a 10 de agosto de 2011
Contato: 00 55 71 3283-5509 / 3322-6813






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** FORUM DIVERSIDADE HUMANA - FAVOR DIVULGAR 1

 
FORUM ITINERANTE:
DIVERSIDADE HUMANA EM ESPAÇOS ESCOLARES E NÃO ESCOLARES:
DIALOGANDO SOBRE PRÁTICAS EMANCIPATÓRIAS EM DIFERENTES CONTEXTOS EDUCATIVOS
TEMA 2010 – Racismo

Breve histórico
A idéia deste fórum itinerante não é nova. No final dos anos 80 e início dos 90, o Projeto Diálogo Entre Povos já realizava seminários descentralizados (no Rio de Janeiro, Niterói, Nova Iguaçu, Friburgo, Caxias) para discutir questões de gênero, cultura e etnia em relação a educação. Contudo, foi após o grupo de trabalho "DIVERSIDADE HUMANA EM ESPAÇOS ESCOLARES E NÃO ESCOLARES: DIALOGANDO SOBRE PRÁTICAS EMANCIPATÓRIAS EM DIFERENTES CONTEXTOS EDUCATIVOS", proposto à comissão organizadora da ALAADAB (Associação Latino-americana de Estudos Africanos e Asiáticos do Brasil), em 2008, animadas pelo significativo número de trabalhos inscritos neste GT, que tivemos a compreensão da importância da visibilização de ações político-pedagógicas que fortaleçam nossa capacidade criativa e de mudança.Em 2009, realizamos o nosso primeiro encontro, na UERJ, abordando o tema "A DIVERSIDADE NOS ESPAÇOS EDUCATIVOS: questões de gênero, etnia, necessidades especiais, orientação sexual, como trabalhar?"

Justificativa
A crença na educação como prática da liberdade
A crença na mudança
A crença na possibilidade de um mundo, de uma sociedade, de uma escola sem racismo, sem machismo, sem elitismo, sem violência

Objetivos do fórum:
Promover um momento de informação, formação, troca e articulação entre profissionais de educação voltados para a construção de práticas emancipatórias não racistas e não excludentes da diversidade humana.
Promover debates periódicos acerca de práticas emancipatórias em espaços formais e não formais de educação, nos contextos do Brasil e demais países da América Latina e África.
Observar e compreender realidades sócio-culturais e educativas múltiplas, a fim de potencializar caminhos na perspectiva do fortalecimento de redes educacionais que ultrapassem visões societárias e civilizatórias hegemônicas e excludentes.
Fomentar a discussão, reflexão, práticas e formação continuada livre, com profissionais comprometidos com um mundo sem racismo, machismo, homofobia, elitismo, etc.
Criar uma rede de comunicação entre profissionais de educação envolvidos com o fórum (lista de discussão, site, etc.)

2º encontro na SEMANA DOS DIREITOS HUMANOS
10 e 11 de DEZEMBRO de 2010

Local: SINPRO-Rio – Escola do Professor- Rua Pedro Lessa, 35 – Centro – Rio de Janeiro/RJ
Horários:
Dia 10 de dezembro de 2010, sexta-feira, das 18h às 21h
Dia 11 de dezembro, sábado, das 8h30 às 13h.

• Informações e inscrição de COMUNICAÇÕES e de ouvintes: dialogoentrepovos@uol.com.br
• Inscrição de COMUNICAÇÕES (resumo) até o dia 6 de dezembro de 2010[1].
• INSCRIÇÃO, também NO DIA, PARA OUVINTES
ENTRADA FRANCA

PROGRAMAÇÃO

Sexta-feira – 10 de dezembro de 2010

18h – credenciamento
18h30 – abertura: Exibição de filmes
19h - ABERTURA com as instituições parceiras
19h30- Mesa de debate 1 – Racismo: uma abordagem multiétnica

Sábado – 11 de dezembro de 2010

8h30 – café da manha comunitário
9h - apresentações das COMUNICAÇÕES
10h30 – atividade cultural
10h45 – Mesa de debate 2 - Racismo: uma abordagem multidisciplinar


COMISSAO CIENTIFICA:
Profa Dra Regina de Fátima de Jesus
Profa Dra Katia Santos
Profa Dra Maria Batista Lima
Profa Ms Rosa Helena de Mendonça
Prof Dr Amilcar Araujo

COMISSAO ORGANIZADORA:
Profa Azoilda Loretto da Trindade
Profa Janete Santos Ribeiro
Profa Sandra Regina Ribeiro


PROMOÇÃO: Projeto Diálogo entre Povos - LAESER-IE-UFRJ – SINPRO-Rio (Escola do Professor) - Departamento de Educação da FFP/UERJ

APOIO: UNICEF – Canal Futura (Projeto A Cor da Cultura) – Estimativa - TVEscola ( Programa Salto para o Futuro) – Editora De Petrus et Alii – Edições Paulinas

[1] Formatação do Trabalho Completo a ser entregue no dia 11 de dezembro de 2011, CASO HAJA INTERESSE NA PUBLICAÇÃO.
a) Título do trabalho no alto da página, em negrito, caixa alta, Fonte Times 12, centralizado;
b) Abaixo do título, após um espaço duplo, inserir, à direita nome do/a autor/a, e a instituição entre parênteses, em caixa alta, Fonte Times 12. Ex.: João José da Silva (UFS). Inserir por meio do editor de texto do WORD uma nota de rodapé para um pequeno currículo do/a autor/a, com dados como: maior formação acadêmica, atuação profissional, e-mail, etc.
c) Resumo: Margens: 3cm (superior, esquerda) e 2 cm (inferior e direita); - Espaçamento simples - Parágrafo justificado - Até 150 palavras.
d) De 03 a 05 palavras-chaves
e) Trabalho Completo
* Fonte Times New Roman 12;
* Espaçamento 1,5
* Mínimo de oito (8) laudas, máximo de dez(10) laudas;
* Notas de rodapé no final das páginas;
* Nas referências bibliográficas, utilizar os títulos das obras em negrito;
As referências (em meio impresso e/ou eletrônico) deverão ser organizadas em ordem alfabética, conforme normas da ABNT.
* Citações com mais de 4 linhas devem ficar a 2cm do parágrafo;
Citação no texto, usar o sobrenome e ano em citação indireta: Lopes (1980) ou (LOPES, 1980). Para dois autores, utilizar e (LOPES e SILVA, 1990); para mais de dois autores, utilizar et al; e com nº da página (p.) para citações diretas (mais de três linhas) Lopes (1980, p. 34) ou (LOPES, 1980, p. 34).
* Parágrafos a 1,5 cm da margem.
* Margens: 3 cm (superior, esquerda) e 2 cm (inferior e direita).

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Atividade nos últimos dias:
    **Este grupo foi criado com o intuito de promover releituras da HISTÓRIA DO BRASIL e tão-somente  HISTÓRIA DO BRASIL.  Discussões sobre a situação atual: política, econômica e social não estão proibidas, mas existem outros fóruns mais apropriados para tais questões.


                                                                                                    Por Favor divulguem este grupo e grato pelo interesse .
 
Visite o Blog do nosso Grupo:http://www.grupohistoriadobrasil.blogspot.com

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

** Lançamento: O Brasil e a Segunda Guerra Mundial

 

Prezados (as),

venho com alegria convidá-los para o lançamento do livro O Brasil e a Segunda Guerra Mundial, no dia 20 de dezembro as 20hs na livraria Multifoco na Lapa conforme convite em anexo. 

Informações:

Título: O Brasil e a Segunda Guerra Mundial
Organizadores: Francisco Carlos Teixeira da Silva, Karl Schurster, Igor Lapsky, Ricardo Cabral & Jorge Ferre.
Editora: Multifoco/TEMPO
Número de páginas: 976 + caderno de imagens
ISBN: 978-85-7961-265-7

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Fabrício Augusto Souza Gomes







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Atividade nos últimos dias:
    **Este grupo foi criado com o intuito de promover releituras da HISTÓRIA DO BRASIL e tão-somente  HISTÓRIA DO BRASIL.  Discussões sobre a situação atual: política, econômica e social não estão proibidas, mas existem outros fóruns mais apropriados para tais questões.


                                                                                                    Por Favor divulguem este grupo e grato pelo interesse .
 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

** Lançamento do livro "Tempos de Fascismos"

 
Atividade nos últimos dias:
    **Este grupo foi criado com o intuito de promover releituras da HISTÓRIA DO BRASIL e tão-somente  HISTÓRIA DO BRASIL.  Discussões sobre a situação atual: política, econômica e social não estão proibidas, mas existem outros fóruns mais apropriados para tais questões.

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** 3o Festival do Filme de Pesquisa - Cultura, Diáspora e Cidadania (CCBB, 01/12/2010)

 
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Atividade nos últimos dias:
    **Este grupo foi criado com o intuito de promover releituras da HISTÓRIA DO BRASIL e tão-somente  HISTÓRIA DO BRASIL.  Discussões sobre a situação atual: política, econômica e social não estão proibidas, mas existem outros fóruns mais apropriados para tais questões.

                                                                                                    Por Favor divulguem este grupo e grato pelo interesse .
 

** Programa del Coloquio Internacional: Movimientos Sociales, Memorias y Procesos de Resistencia en la Historia Reciente de América Latina, Martes 3 de noviembre,Centro Cultural de la Cooperación Floreal Gorini, Av. Corrientes 1543, Ciudad Autónoma de Buenos Aires

 
 
Coloquio Internacional: Movimientos Sociales, Memorias y Procesos de Resistencia en la Historia Reciente de América Latina
 
Centro Cultural de la Cooperación Floreal Gorini
23 de noviembre de 2010
Av. Corrientes 1543
Ciudad Autónoma de Buenos Aires
 
 
Presentación
El Coloquio Internacional: Movimientos Sociales, Memorias y Procesos de Resistencia en la Historia Reciente de América Latina se propone reunir a un grupo de especialistas para discutir la problemática de las memorias sobre los procesos de organización y resistencia social que se produjeron en las últimas décadas en la región.
Buscando reforzar redes de estudios sobre los problemas recientes de América Latina, el Coloquio fue pensado como un ámbito de intercambio relativo a un campo de estudios en construcción que afronta desafíos metodológicos y epistemológicos que ameritan una discusión en clave interdisciplinaria entre los historiadores y otros investigadores sociales. Su objetivo es  fomentar el trabajo en red y la continuidad de los vínculos construidos con la intención de generar un efecto multiplicador que fortalezca y potencie tanto a los participantes como a sus organizaciones e instituciones.
Este Coloquio fue planificado como el primero dentro de un ciclo de encuentros anuales organizados por el Programa de Historia Oral de la Universidad de Buenos Aires en coordinación con el Archivo Oral "Subjetividad, política y oralidad" del Centro Cultural de la Cooperación Floreal Gorini.
 
Programa
9 hs. Acreditaciones
10  a 13 hs. Mesas de debate 1 y 2
13 a 14 hs. Receso
14 a 17 hs Mesas de debate 3 y 4
17 hs Presentaciones de libros (Sala Garibaldi, 2° Piso)
18 hs Conferencia final (Sala Garibaldi, 2° Piso)
Titulo: "Los programas y organizaciones sociales como componente básico del modelo político chavista en Venezuela", a cargo del Dr. Steve Ellner (Universidad de Oriente, Venezuela)
 
 
Mesas de debate
Mesa 1 (10 a 13 hs).  Sala Garibaldi, 2° Piso.
Coordinación: Pablo Vommaro y Angeles Anchou
1.    "Los movimientos indígenas, la construcción de partidos propios y los gobiernos de izquierda en Bolivia y Ecuador, un contrapunto paradójico."
 Fabiola Escárzaga (UAM- Xochimilco).
 
2.    "Memórias e representações em confrontos culturais por ocasião da construção das Hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, Porto Velho/RO (2009/2010)"
Marcos Montysuma (UFSC)
 
3.    "Tensiones en los movimientos sociales en Venezuela, El caso del Frente Nacional Campesino Ezequiel Zamora"
Yanina Settembrino (UBA)
 
4.    "De la infrapolítica de las comunidades indígenas (1982-1983) a la salida a la luz pública de las Comunidades de Población en Resistencia (1990-1991) en Guatemala"
Julieta Rostica (CONICET- IIGG-FSOC-UBA)
 
 
Mesa 2 (10 a 13 hs) Sala Amar, 8° Piso.
Coordinación: Mario Ayala y Melisa Slatman
1.    "La memoria sonora de los campos de concentración en Argentina."
Raúl Minsburg (UNLa), Analía Lutowicz (UNLa/CIC)
2.    "Ciencia, Tecnología y Dictadura: el caso del Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria (INTA) durante la última dictadura cívico- militar argentina (1976-1983)."
Cecilia Gargano (UNSAM-UBA/CONICET).
 
3.    "Avances en la investigación sobre las actividades represivas  extraterritoriales de las Fuerzas Armadas y de Seguridad Argentinas en el marco del Estado Terrorista Argentino (1976-1983)"
Melisa Slatman (PHO-UBA).
 
4.    "Oposición docente a la política educativa durante la última dictadura argentina."
Mariana Gudalevicius (PHO-UBA/CONICET).
 
5.    "Cambios en las estrategias sindicales de los setentas, de la conciliación al clasismo. Repensando categorías y narrativas".
Florencia Rodriguez (UBA/CONICET/FLACSO)
 
Mesa 3 (14 a 17 hs ) Sala Amar, 8° Piso
Coordinación: Mario Ayala y Melisa Slatman
1.    "Piqueteros en busca del mundo ypefiano perdido. La experiencia de la UTD de General Mosconi (Salta)."
Alejandro Jasanski (FFyL-UBA)
 
2.    "Entre lo fenoménico y lo dialéctico. De la acción colectiva y la protesta a los procesos de conflicto y contradicción social. "
Guido Pascual Galafassi
 
3.    "El asedio a la fortaleza estatal."
Mabel Thwaites Rey (IEALC-UBA); Martín Cortés (IEALC-UBA).
 
4.    "Organizaciones sociales e Historia Oral en la Argentina contemporánea: acerca de las desigualdades y las diferencias en una experiencia de organización social."
Pablo Vommaro (PHO – UBA / CONICET – CLACSO)
 
Mesa 4 (14 a 17 hs) Sala Garibaldi, 2° Piso
Coordinación: Graciela Bowarnick y Florencia Rodriguez
1.    "La construcción de las Ciencias Sociales en torno a la di­námica política post 2003. Un estado del arte de los estudios sobre movimentismo e identidades nacional populares"
Mauricio Shuttenberg (CONICET/ IdIHCS-UNLP), Ana Natatalucci (CONICET/ IIGG-FCS-UBA).
 
2.    "Política Operária e Comandos de Libertação Nacional – teoria e prática revolucionária em Minas Gerais  (1962-1969)".
Isabel Leite  (UFMG)
 
3.    "Con ideas conservadoras jamás vamos a hacer la revolución". Tradición stalinista en el Partido Comunista Argentino
Graciela Bowarnik (Archivo Oral, Unidad de Información. Centro Cultural de la Cooperación "Floreal Gorini")
 
4.    "Violencia política y terrorismo de estado en marcos dictatoriales y democráticos. La mirada de algunos obreros del S.M.A.T.A. Córdoba"
María Laura Ortiz (CONICET/PHO-UBA)
 
5.    Cromañón  y el problema de la(s) memoria(s) en disputa
Anabella Rodriguez (CONICET-UBA)
 
17 hs Presentaciones de libros (Sala Garibaldi, 2° Piso)
Revista Historia, Voces y Memoria. Programa de Historia Oral, Facultad de Filosofía y Letras, UBA.
Mario Ayala y Pablo Quinteros (Comps.) Diez años de revolución de Venezuela. Historia balance y  perspectivas, Maipue, 2009.
18 hs Conferencia final (Sala Garibaldi, 2° Piso)
Titulo: "Los programas y organizaciones sociales como componente básico del modelo político chavista en Venezuela", a cargo del Dr. Steve Ellner (Universidad de Oriente, Venezuela)
 

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Atividade nos últimos dias:
    **Este grupo foi criado com o intuito de promover releituras da HISTÓRIA DO BRASIL e tão-somente  HISTÓRIA DO BRASIL.  Discussões sobre a situação atual: política, econômica e social não estão proibidas, mas existem outros fóruns mais apropriados para tais questões.

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